quarta-feira, agosto 19, 2026



Velejador Serafim Gonçalves vence 39.º Troféu General Gabeiras
O velejador Serafim Gonçalves, na classe Ilca 6, venceu o 39.º Troféu General Gabeiras, que se disputou no último fim de semana na localidade galega de Ferrol, uma organização do Clube Náutico de Ares. O experiente praticante português, da Náutica Desportiva Ovarense (NADO), ganhou três das cinco regatas realizadas. O forte vento na região obrigou a organização a cancelar uma das regatas planeadas.

Na última semana, Serafim Gonçalves tinha ganho o Cruzeiro da Ria, prova de dois sentidos (Aveiro-Ovar-Aveiro), um evento tradicional da competição nacional que contou com a participação de velejadores a Náutica Desportiva Ovarense, Sport Clube do Porto, Clube de Vela da Costa Nova, Fluvial Vilacondense, Beira-Mar Náutica e União Vilafranquense.

Serafim Gonçalves é um dos mais experientes e titulados velejadores portugueses na classe ILCA (antiga classe Laser). Com uma carreira de várias décadas ligada aos desportos náuticos, destaca-se como uma figura de topo no panorama da vela nacional e internacional, especialmente na categoria de veteranos (Masters).

Esta vitória internacional reforça o excelente momento de forma do atleta que continua a competir ao mais alto nível técnico, sendo uma referência de longevidade, resiliência e paixão pela vela em Portugal. https://www.ovarnews.pt/velejador-serafim-goncalves-vence-39-o-trofeu-general-gabeiras/

terça-feira, agosto 18, 2026

O voleibol brasileiro está em ebulição e numa enorme discussão depois da federação ter acatado a determinação de impedir a participação de mulheres trans nas competições.

Ler artigo aqui. https://www.ovarnews.pt/tifanny-ex-esmoriz-reage-a-veto-a-atletas-trans-e-um-enorme-retrocesso/
 

A Câmara Municipal da Murtosa anunciou que edição de 2026 do Concurso de Jogos Florais,  terá como tema “Um Século de História, Um Futuro Para Contar!”.

O concurso abrange as categorias de pintura, conto e poesia.

Na modalidade de poesia, os trabalhos submetidos não poderão ultrapassar 10 páginas em formato A4, enquanto na modalidade de conto o limite será de 30 páginas, também em A4.

Serão atribuídos os seguintes prémios para cada uma das categorias:


1.º Prémio – 787,62 €


2.º Prémio – 591,23 €


3.º Prémio – 395,83 €

O concurso está aberto a todos os residentes em Portugal com idade igual ou superior a 16 anos.


As obras deverão ser enviadas por correio (via CTT) para a Câmara Municipal da Murtosa, até ao dia 30 de novembro de 2026.

A ficha de inscrição e o regulamento do concurso estão disponíveis na Coordenação Cultural do Município e também no site: https://www.cm-murtosa.pt/p/jogosflorais

UM SÉCULO DE HISTÓRIA, UM FUTURO PARA CONTAR!

No ano em que celebramos o Centenário do Município da Murtosa, os Jogos Florais convidam toda a comunidade a dar voz às memórias, tradições, vivências e sonhos que fazem parte da identidade murtoseira, através da escrita, pintura e fotografia.

Ao longo de 100 anos, a Murtosa construiu uma história singular, marcada pela ligação à Ria de Aveiro, pela arte da construção naval, pela pesca, pela agricultura, pelos seus costumes, pelas suas gentes trabalhadoras e pelo forte espírito comunitário que atravessa gerações.

Mais do que recordar o passado, este concurso pretende inspirar a reflexão sobre o presente e o futuro do nosso concelho, valorizando as raízes que nos unem e o património material e imaterial que herdámos e temos a responsabilidade de preservar.

Porque cada história conta e cada voz ajuda a escrever a Murtosa de ontem, de hoje e de amanhã, o Município da Murtosa desafia os criadores a participarem no Concurso de Jogos Florais e no Prémio de Fotografia da Murtosa 2026, apresentando trabalhos sobre o tema "Um século de história, um futuro para contar!"

Foto: TCP

  https://www.ovarnews.pt/murtosa-lanca-tema-do-concurso-de-jogos-florais-2026/


Cortegaça: Chef Rúben Pinho transforma o croquete em projeto de vida
Chef vareiro criou a RUMA – Croqueteria Gastronómica, um projeto que nasceu da vontade de dar uma nova vida a um dos clássicos da gastronomia portuguesa.


Há mais de uma década que Rúben Pinho encontrou na cozinha a sua profissão, mas foi preciso sair de Portugal para descobrir uma das ideias que viria a transformar num projeto próprio. Natural de Ovar, o chef passou por diferentes cozinhas, em Portugal e no estrangeiro, antes de regressar com uma certeza: queria elevar um clássico da gastronomia portuguesa e dar-lhe uma identidade própria.


Assim nasceu a RUMA – Croqueteria Gastronómica, uma marca dedicada aos croquetes feitos à mão, com recurso a produtos e sabores da região.


O percurso de Rúben Pinho começou em 2009, na restauração, onde trabalhou como empregado de mesa até 2016. Nesse ano mudou-se para Barcelona e foi aí que deu uma nova direção à carreira, entrando no mundo da cozinha. Dois anos depois regressou a Portugal para estudar na Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, onde concluiu o curso de Gestão e Produção de Cozinha em 2019.


Foi, no entanto, a experiência em Barcelona que deixou uma das marcas mais fortes no seu percurso.


Numa cidade onde as croquetas fazem parte da cultura gastronómica, Rúben descobriu uma nova forma de olhar para aquele produto. Percebeu que um croquete podia ser muito mais do que um simples petisco e que, através da técnica e da criatividade, era possível transformar um clássico numa experiência gastronómica.


Regressou a Portugal com uma ideia definida: respeitar a essência do croquete, mas acrescentar criatividade, identidade e ingredientes de qualidade.


