segunda-feira, novembro 28, 2005

Esmoriz
Alcides Alves, presidente da Junta de Freguesia:
«Se acontecer uma desgraça
alguém vai ter de responder»


Com a chegada do Inverno, voltam a ouvir-se os gritos de alerta do presidente da Junta de Freguesia de Esmoriz, procurando chamar a atenção das entidades para o perigo que representa o avanço do mar naquela praia. «Passamos a vida a pedir, porque só no Bairro dos Pescadores moram duas mil pessoas», destaca.
Com as época das marés vivas à porta, autarcas e população temem que a água do mar avance em direcção às casas desprotegidas. «Ali está em causa a vida de pessoas. É preciso que se saiba disto», realça Alcides Alves, que acrescenta: «A defesa aderente está fragilizada, as construções são abarracadas e estão situadas num buraco, o que agrava a situação». «Se acontecer alguma desgraça, eu vou pedir responsabilidades ao INAG e à tutela».
A última intervenção na defesa da praia de Esmoriz aconteceu há quatro anos e depois disso, critica o autarca, «nunca mais ninguém cá apareceu». Segundo diz, «se houvesse alguém que viesse monitorizar as obras, facilmente constataria que elas necessitam de recuperação».
A zona costeira de Esmoriz não foge à regra da generalidade do que acontece no concelho vareiro, não oferecendo condições de segurança para as pessoas e bens. «O cordão dunar está destruído e as obras que foram feitas nessa altura estão desfeitas», assevera Alcides Alves.
O presidente esmorizense não quer que se coloquem «trancas à porta apenas depois de casa roubada» e exige que os trabalhos de recuperação da defesa da praia se iniciem o mais depressa que for possível, porque a existente «não vai resistir à próxima noite de temporal e depois pode ser tarde de mais». A autarquia esmorizense elogia o esforço da Câmara Municipal de Ovar na sensibilização do Ministério do Ambiente para a urgência de que se reveste a recuperação da defesa aderente.
Álvaro Santos que é, actualmente, um dos vereadores da oposição no executivo vareiro, esteve no passado fim-de-semana na praia de Esmoriz, e aproveitou para lembrar que, em 1997, foi assinado um protocolo entre a autarquia e o Instituto Nacional da Habitação, no sentido de transferir o bairro piscatório de Esmoriz para Nascente, nos termos do qual as casas novas deveriam estar construídas no ano 2000. Com mais um Inverno à porta, «está tudo na mesma», constatou, salientando que vivem ali «centenas de pessoas em condições desumanas, com as ratazanas que se escondem nos esporões a entrarem para as habitações quando o mar sobe».
Alcides Alves recorda que só há pouco tempo é que os terrenos em questão foram desafectados. «A Câmara Municipal está a desenvolver o projecto no sentido de poder candidatá-lo e avançar para o terreno», informou.
Da parte da Junta de Freguesia esmorizense o processo está praticamente concluído, já que alienou cerca de 20 mil metros quadrados de terreno a Poente do Parque de Campismo para compensar o que se perdeu a Nascente para a edificação dos fogos que vão albergar as famílias do bairro. (in «Diário de Aveiro de hoje»)

1 comentário:

OLima disse...

Pelo interesse do tema, vou tomar a liberdade de o referir no Ondas (ondas2.blogs.sapo.pt) Abraço, Octávio Lima