sexta-feira, fevereiro 13, 2026

O Ministério da Administração Interna (MAI) é uma das pastas mais difíceis de qualquer Governo. Junta segurança pública, fronteiras, proteção civil, incêndios e tudo o que exige resposta imediata. É um lugar de pressão constante onde qualquer falha se transforma num problema político de escala nacional. Não é um cargo apetecível, mas sim um cargo que exige alguém preparado, com "unhas" e, acima de tudo, muita coragem. E é por isso que a escolha para o MAI não pode ser um prémio de consolação ou uma experiência política. Tem de recair em quem sabe, de facto, o que está a fazer.

Telmo Correia é essa pessoa.

Além da vasta experiência parlamentar acumulada ao longo de décadas, Telmo Correia é o atual Secretário de Estado da pasta. Ele não conhece os dossiês apenas "por alto", conhece-os por dentro. Sabe o que está em curso na reestruturação das forças de segurança, conhece as “armadilhas” da proteção civil e está perfeitamente alinhado com a estratégia política definida por Luís Montenegro.

Telmo não iria para o ministério para aprender onde ficam os gabinetes, mas sim para dar continuidade a um trabalho crítico que já acompanha no terreno. É alguém respeitado pelas chefias e tem a autoridade necessária para liderar um setor que não perdoa a inexperiência.

Mas a questão aqui não é apenas técnica, é profundamente política. E é aqui que esta escolha se torna um verdadeiro teste de liderança para o Primeiro-Ministro.

Entregar o Ministério da Administração Interna ao CDS é uma decisão de coragem. Seria Luís Montenegro a demonstrar que, quando está em causa a segurança do país, a competência é o mais importante.

É evidente que uma nomeação destas vai incomodar as "tropas" do partido.

Haverá sempre quem queira o lugar de ministro como troféu pessoal e quem ache que dar uma segunda pasta de soberania ao CDS é “ceder demasiado” e que o CDS “não vale assim tanto”. Mas governar não é gerir estados de alma de aparelhos nem distribuir fatias de poder por quotas de filiação. Governar é escolher o melhor para o país, mesmo quando isso mexe com as sensibilidades dos Resumindo, o MAI tem de ser entregue a alguém que saiba o que está a fazer desde o primeiro minuto, que tenha mão firme para negociar, capacidade de liderança e autoridade política. Portugal não precisa de mais um ministro a prazo ou, com todo o respeito, magistrados ou académicos a testar teorias. Precisa de alguém que conheça o terreno, que tenha estofo político e que não trema perante a pressão. Telmo Correia reúne as condições que poucos, neste momento, podem oferecer. Se o Governo quer estabilidade e autoridade na Administração Interna, tem de ter a ousadia de escolher quem está pronto.

Rui Pires da Silva

ruipiresdasilva@sapo.pt https://www.ovarnews.pt/telmo-correia-e-a-unica-escolha-logica-por-rui-pires-da-silva/

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