"O conceito RUMA – Croqueteria Gastronómica nasceu no Festival Vagos Sensation Gourmet, na praia da Vagueira, onde em anos anteriores já estive como chef convidado para showcokings e jantares", explica o chef natural de Cortegaça, Ovar.


O próprio nome encerra parte da história do projeto. RUMA resulta da união de Rúben e Mariana, mas remete também para a ideia de "rumar", seguir em frente. Uma escolha que traduz a vontade de avançar com um sonho e transformá-lo num projeto concreto.

Do croquete de batata doce e polvo à cozinha de memória


A proposta da RUMA assenta em duas características aparentemente simples, mas que Rúben procura levar a sério: crocância por fora e cremosidade por dentro. A partir daí, surgem combinações que procuram valorizar ingredientes e sabores próximos da identidade gastronómica portuguesa.


Um dos exemplos foi apresentado na Feira da Batata, onde, a convite do chef Tony Martins, Rúben participou num showcooking e apresentou um croquete de batata-doce e polvo.


A criatividade também tem marcado outras participações do chef em eventos gastronómicos. No 'Ferro & Fogo by LITUR', por exemplo, levou uma feijoada de línguas e sames de bacalhau, numa proposta assente na valorização de ingredientes tradicionalmente menos utilizados.


Cozinhada lentamente, a receita procurou juntar memória e técnica, numa abordagem que se aproxima daquilo que define a cozinha de Rúben Pinho: respeito pelo produto, ligação à tradição e vontade de experimentar.


Foi também no Ferro & Fogo que a RUMA apresentou pela primeira vez o seu conceito de croqueteria, levando para o evento uma seleção de croquetes pensados para mostrar como um produto associado à gastronomia de conforto pode ganhar novas interpretações. Estará presente na edição deste ano do Ferro e Fogo, no dia 18 de Setembro.

Um projeto com raízes em Ovar


Apesar das experiências acumuladas fora de Portugal e da passagem por diferentes cozinhas, Rúben Pinho mantém uma forte ligação à sua terra e aos produtos da região.


É essa ligação que procura transportar para a RUMA, onde cada receita é pensada para combinar técnica e criatividade com sabores que fazem parte da gastronomia portuguesa.

"Cada croquete que servimos é o reflexo desse percurso, das aprendizagens e da paixão que colocamos em cada receita", resume o chef.

A RUMA apresenta-se, assim, não apenas como um projeto de restauração, mas como o resultado de um percurso profissional iniciado há mais de dez anos e de uma ideia amadurecida entre diferentes cozinhas e experiências.


O objetivo está definido: dar um novo lugar a um dos grandes clássicos da gastronomia portuguesa, sem lhe retirar a identidade. Em breve estará de regresso a "casa" para mostrar a RUMA na Festa em honra da Senhora da Nazaré, na Praia de Cortegaça.


E a assinatura da marca resume a proposta em três palavras: croquete, crocante, cremoso. https://www.ovarnews.pt/cortegaca-chef-ruben-pinho-transforma-o-croquete-em-projeto-de-vida/
De 25 a 27 de setembro, Santa Maria da Feira acolhe a primeira edição do Miolo – Festival da Literatura e do Pensamento, que vai reunir na Biblioteca Municipal escritores, investigadores, artistas e cientistas, nacionais e internacionais, cruzando diferentes áreas do conhecimento em torno de uma reflexão profunda sobre criação e circulação de pensamento contemporâneo num mundo em transformação.


O Município de Santa Maria da Feira, que já trouxe à Biblioteca Municipal personalidades de relevo da cultura mundial, como Salman Rushdie, Roberto Saviano, Eduardo Lourenço, António Di Pietro, Vasco Graça Moura, José Saramago, Bernard Henri-Lévy e Fernando Savater, propõe-se recuperar este espaço de reflexão e pensamento, agora alargado a novas áreas do saber, reunindo nomes consagrados e emergentes da literatura, ciência, artes e investigação.


Paulo Marcelo, vereador da Cultura, esclarece que o Miolo parte da literatura e do livro, mas não é um festival centrado na promoção dos livros ou de autores. “Interessa-nos aquilo que a literatura permite abrir: ideias, perguntas, inquietações e diferentes formas de interpretar o mundo”. O próprio nome do festival, explica o autarca, “remete para esse lugar interior e essencial, para aquilo que sustenta e dá sentido.”


Do cartaz da primeira edição constam nomes internacionais como a urbanista e promotora cultural norueguesa Anne Beate Hovind, a escritora espanhola Clara Usón e o designer e ilustrador Isidro Ferrer da mesma nacionalidade. O advogado e ex-governante Adolfo Mesquita Nunes, e os escritores Gonçalo M. Tavares e Joana Bértholo são algumas presenças nacionais já confirmadas, mas há outros nomes a anunciar brevemente. O programa integra conferências, conversas, exposições, apresentações de livros e espetáculos em diferentes espaços da biblioteca, todos de acesso gratuito, mediante reserva prévia a partir de 2 de setembro.


Sob o mote “Do interior do livro ao interior do pensamento”, os três dias do Miolo serão organizados em três movimentos: “Dar forma” (25 de setembro), centrado no design e nos processos criativos para explorar a origem das ideias; “Pensar” (26 de setembro), focado no diálogo entre filosofia, ciência, história e política, criando um espaço para questionar, compreender e debater alguns dos temas que marcam o nosso tempo; e “Narrar” (27 de setembro), um espaço que abraça a literatura como um dos lugares privilegiados para compreender o mundo.


“A literatura mantém-se como base e como ponto de partida, mas o festival procura estabelecer relações com outras áreas do conhecimento. Queremos que cada encontro possa acrescentar uma ideia, provocar uma pergunta ou oferecer uma nova forma de olhar para aquilo que acontece à nossa volta”, reforça o titular da pasta da Cultura.


A identidade visual do festival e o cartaz da primeira edição do Miolo são da autoria de Isidro Ferrer, um dos mais influentes criadores visuais do panorama gráfico espanhol contemporâneo, que marcará presença no festival enquanto orador de uma conferência sobre design e autor de uma exposição que percorre as diferentes dimensões do seu trabalho.


