quinta-feira, fevereiro 26, 2026



Novo método de diagnóstico para a infertilidade masculina em estudo na UA
Melhorar o diagnóstico da infertilidade masculina e permitir escolhas


terapêuticas mais ajustadas a cada casal é o objetivo do projeto


FERTI$CAN. Nas mãos da Universidade de Aveiro (UA), o projeto aposta


no desenvolvimento de um método inovador de base molecular que


pretende complementar os métodos convencionais atualmente utilizados


no diagnóstico da infertilidade masculina, uma condição que representa


cerca de metade dos casos de infertilidade, mas que continua a ser


menos estudada do que o fator feminino.

“O diagnóstico de infertilidade masculina baseia-se sobretudo na análise


básica de sémen, que avalia parâmetros como a concentração,


mobilidade e viabilidade dos espermatozoides. No entanto, em cerca de


30 por cento dos casos, estes exames apresentam resultados normais,


não sendo possível identificar a causa da infertilidade. É precisamente


neste grupo de situações de causa desconhecida que o FERTI$CAN


pretende intervir”, explica Joana Santiago, coordenadora do projeto,


docente do Departamento de Ciências Médicas e também investigadora


no Instituto de Biomedicina (iBiMED) da UA.

O principal objetivo do projeto passa pela identificação de um painel de


biomarcadores moleculares, como proteínas e ácidos ribonucleicos


(ARN), presentes no interior dos espermatozoides e diretamente


associados ao sucesso da fertilização. Estes biomarcadores permitem


avaliar, de forma mais precisa, a qualidade funcional dos


espermatozoides, indo além da observação morfológica atualmente


utilizada.

“Estes marcadores têm funções muito específicas nos espermatozoides.


A sua ausência, presença em níveis reduzidos ou excesso pode


comprometer etapas essenciais da fertilização, como a digestão da zona


pelúcida do oócito, impedindo que a gravidez ocorra”, sublinha a


investigadora do FERTI$CAN, projeto que conta com a participação de


Margarida Fardilha e Teresa Herdeiro, investigadoras do iBiMED, de


Pedro Corda, estudante do Programa Doutoral em Biomedicina (UA) e de


Vanessa Bowen, estudante do Mestrado em Bioquímica (UC).

Ao fornecer informação detalhada sobre a capacidade real de


fecundação, o método que está a ser desenvolvido na UA poderá auxiliar


o diagnóstico da infertilidade masculina, bem como orientar a escolha da


técnica de Procriação Medicamente Assistida mais adequada, reduzindo


o tempo, o número de tratamentos e o impacto emocional para os casais.


“Se soubermos que uma proteína essencial à fertilização está ausente


nos espermatozoides de um indivíduo, conseguimos prever que a


gravidez natural será improvável, permitindo encaminhar o casal para


uma técnica como a fertilização in vitro, com maior probabilidade de


sucesso”, acrescenta Joana Santiago.

Apesar do seu potencial impacto clínico, o projeto encontra-se ainda


numa fase inicial. Para que o teste possa chegar ao mercado, será


necessária uma validação clínica alargada e o cumprimento de um


rigoroso processo regulatório. “Ainda serão necessários vários anos até


que este método possa ser utilizado na prática clínica”, refere Joana


Santiago.

Para além da UA, o projeto FERTI$CAN conta com a colaboração dos


serviços de Urologia e Ginecologia/Obstetrícia da Unidade Local de


Saúde da Região Aveiro (ULSRA) e da Unidade de Medicina da


Reprodução da ULS Gaia/Espinho, representados pelos médicos António


Patrício (Urologista na ULSRA), Sandra Lemos e Sara Rocha, ambas


ginecologistas na ULSRA, e pelas embriologistas Ilda Pires e Madalena


Cabral (ULSGE). https://www.ovarnews.pt/novo-metodo-de-diagnostico-para-a-infertilidade-masculina-em-estudo-na-ua/

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