sexta-feira, novembro 18, 2005

Futebol: Liga Honra
Jogadores da Ovarense avançam
com pré-aviso de greve


Os futebolistas da Ovarense decidiram hoje, por unanimidade, avançar com um pré-aviso de greve para o jogo com o Portimonense, da 12ª jornada da Liga de Honra, anunciou o presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF).
"Como o clube faltou à verdade, não liquidando o remanescente do ordenado de Setembro, nem o vencimento de Outubro, os jogadores decidiram, por respeito aos adeptos e à cidade, accionar o pré-aviso de greve e não avançar com a rescisão contratual", disse à Lusa Joaquim Evangelista, após uma reunião com o plantel vareiro.
O pré-aviso de greve terá de entrar ainda hoje nos serviços do Ministério do Trabalho, uma vez que são necessários cinco dias úteis para que seja efectivado.
De acordo com o presidente do SJPF, se até às 15:00 da próxima sexta-feira não for liquidado o diferencial do salário de Setembro e o mês de Outubro, os jogadores não comparecem no jogo com o Portimonense, a 27 de Novembro.
No dia 11 de Novembro, a Direcção da Ovarense, presidida por Carlos Brás, pagou apenas uma percentagem do salário exigido, pelo que os futebolistas avançaram com um pré-aviso de rescisão colectiva.
"A atitude da Direcção da Ovarense revela total incapacidade para resolver o problema e não contribui para as soluções exigidas pelos jogadores", acrescentou Evangelista.
"Há situações dramáticas na Ovarense e alguns jogadores só têm conseguido sobreviver com a ajuda de familiares e amigos", revelou.
A viver uma dessas situações está Artur, que na semana passada se demitiu do cargo de capitão de equipa, numa altura em que o clube lhe deve oito meses e meio de ordenados.
"Tem sido complicado viver assim. Desde sempre acreditei nas pessoas, mas não podemos viver de promessas. Iniciámos a nova época e os problemas são os mesmos. Está tudo na mesma", afirmou o jogador, que enverga a camisola da Ovarense há 17 anos.
Em declarações produzidas quarta-feira na sede da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, no Porto, o presidente do clube, Carlos Brás, lamentou que jogadores "com vencimentos entre os 1.250 e 2.750 euros" tivessem ido "para a comunicação social a equipararem-se a uns sem-abrigo".
"Acho que foi uma declaração infeliz. É lamentável que quando reivindicamos os nossos direitos nos equiparem a uns sem-abrigo", considerou Artur.
Por seu turno, Joaquim Evangelista considerou "inqualificáveis" as declarações de Carlos Brás, acrescentando que as mesmas "não dignificam a classe dos dirigentes".
A situação precária dos jogadores da Ovarense levou o organismo sindical a accionar o fundo de solidariedade, destinado a pagar as despesas prioritárias dos profissionais.

2 comentários:

camões poeta zarolho disse...

Não gosto de futebol, mas gosto de pessoas e de alguns animais também, não gosto é de pessoas irracionais.
A ser verdade (não duvido) que o referido jogador não recebe salário há 8 meses e meio, a ser verdade que o "empresário" do clube disse o que está transcrito...
Continuo a defender e gosto das pessoas (independentemente do salário que recebem ou deveriam ter recebido) e, claro, continuo a abominar os ANIMAIS irracionais!

Laranjada Ovarense disse...

Penso que o artigo do Vitorino Matos no Jornal de Ovar desta semana diz quase tudo o que haverá a dizer sobre este assunto.
Só mais umas achegas:
Se não há dinheiro, fecha-se o futebol profissional, PAGAM-SE E HONRAM-SE TODAS AS DÍVIDAS EXISTENTES e continua-se com a formação e com as camadas jovens.
Por muito que custe, está mais que demonstrado que NÃO HÁ DINHEIRO PARA SUSTENTAR UMA EQUIPA PROFISSIONAL DE FUTEBOL em Ovar.
E isto por dois motivos: Não só porque esta terra não tem industria (e muito menos comércio) que sustente tal encargo, mas também porque não tem uma autarquia "suícida" que em nome da "promoção turistica da terra" sustenta clubes de futebol, seja directamente através de patrocinios, seja indirectamente através de negócios imobiliários, comerciais e outros. (atenção que só estou a falar de futebol, não estou a falar do desporto em geral ...)
Sinceramente, por uma questão de igualdade de oportunidades gostava que todas as autarquias (e governos regionais) deste pais tivessem a mesma política, para todos os desportos, mas enquanto não têem, creio que este é o caminho certo.
Finalmente, a quem é que interessa que o nome da terra continue a ser arrastado pela lama? Já não bastava a Yazaki, a Philips, os gangues e agora ainda isto?
Cumprimentos,