A imagem gráfica da primeira edição do Miolo nasce de um objeto escultórico criado pelo próprio artista: um relógio de pedra que não mede as horas, mas retém-nas; que não avança nem retrocede; que não badala, mas perdura. Como se o tempo, cansado de correr, tivesse decidido habitar no seu interior. https://www.ovarnews.pt/santa-maria-da-feira-lanca-miolo-o-festival-que-reune-escritores-investigadores-cientistas-e-artistas/


Arouca: Incêndio descontrolado mantém três frentes ativas e mobiliza centenas de operacionais
O incêndio florestal que deflagrou na noite desta segunda-feira, em Bouceguedim, na freguesia de Moldes, concelho de Arouca, mantinha esta terça-feira, pelas 15h30, três frentes ativas, mobilizando centenas de operacionais e dezenas de meios de combate.

As chamas começaram cerca das 21h50 e obrigaram, durante a madrugada, a uma especial vigilância junto às povoações de Bouceguedim, Cando e Rio de Frades, numa altura em que a evolução do fogo exigia particular atenção das forças de emergência.


Reforço de meios


Perante a intensidade do incêndio, a presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém, anunciou um reforço significativo dos meios no teatro de operações, com a chegada de mais 100 operacionais, 30 veículos, dois aviões médios e dois helicópteros pesados.

A autarca apontou para um total previsto de 279 operacionais, 95 veículos e seis meios aéreos envolvidos no combate.

Os números, contudo, divergiam dos dados apresentados pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).A esta hora, a plataforma da autoridade indicava 407 operacionais, 123 viaturas e nove aeronaves.

Fonte oficial da autarquia explicou que a diferença resulta da forma como são contabilizados os meios. Segundo a Câmara, os números disponibilizados pela ANEPC podem incluir recursos que já foram convocados, mas que ainda não chegaram efetivamente ao teatro de operações.


407 operacionais


123 viaturas


9 meios aéreos


População sem perigo imediato


Apesar da dimensão e complexidade da ocorrência, Margarida Belém garantiu que, naquele momento, não havia aldeias em perigo.

“Estamos a acompanhar desde o primeiro momento o evoluir deste incêndio, em estreita articulação com os demais agentes de Proteção Civil, empenhando todos os meios necessários no combate às chamas”, afirmou a presidente da Câmara de Arouca.

A autarca deixou ainda um apelo à população para que mantenha a calma e adote uma atitude cooperante, evitando comportamentos de risco.

O combate ao incêndio decorre num contexto meteorológico particularmente adverso. Nove distritos, entre os quais Aveiro, encontram-se sob aviso laranja devido à previsão de tempo quente. A situação abrange também Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda e Coimbra.

As condições meteorológicas, associadas às elevadas temperaturas, dificultam o trabalho das equipas no terreno e obrigam a uma atenção redobrada à evolução das várias frentes do incêndio. https://www.ovarnews.pt/arouca-incendio-descontrolado-mantem-tres-frentes-ativas-e-mobiliza-centenas-de-operacionais/


Carnaval de Ovar 2030: em vez de o tornarmos mais pequeno, porque não temos coragem de o tornar ainda maior? - Por Paulo Santos
Nos últimos dias muito se tem falado sobre a possibilidade de alterar a forma como termina o Carnaval de Ovar, deixando de realizar nos moldes habituais a cerimónia pública onde são conhecidos os resultados e entregues os prémios.

Já dei a minha opinião sobre isso e continuo a achar que seria um passo na direção errada.

Mas toda esta discussão acabou por me levar a pensar numa questão muito maior.

Em vez de discutirmos como tornar mais pequena e fechada a última noite do Carnaval, porque não discutimos como tornar ainda maior o próprio Carnaval de Ovar?

 Talvez seja essa a discussão que verdadeiramente vale a pena fazer.

O desafio não deveria ser descobrir onde esconder a contestação.

Deveria ser construir um Carnaval tão bem organizado, tão transparente e tão extraordinário que cada vez existissem menos razões para contestar a organização.

E não escrevo isto por achar que o Carnaval de Ovar está mal.

Muito pelo contrário.

Ovar tem hoje uma estrutura sólida, grupos e Escolas de Samba que têm evoluído enormemente, milhares de participantes, um público fiel e uma festa com uma identidade que levou décadas a construir.

Há muita coisa que se faz bem.

Mas reconhecer isso não significa achar que chegámos ao destino.

Quem tem a ambição de ser uma referência deve ser precisamente quem mais se questiona sobre aquilo que ainda pode fazer melhor.

E talvez nos últimos anos nos tenhamos habituado demasiado a uma expressão: “O melhor Carnaval de Portugal.”

 Gostamos de a dizer, faz parte da forma como promovemos e sentimos o nosso Carnaval.

Mas eu gostava de colocar a questão de outra maneira: O que falta fazer para que não sejamos nós a precisar de dizê-lo?

É daí que nasce esta reflexão. Não pretendo apresentar um programa eleitoral, nem tenho obviamente todas as respostas.

São ideias, algumas relativamente simples, outras mais ambiciosas.

Algumas poderiam começar a ser aplicadas praticamente amanhã. Outras exigiriam investimento, planeamento e vários anos para concretizar.

E certamente haverá quem discorde de algumas delas.

Ainda bem.

Porque também é assim que um Carnaval evolui: discutindo ideias, ouvindo quem participa, quem organiza e quem está do outro lado das grades a assistir.

Por isso, em vez de pensarmos apenas no Carnaval de 2027 ou 2028, proponho um exercício diferente.

Olhemos um pouco mais longe.

Se pudéssemos escolher, que Carnaval de Ovar gostaríamos de ter em 2030?

Eu começaria por estas dez ideias.

 

- Criar definitivamente a Avenida do Carnaval

 A Avenida Dr. Francisco Sá Carneiro é, e deve continuar a ser, a grande avenida do Carnaval de Ovar.

Mas está na altura de a infraestrutura acompanhar a dimensão que o próprio Carnaval atingiu.

