

Estudei em Ovar nos anos 90 e início dos anos 2000.
E quem viveu essa altura sabe bem como a cidade era diferente.
Havia movimento no centro.
As pessoas andavam na rua, encontravam-se, o comércio mexia.
No Carnaval, o centro enchia-se de vida: carrosséis espalhados pela cidade, jogos de matrecos, gente de todas as idades.
Não era só um evento, era a cidade inteira a viver aquilo.
Não era perfeito.
Mas era vivo.
Hoje anda-se pelo centro e sente-se o vazio.
Ruas paradas. Portas fechadas. Casas abandonadas.
Negócios a fechar como se fosse normal.
E isso preocupa.
O maior problema de Ovar é simples: não estamos a criar riqueza no concelho.
Sem grandes empresas, sem indústria forte, sem investimento a sério, uma cidade começa a definhar.
Devagar, quase sem se dar conta até ser tarde.
Temos terrenos.
Temos localização.
Temos pessoas que sabem trabalhar.
Então porque não chamar empresas grandes para cá?
Porque não oferecer terrenos, condições claras, processos rápidos?
Porque não criar emprego que fixe pessoas, famílias, jovens?
Outro problema grave é a habitação.
Casas velhas, devolutas, prédios ao abandono.
Isto não é só feio.
Isto mata a cidade por dentro.
O abandono espalha-se.
Uma casa puxa outra. Depois a rua. Depois o bairro.
É como um bicho que vai crescendo enquanto toda a gente finge que não vê.
Aqui a Câmara tem de intervir.
Tem de exigir aos proprietários.
Tem de obrigar à reabilitação e ao cuidado.
Ovar é uma cidade.
Não pode transformar-se numa cidade fantasma.
E não, Ovar não pode viver só do Carnaval.
O Carnaval é identidade, é orgulho.
Mas dura alguns dias.
Uma cidade vive o ano inteiro.
E fora dessa altura, o centro fica cada vez mais parado.
Há pessoas em Ovar dispostas a ajudar.
Há comerciantes, empresários, gente no terreno que quer fazer parte da solução.
Não estamos aqui para criticar por criticar.
Mas isto não depende só de nós.
Depende da Câmara.
Depende da estratégia.
Depende de atrair investimento e criar riqueza.
Ovar já foi uma cidade viva.
Isso prova que não estamos condenados.
Mas fingir que está tudo bem é o caminho mais rápido para garantir que nada muda.
Ovar está doente.
E quem gosta desta terra tem de o dizer em voz alta.
Ricardo Marques (Comerciante in Redes Sociais) https://www.ovarnews.pt/ovar-esta-doente-por-ricardo-marques/
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