sexta-feira, agosto 25, 2006

Futebol: Caso Mateus
Tribunal Administrativo dá razão aos gilistas

No futebol português, não há dúvida que o que hoje é verdade, manhã é mentira e o contrário também é verdade. O Tribunal Administrativo de Lisboa deu hoje razão ao pedido do Gil Vicente e ordenou à Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) que recoloque os gilistas na primeira Liga, confirmou à Agência Lusa o presidente do clube de Barcelos.
De acordo com António Fiúza, "o tribunal reconfirmou a decisão divulgada quinta-feira para quem tinha dúvidas. Não era muito difícil perceber a decisão, mas as pessoas têm direito às suas dúvidas".
O dirigente acrescentou que, num processo de mais de 700 páginas, "havia muitas irregularidades e por isso o juiz não precisou de mais de 24 horas para decidir" a favor dos gilistas.
O "caso Mateus" diz respeito à utilização do internacional angolano pelo Gil Vicente na época 2005/06, quando o futebolista estava impedido por ter actuado com estatuto de amador, na época imediatamente anterior, ao serviço do Lixa.
Em causa está o recurso a tribunais civis por parte dos gilistas, segundo a decisão da Comissão Disciplinar (CD) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional no passado dia 01, que, assim, relegou o clube de Barcelos para a Liga de Honra e decretou a permanência do Belenenses no campeonato principal.

2 comentários:

camões poeta zarolho disse...

Cada vez mais, acredito que o futebol (a bola) em Portugal é mais importante que qualquer religião ou partido. Acredito mesmo que a bola é superior a tudo e são mais poderosos esses senhores (da bola) que qualquer deputado, ministro ou até Presidente da República ou Constituição desta mesma.

Claro que sempre poderão dizer que é assim em todo o lado (parece que em Itália descobriram que não) porque a legislação é emanada pela próprias FIFA que impede o recurso aos tribunais civis.
Assim sendo existiriam tribunais civis (para toda a gente); tribunais militares (para crimes essencialmente militares) e, os tribunais ...da bola!
Os tribunais militares confundem-se hoje, com os tribunais civis (logicamente porque ninguém pode ser julgado duas vezes pelo mesmo crime ou infracção), existem OS TRIBUNAIS ONDE SE FAZ JUSTIÇA, seja justiça familiar ou de parentesco, de cidadania, corporativismo, etc.
Claro que qualquer associação, grupo, clube, religião, partido ou associação ou empresa pode ter as suas normas internas e os seus próprios procedimentos disciplinares, mas, daí a proíbir que se possa recorrer aos TRIBUNAIS...
Só aceita ser "sócio" quem quer mas, até que ponto essa restrição é legal???
Até que ponto, um cidadão pode recusar de "livre-vontade" a possibilidade de recorrer à justiça para ser "sócio" de qualquer coisa?
Não estou mínimamente interessado ou preocupado em saber quem tem razão, seja o Gil Vicente, o Belenenses ou o Leixões, ou o Mateus ou o Zé qualquer coisa (Zézinho, porque jogador da bola tem sempre diminutivo ou alcunha)...
Qualquer cidadão tem direito a recorrer à justiça e mesmo que declare ou assine abdicar desse direito, a nulidade desse acto é evidente por ser nitidamente coacção.

Aínda ontem um militar (Major é posto da tropa não é?) se julgava superior à justiça e aos tribunais, hoje já falou de outro modo e sem "o rei na barriga". Mas também hoje, um outro "cromo" dirigente de um clube qualquer, terá dito que "andam a brincar com uma Indústria importante"...

Quem anda a brincar? Os tribunais? A justiça? A Lei? Ou os "cromos da bola"?

A bola é um espectáculo; é Desporto, é Profissão, é Sociedade Anónima, é Indústria, é até superior à LEI !
Eles pensavam que era assim!

Hoje não ouvi o senhor Major dizer de novo que até poderiam parar o campeonato. Campeonato que já não é BETANDWIN (a Lei não permitia) agora é BWIN, já é legal!!!

Prakistou disse...

Indústria ???!!!