O separador central restante, com árvores e outros obstáculos, condiciona a largura útil do desfile, limita as possibilidades das alegorias, dificulta a colocação de mais bancadas e prejudica a visibilidade.

Há muito que esta questão é apontada e talvez tenha chegado finalmente o momento de a resolver de forma definitiva.

O Carnaval cresceu, as alegorias evoluíram, as bancadas aumentaram e as exigências do próprio espetáculo são hoje muito diferentes das de outros tempos.

A avenida também precisa de acompanhar essa evolução.

E eu iria mais longe do que simplesmente retirar o separador.

A próxima intervenção deveria pensar a Sá Carneiro como uma avenida que serve normalmente a cidade durante o ano, mas que está estruturalmente preparada para se transformar no grande palco do Carnaval: pavimento, eletricidade, iluminação, implantação das bancadas, circulação, acessibilidade, zonas técnicas e atravessamentos.

Durante muitos anos fomos adaptando o Carnaval à avenida.

Talvez tenha chegado a altura de adaptar a avenida ao Carnaval.

- 100% bancada: “No Carnaval de Ovar, todos têm lugar”

Aqui deixo uma ambição que pode parecer ousada, mas que, olhando para a estrutura que Ovar já tem, talvez não seja assim tão difícil de alcançar: Fazer do Carnaval de Ovar o primeiro em que 100% do público pagante do Grande Corso assiste em bancada.

 Ovar já tem bancadas na grande maioria do percurso. Falta completar aquilo que, na prática, já é o modelo dominante da avenida.

E isso permitiria acabar progressivamente com uma realidade que considero difícil de justificar: pagar um bilhete para passar várias horas de pé e, dependendo do local onde se consegue ficar, nem sequer ter garantidas boas condições de visibilidade.

Quem chega primeiro encosta-se à frente, atrás formam-se duas, três, quatro filas e quem fica mais atrás passa muitas vezes o desfile a tentar encontrar um espaço entre cabeças para conseguir ver.

Se queremos elevar a experiência do público, podemos fazer melhor.

Nas atuais zonas de peão poderiam ser instaladas bancadas populares, de banco corrido e sem lugar marcado, com maior capacidade e um preço mais acessível.

Ao mesmo tempo, manter-se-iam as atuais bancadas com cadeira e lugar marcado para quem prefere esse conforto.

Ou seja, não estou a defender tornar o Carnaval mais caro.

Estou a defender precisamente o contrário: dar melhores condições e tentar torná-lo mais acessível.

Estarreja já oferece diferentes modalidades para assistir ao desfile, incluindo banco corrido sem lugar marcado e a preços inferiores aos praticados atualmente em Ovar.

Porque não estudar também esse caminho?

Uma bancada popular na ordem dos 8 ou 9 euros e bancadas marcadas a preços mais competitivos são valores que, naturalmente, teriam de ser estudados à luz dos custos e da capacidade.

Mas vale a pena fazer as contas.

Porque existe uma questão que não deve ser ignorada: mais lugares a um preço inferior podem significar mais público e não necessariamente menos receita.

Se as bancadas de Ovar já têm uma procura enorme e frequentemente esgotam, porque não aumentar essa capacidade?

E depois há uma realidade que às vezes esquecemos quando falamos do preço de um bilhete: as famílias não compram um bilhete.

Compram três, quatro ou cinco.

Uma diferença de 3 ou 4 euros parece pequena quando olhamos para uma entrada individual. Multiplicada por uma família inteira, já pode determinar a escolha entre Ovar e outro Carnaval.

E isso também acontece com excursões.

Não devemos aceitar que alguém possa preferir outro Carnaval não porque considera o espetáculo melhor, mas simplesmente porque consegue levar a família inteira por muito menos dinheiro.

Se Ovar acredita que tem um dos melhores produtos carnavalescos do país, então deve também procurar torná-lo acessível ao maior número possível de pessoas.

E aqui poderíamos criar algo que fosse simultaneamente uma política de bilhética, uma melhoria da experiência e até uma imagem de marca:

NO CARNAVAL DE OVAR, TODOS TÊM LUGAR.

Um lugar para se sentar, um lugar de onde consiga ver.

E um preço que permita que cada vez mais pessoas possam estar lá.

- Não precisamos apenas de luz. Precisamos de melhor luz.

Há outro aspeto que, para quem acompanha regularmente os desfiles  e principalmente para quem fotografa ou filma  é difícil não notar: a iluminação da avenida continua longe de acompanhar a qualidade que o espetáculo atingiu.

E aqui é importante ser justo.

Não é verdade que o desfile dependa apenas da iluminação pública existente. A organização instala geradores e vários projetores LED ao longo do percurso, nomeadamente nas zonas das bancadas.

Portanto, existe equipamento. Existe investimento. O problema está no resultado.

A iluminação é pouco uniforme, há zonas claramente mais escuras do que outras e nem sempre a orientação e distribuição da luz valorizam devidamente quem está a desfilar.

Durante os Grandes Corsos isso começa a tornar-se particularmente evidente à medida que a tarde termina e passam os últimos grupos.

Mas é no desfile noturno das Escolas de Samba que o problema mais se evidencia.

Estamos a falar de quatro escolas que passam meses a trabalhar fantasias, cores, brilhos, maquilhagem, adereços e alegorias para apresentarem tudo numa única noite.

Essa noite merece melhores condições.

E não é apenas uma questão de conforto para quem está na bancada.

É uma questão de valorização artística.

Uma fantasia pode ter um trabalho extraordinário de cor e brilho, mas precisa de luz para ser vista. Uma maquilhagem pode ter horas de trabalho, mas precisa de luz para ser apreciada. Uma alegoria pode estar carregada de pormenores, mas esses pormenores desaparecem se a iluminação não os revelar.

Há ainda outra dimensão que hoje não pode ser ignorada: a imagem que sai do Carnaval de Ovar para fora de Ovar.

Fotografias, vídeos, imprensa, televisão e redes sociais prolongam o Carnaval muito para além daqueles dias.

