

Festival abre com Manifesto que será reinterpretado por jovem realizador feirense
Entre 21 e 23 de maio, o Imaginarius – Festival de Artes Performativas em Espaço Público traz um novo ritmo à cidade de Santa Maria da Feira, que suspende rotinas para acolher diferentes linguagens artísticas e novas formas de ocupação de ruas, praças e diferentes espaços urbanos.
Ao longo de três dias, o centro histórico vai receber 42 companhias e mais de 200 artistas de 16 países, que darão corpo a 39 espetáculos de teatro, dança, música, arte popular, artes digitais e performance, cinco em estreia absoluta e 23 em estreia nacional, num total de 125 apresentações de acesso gratuito.
A abertura do festival, agendada para quinta-feira, 21 de maio, às 18h00, junto à Casa do Moinho, será marcada pela partilha do Manifesto Imaginarius e pela sua reinterpretação pelo realizador feirense Guilherme Henriques, um dos nomes mais relevantes da videografia contemporânea ligada à música extrema e alternativa, e que faz parte da chamada “Geração Imaginarius”.
Há 25 anos que o Imaginarius se afirma como um espaço de descoberta, relação e transformação através da arte em espaço público. Longe do conforto ou do consenso, o festival tem vindo a aproximar a criação artística da vida quotidiana, ativando o território como lugar vivido, atravessado por encontros, tensões e diversidade.
Num tempo marcado pela aceleração, vigilância e fragmentação social, o festival escolhe continuar a imaginar, assumindo a arte como prática de resistência, pensamento crítico e possibilidade de reconfigurar a forma como habitamos e partilhamos o espaço comum.
Nesta edição, que celebra 25 anos de festival, o Imaginarius atravessa todo o centro histórico da cidade e vive-a por inteiro, questionando em permanência, deixando mais perguntas do que respostas.
Exemplo disso é o espetáculo Mirage (un jour de fête), da Cie. Dyptik, onde não existe um centro fixo nem uma única direção possível. O público circula entre dança e movimento, numa criação atravessada por referências da região do Levante (Líbano, Palestina, Síria e Jordânia), onde a memória e a ideia de resistir em comunidade atravessam o espaço público.
Já ADN, Odyssée Verticale, da companhia francesa Transe Express, suspende músicos e performers a dezenas de metros de altura, transformando o céu num plano cénico sobre a cidade.
Em sentido oposto, THAW, dos australianos Legs On The Wall, acompanha lentamente a dissolução do gelo e a resistência do corpo ao tempo e à duração.
O Correfoc, trazido às ruas pelos catalães Diables del Barri Gòtic em diálogo com o Fórum Ambiente e Cidadania, devolve intensidade às ruas do centro histórico através do fogo, do ruído e da ocupação contínua do espaço público.
A programação do festival integra ainda a conferência “Imaginar: cultura, coexistência e cidade num mundo instável”, no dia 23 de maio, às 14h30, no auditório da Biblioteca Municipal, que terá como orador o urbanista e pensador Charles Landry. Mais do que discutir programação cultural ou eventos, esta conversa propõe uma reflexão sobre a capacidade das cidades criarem relações, identidade e formas de convivência.
O programa completo do festival está disponível em www.imaginarius.pt.
https://www.ovarnews.pt/feira-suspende-rotinas-para-tres-dias-de-imaginarius/