Uma fotografia extraordinária de uma Escola de Samba pode circular durante anos. Um vídeo pode chegar a milhares de pessoas que nunca estiveram em Ovar.

E quem fotografa atualmente o desfile noturno sabe que acaba muitas vezes condicionado a determinados locais simplesmente porque são aqueles onde existe alguma luz aproveitável. Mesmo junto às zonas destinadas à comunicação social, as condições estão longe de ser ideais.

Por isso, não acho que a solução seja simplesmente comprar mais projetores ou instalar mais potência.

Ovar precisa de um verdadeiro plano de iluminação para os seus desfiles.

Uma iluminação pensada por profissionais que percebam deste tipo de espetáculo e que olhem para todo o percurso: onde falta luz, onde existe luz a mais ou mal direcionada, onde se criam sombras e, principalmente, como garantir uma iluminação mais uniforme que valorize quem está a desfilar e permita melhores condições para fotografia e vídeo.

E depois há uma coisa que me parece essencial: testar tudo à noite antes do Carnaval, já com as bancadas e restantes estruturas montadas.

Acendem-se os projetores. Percorre-se a avenida. Fotografa-se. Filma-se. Vê-se onde está mal. E corrige-se.

Não parece nada de extraordinário. Mas provavelmente faria uma enorme diferença no resultado final.

E no percurso mais curto utilizado pelas Escolas de Samba  e que nesta Visão 2030 também poderia receber a futura Noite da Passerelle eu seria ainda mais exigente.

Essa zona podia tornar-se verdadeiramente o grande palco noturno do Carnaval de Ovar, com uma iluminação preparada especificamente para valorizar aquilo que ali acontece.

Sexta-feira, Passerelle.

Sábado, Escolas de Samba.

O mesmo investimento serviria duas noites consecutivas e dois espetáculos onde a componente visual é fundamental.

Porque uma coisa é ter luz suficiente para vermos quem passa.

Outra completamente diferente é ter luz capaz de mostrar tudo aquilo que quem passa trabalhou durante meses para nos apresentar.

Não basta iluminar a avenida. É preciso iluminar o espetáculo.

- A avenida é o palco. Durante o desfile, respeite-se quem lá está.

Há situações que nos habituámos a ver no Carnaval de Ovar, mas que não devíamos continuar a considerar normais.

Uma delas é ter público a atravessar a avenida enquanto um grupo ou uma Escola de Samba está a desfilar.

E na noite das Escolas de Samba isto torna-se ainda mais evidente.

Está uma escola em plena apresentação e, pelo meio, aparecem pessoas a atravessar a avenida, algumas tranquilamente com copos na mão, como se aquilo não fosse parte de um espetáculo.

Não faz sentido.

Às vezes parece que nos esquecemos de uma coisa básica: aquilo é um espetáculo.

Se estivéssemos perante um palco, ninguém acharia normal ver pessoas estranhas à atuação atravessarem-se entre os artistas enquanto estes estão a atuar.

Na avenida deveria aplicar-se exatamente o mesmo princípio.

Durante aqueles minutos, aquele é o palco dos grupos e das escolas.

Há coreografias, representações, música, carros alegóricos, fantasias e meses de trabalho a serem apresentados  e além disso, avaliados. Não faz sentido que, no meio de tudo isto, circulem pessoas que nada têm a ver com o desfile.

Quem está na avenida passou meses a preparar aquele momento, está a apresentar-se perante milhares de pessoas e merece encontrar o percurso livre para o fazer.

E quem está nas bancadas também pagou para assistir ao espetáculo, não para ver pessoas a atravessarem-se à frente de quem desfila.

Isto não significa impedir o público de circular de um lado para o outro.

Significa simplesmente organizar essa circulação.

Criem-se corredores próprios junto às bancadas e definam-se pontos específicos de atravessamento da avenida, devidamente controlados.

Entre dois grupos, quando houver condições, deixa-se atravessar.

Quando um grupo se aproxima, fecha-se a passagem.

E volta a abrir-se assim que passar.

Não estamos a inventar nada de extraordinário.


É uma questão de organização e, sobretudo, de tratar a avenida durante aqueles momentos como aquilo que realmente é: o palco do Carnaval de Ovar.

E aqui podemos olhar para Estarreja, onde existe uma separação mais eficaz entre a circulação do público e o espaço do desfile.

Se funciona, não vejo qualquer problema em olhar para aquilo que fazem bem e adaptar a solução à realidade de Ovar.

Porque isto não é apenas uma questão de imagem.

É também respeito por quem desfila, respeito por quem pagou para assistir e segurança para todos.

A regra deveria ser muito simples: Há espaço e momento para o público atravessar. Mas quando chega o Carnaval, a avenida pertence a quem está a desfilar.

-


O relógio deve organizar o desfile, não mandar no Carnaval

Organizar um desfile com esta dimensão, com dezenas de grupos, carros alegóricos e milhares de participantes, obriga naturalmente a ter regras e tempos.

Os checkpoints ao longo do percurso têm uma função importante: ajudam a manter o desfile organizado, evitam grandes distâncias entre grupos e permitem que o espetáculo mantenha um ritmo constante.

O problema não são os checkpoints.

O problema começa quando a preocupação em chegar ao próximo ponto dentro do tempo previsto se torna mais importante do que aquilo que acontece pelo caminho.

Se um grupo perde alguns minutos numa parte do percurso, sabe que terá de os recuperar mais à frente.

E então acelera.

Depois de tantos anos a desfilar desta forma, esta preocupação com o cronómetro já está de tal maneira presente que acaba inevitavelmente por influenciar a própria forma como os grupos pensam e preparam as suas apresentações.

E é aqui que, na minha opinião, estamos a perder alguma coisa.

O Carnaval de Ovar sempre teve uma característica que o tornava especial: a brincadeira entre os grupos e o público.

Não era apenas passar pela avenida para mostrar uma fantasia e um carro.

Havia verdadeira interação com quem estava a assistir.


Parava-se, brincava-se, metia-se o público na própria representação e criavam-se momentos que muitas vezes eram completamente imprevisíveis.

Tenho saudades, por exemplo, dos Vampiros, dos seus grandes carros e da forma como tantas vezes aproveitavam aquilo que levavam para a avenida para brincar com o público. Iam buscar pessoas, envolviam-nas nas brincadeiras e arrancavam gargalhadas a miúdos e graúdos.

E os Vampiros são apenas um exemplo.

Muitos outros grupos fizeram, e continuam a fazer, da interação com o público uma parte da identidade dos Grupos Carnavalescos de Ovar.

É precisamente essa espontaneidade que tenho receio que estejamos, aos poucos, a perder.

Porque brincar demora tempo.

Parar demora tempo.

Ir buscar alguém ao público demora tempo.

Desenvolver uma representação demora tempo.

E quando temos constantemente na cabeça que é preciso chegar ao próximo checkpoint dentro daquela janela, a tendência natural é simplificar, avançar e não arriscar perder minutos.

Aos poucos podemos estar a transformar aquilo que era também uma brincadeira com o público numa apresentação cada vez mais formatada.

E acho que devemos parar e pensar se é isso que queremos.

Não estou a defender acabar com os tempos.

Não estou a defender acabar com os checkpoints.

Muito menos estou a defender regressar a desfiles intermináveis.

Estou a defender que se encontre novamente um equilíbrio.

Talvez seja possível introduzir alguma tolerância nos checkpoints.

Talvez alguns minutos adicionais no tempo total façam diferença.

Talvez se possa distinguir melhor aquilo que é um atraso provocado por desorganização daquilo que é tempo utilizado pelo grupo para fazer espetáculo e interagir com o público.

E esta discussão deve ser feita principalmente com quem conhece melhor essa realidade: os próprios grupos e escolas que percorrem a avenida.

Organizar melhor o desfile foi uma evolução importante.

Só não podemos deixar que essa organização retire precisamente algumas das características que fizeram do Carnaval de Ovar aquilo que ele é.

O cronómetro é necessário.

Mas não pode tornar-se o protagonista.

Porque, se para ganharmos alguns minutos no final do desfile tivermos de perder a brincadeira pelo caminho:

talvez estejamos a ganhar minutos mas estamos a perder o Carnaval.

- Sexta-feira: porque não uma noite só para a Passerelle?

Nem todas as ideias para melhorar o Carnaval têm de nascer de alguma coisa que esteja mal.

Algumas podem nascer precisamente daquilo que cresceu e evoluiu muito.

E, para mim, os Grupos de Passerelle são um desses casos.

Quem acompanha o Carnaval de Ovar ao longo dos anos percebe facilmente a evolução que esta categoria teve.

As fantasias estão cada vez mais trabalhadas, as coreografias ganharam muita importância, os carros evoluíram e existe hoje uma preocupação muito maior com toda a apresentação.

Bailarinos de Válega, Barulhentas, Joanas do Arco da Velha, Levados do Diabo, Melindrosas e Palhacinhas atingiram um nível que, na minha opinião, já justifica perguntar:

Não estará na altura de lhes dar uma noite só para eles?

A sexta-feira podia tornar-se a Noite da Passerelle do Carnaval de Ovar.

Grande parte da infraestrutura necessária já estaria montada para o fim de semana: bancadas, iluminação, barreiras, zonas de circulação, bilheteiras e toda a envolvente do Carnaval.

E no dia seguinte aquele espaço receberia as Escolas de Samba.

Porque não aproveitar na sexta-feira o mesmo percurso mais curto, com cerca de 550 metros, e entregá-lo aos seis Grupos de Passerelle?

Mas há aqui uma condição que considero fundamental.

Não seria simplesmente pegar na apresentação do Grande Corso e fazê-la passar também na sexta-feira.

Se lhes vamos dar uma noite, então temos de lhes dar verdadeiramente uma noite para brilharem.

Mais tempo para cada grupo.

Mais liberdade para desenvolver a coreografia.

Mais espaço para representação.

Mais possibilidades de explorar a música, as fantasias e os carros alegóricos.

Sem aquela pressão permanente de ter dezenas de grupos atrás à espera de avançar.

Que cada Passerelle possa pensar a sua apresentação sabendo que, naquela noite, o público está ali especificamente para os ver.

E isso também pode ter um efeito interessante dentro dos próprios grupos.

Quando se cria um palco maior, também se lança um desafio maior.

Talvez daqui pudesse nascer uma nova evolução da categoria.

Naturalmente, isto não significaria retirar os Passerelle do Grande Corso.

Continuariam a desfilar normalmente no domingo e na terça-feira.

A sexta-feira seria algo adicional.

Mais um espetáculo.

Mais uma noite de Carnaval.

E também aqui a política de preços seria importante.

Se estamos a criar uma noite nova, acho que faria sentido começar com um preço bastante acessível, precisamente para incentivar as pessoas a experimentarem.

E poder-se-ia estudar algo que considero particularmente interessante:

Pack Passerelle + Escolas de Samba = cerca de 10 euros.

Sexta-feira, Passerelle.

Sábado, Escolas de Samba.

Duas noites consecutivas de espetáculo por um preço capaz de trazer ainda mais gente à avenida.

E há também uma lógica de aproveitamento do investimento.

Uma iluminação noturna melhor, como defendi no ponto anterior, deixaria de servir apenas a noite das Escolas de Samba. https://www.ovarnews.pt/carnaval-de-ovar-2030-em-vez-de-o-tornarmos-mais-pequeno-porque-nao-temos-coragem-de-o-tornar-ainda-maior-por-paulo-santos/

segunda-feira, agosto 17, 2026



Finalmente alguém olhou para a Rua dos Ferroviários
Rua dos Ferroviários: finalmente os serviços autárquicos assumiram a sua responsabilidade na manutenção de segurança no espaço público aos munícipes e fregueses que ali circulam entre a estação da CP e o Parque da Cidade de Ovar.

Um arruamento de acesso igualmente aos Escuteiros e aos moradores a poente, já que, no velho e abandonado bairro operário, das cerca de meia dúzia de casas, só uma ainda tem residentes.

Um conjunto de casas antigas com portas e janelas entaipadas, que curiosamente vão escapando ao lobo de compra de casas antigas, para, após umas obras de remodelação, serem de imediato colocadas á venda ou para oferta do alojamento local.

José Lopes - texto e foto https://www.ovarnews.pt/finalmente-alguem-olhou-para-a-rua-dos-ferroviarios/
A Comissão de Festas em Honra de Nossa Senhora do Amparo, em Válega, integrou, um desfile etnográfico na programação dos festejos, que se revelou uma mostra viva de trajes, usos e costumes caídos em desuso ou mesmo extintas..

Assim, este domingo, as ruas de Válega encheram-se, uma vez mais, de história e tradição perante o olhar de centenas de pessoas que assistiram a uma primorosa recriação de episódios da vida quotidiana do mundo rural português (e vareiro) dos séculos XIX e XX.

Fotos de Nélson Gomes

 

 

  https://www.ovarnews.pt/desfile-etnografico-reviveu-a-valega-de-outros-tempos-2/


Esmoriz: Puzzle solidário pode dar uma moto Yamaha XSR700 única
Construtores custom de Esmoriz lançaram um sorteio solidário que permite ganhar a moto criada para o Yamaha Yard Built 2020. Dez por cento do valor angariado reverte para a Associação Salvador.


Uma Yamaha XSR700 única, construída à mão em Esmoriz pela RuaMachines, pode agora chegar às mãos de um dos participantes de um sorteio com uma componente solidária.


Os construtores custom de Esmoriz estão a promover um curioso puzzle solidário, no qual cada peça adquirida corresponde a um número para o sorteio da moto. Cada peça custa cinco euros e 10% do valor angariado será destinado à Associação Salvador.


A iniciativa tem como prémio uma das criações mais especiais da RuaMachines: a Yamaha XSR700 desenvolvida para o projeto Yamaha Yard Built 2020.


Desenhada e construída integralmente à mão pela equipa de Esmoriz, a moto foi inspirada nas Yamaha dos anos 60 e representou Portugal no Yamaha Yard Built, destacando-se entre as vencedoras do projeto.


Por ser uma construção única, a iniciativa permite agora que um participante possa ficar com uma peça exclusiva da história da RuaMachines.

Mais peças, mais possibilidades


Para participar, basta adquirir uma ou mais peças do puzzle. Cada peça corresponde a um número no sorteio, pelo que a compra de várias peças aumenta as possibilidades de ganhar.


O pagamento pode ser efetuado através de Viva Wallet, MB WAY ou cartão. Depois da compra, é enviado de imediato um email de confirmação, enquanto o número correspondente à participação é remetido por email num prazo aproximado de 24 horas.


O processamento dos números é feito em lote, de forma a garantir que não existem números repetidos entre os participantes.


O sorteio será realizado quando forem vendidas as 5.000 peças que compõem o puzzle.


Além da possibilidade de ganhar uma moto exclusiva, a iniciativa permite ainda apoiar uma causa social, com 10% de todo o valor angariado a reverter para a Associação Salvador.


As participações podem ser feitas através da página oficial do sorteio da RuaMachines. https://www.ovarnews.pt/esmoriz-puzzle-solidario-pode-dar-uma-moto-yamaha-xsr700-unica/


Manutenção na rede no Município de Estarreja obriga à suspensão temporária do abastecimento na Freguesia de Pardilhó
Para prosseguir com trabalhos de manutenção da rede de abastecimento é necessário intervir na Freguesia de Pardilhó.


Esta intervenção obriga a uma suspensão do abastecimento de água no dia 21/08/2026 entre as 09:00h e as 12:00h, nos seguintes locais e arruamentos:


Rua da Inovação Industrial - Ecoparque - Lado Sul.


Para consultar as intervenções no seu município, ligue 808 200 217* e escolha a opção 2, ou então aceda ao site da AdRA, onde as intervenções e ocorrências estão disponíveis e em permanente atualização: AdRA: Informações na Hora

*Cobrado apenas o 1º minuto - custo de chamada para a rede fixa nacional https://www.ovarnews.pt/manutencao-na-rede-no-municipio-de-estarreja-obriga-a-suspensao-temporaria-do-abastecimento-na-freguesia-de-pardilho/


O Olho de Hórus: uma tatuagem com 5.000 anos de História - Por Paulo Freitas do Aamaral
O verão é também a época em que mais facilmente reparamos nas tatuagens que cobrem a pele, quando os braços, as pernas, os ombros e as costas deixam de estar escondidos pela roupa e revelam símbolos escolhidos por pessoas de todas as idades. Entre esses desenhos, há um que continua a despertar particular curiosidade: o Olho de Hórus, uma imagem que muitos associam hoje à protecção, ao conhecimento ou ao mistério, mas cuja verdadeira história nos leva milhares de anos para trás, até ao coração da civilização egípcia.

Para um historiador dos símbolos, o Olho de Hórus é particularmente interessante porque não pode ser reduzido a uma única definição. Os símbolos não são palavras de um dicionário, com um significado imutável que atravessa os séculos sem sofrer alterações. Pelo contrário, são construções culturais que acumulam sentidos, respondem às sociedades que os utilizam e podem ser reinterpretados quando passam de uma época para outra. O Olho de Hórus é precisamente um desses casos extraordinários em que uma imagem criada num contexto religioso muito específico conseguiu sobreviver durante milhares de anos, atravessando diferentes formas de conhecimento e chegando ao século XXI gravada na pele de quem talvez desconheça grande parte da sua história.

O seu nome está ligado a Hórus, uma das principais divindades do antigo Egipto, frequentemente representado sob a forma de um falcão ou de um homem com cabeça de falcão. Hórus estava associado ao céu e à realeza e assumia uma importância particular na própria concepção egípcia do poder, estando a figura do faraó profundamente relacionada com a dimensão divina da sua existência. O seu mito, porém, não pode ser separado de Osíris, Ísis e Seth, formando uma das narrativas fundamentais da religião egípcia.

Osíris, associado à fertilidade, à morte e à regeneração, foi morto por Seth, seu irmão e adversário, num conflito que simbolizava também a oposição entre ordem e caos. Ísis procurou recuperar o corpo de Osíris e Hórus, filho de ambos, acabaria por enfrentar Seth numa longa disputa pelo poder e pela legitimidade. É durante esse conflito que surge um dos episódios fundamentais para compreender o Olho de Hórus: Hórus perde um dos olhos, que posteriormente é recuperado e restaurado.

É aqui que o símbolo ganha uma profundidade que muitas das suas utilizações contemporâneas acabam por ignorar. O olho não representa apenas a visão. Representa uma coisa que foi ferida e voltou a estar completa, uma perda que foi reparada, uma integridade que regressou depois da destruição. O símbolo contém, portanto, uma ideia de regeneração que se encontra no próprio centro da religião egípcia e que ajuda a explicar a sua utilização como elemento protector.

Os Egípcios chamavam a este olho restaurado wedjat, termo habitualmente traduzido como “inteiro”, “completo” ou “restaurado”. A palavra é importante porque nos recorda que estamos perante algo mais complexo do que uma simples representação anatómica. O olho tornou-se uma imagem de integridade e protecção, sendo utilizado em amuletos e colocado em contextos relacionados com a vida e com a morte. O seu poder simbólico resultava precisamente daquilo que representava: se o olho de Hórus podia ser destruído e depois restaurado, também o indivíduo podia aspirar à protecção e à continuidade para além da experiência da morte.

Não é por acaso que o Olho de Hórus aparece associado ao universo funerário egípcio. Os amuletos tinham uma função essencial na cultura material do antigo Egipto e não devem ser confundidos com simples objectos ornamentais. Eram elementos dotados de significado religioso e protector, destinados a acompanhar o indivíduo e a assegurar determinadas condições de protecção no mundo dos vivos ou na passagem para o além. O Olho de Hórus, enquanto símbolo de restauração, encaixava de forma particularmente poderosa nessa concepção.

Existe ainda uma característica do símbolo que merece atenção: o seu desenho não é um simples olho humano estilizado. As suas linhas, a sobrancelha, a zona inferior e os elementos que prolongam o contorno possuem uma linguagem própria, inserida na tradição iconográfica egípcia. A arte egípcia não procurava simplesmente reproduzir aquilo que os olhos humanos viam. Organizava imagens segundo convenções que permitiam transmitir ideias religiosas, políticas e cosmológicas. Por isso, interpretar um símbolo egípcio exige sempre mais do que reconhecer a sua aparência.

Esta é uma das razões pelas quais a História dos símbolos é tão fascinante. Uma imagem pode parecer evidente aos nossos olhos modernos e, no entanto, ter sido criada para comunicar ideias que já não fazem parte da nossa cultura. O risco está em projectarmos sobre o passado os significados que hoje atribuímos às imagens. Quando vemos o Olho de Hórus numa tatuagem contemporânea e pensamos imediatamente em protecção, espiritualidade ou conhecimento, estamos já perante uma interpretação moderna, ainda que exista uma relação histórica com algumas dessas ideias.

A própria relação do Olho de Hórus com a matemática tornou-se uma das histórias mais divulgadas sobre o símbolo. Segundo uma interpretação tradicional, as diferentes partes do olho estariam associadas às fracções (1/2), (1/4), (1/8), (1/16), (1/32) e (1/64), correspondendo às diferentes componentes do sistema de representação fraccionária egípcio. Esta associação tornou-se extremamente popular, sobretudo em explicações modernas sobre a cultura egípcia, embora seja necessário algum cuidado histórico: não existe consenso para afirmar de forma simplista que os Egípcios conceberam originalmente o desenho do Olho de Hórus como um sistema matemático de fracções. A tradição posterior estabeleceu uma relação entre essas partes e o sistema fraccionário, mas a realidade histórica é mais complexa.

E é precisamente esta distinção entre aquilo que sabemos, aquilo que interpretamos e aquilo que a tradição posterior construiu que deve interessar a quem estuda símbolos. Um símbolo não é apenas aquilo que os seus criadores quiseram dizer; é também aquilo que as gerações seguintes passaram a ver nele. Ao longo da História, as imagens são constantemente reinterpretadas e, muitas vezes, tornam-se maiores do que o contexto que lhes deu origem.

O Egipto antigo desapareceu enquanto civilização faraónica, os seus templos deixaram de funcionar segundo os cultos para os quais tinham sido construídos e durante séculos os próprios hieróglifos deixaram de ser compreendidos. No entanto, as imagens permaneceram. Estátuas, pinturas, amuletos e inscrições sobreviveram fisicamente ao desaparecimento das sociedades que os produziram e acabaram por despertar novamente a curiosidade de outras civilizações.

A redescoberta moderna do Egipto contribuiu decisivamente para essa sobrevivência simbólica. O interesse europeu pela Antiguidade egípcia ganhou força ao longo da época moderna e atingiu uma dimensão extraordinária entre os séculos XVIII e XIX, acompanhando as viagens, as expedições arqueológicas e o desenvolvimento da Egiptologia. A decifração dos hieróglifos por Jean-François Champollion, em 1822, abriu uma nova etapa no conhecimento científico da civilização egípcia e permitiu que muitos dos símbolos que durante séculos tinham sido observados sem compreensão começassem novamente a ser lidos dentro do seu contexto.


Mas o Egipto que chegou à cultura popular não foi exactamente o Egipto que os arqueólogos começaram a reconstruir. Ao lado da investigação científica desenvolveu-se um imaginário ocidental sobre múmias, faraós, templos secretos, magia, mistérios e conhecimentos perdidos, alimentado pela literatura, pelo cinema, pelo turismo e por diversas correntes esotéricas. O Olho de Hórus encontrou nesse ambiente uma nova vida, desligando-se progressivamente de algumas das suas funções originais e adquirindo novos significados.


É assim que chegamos à tatuagem contemporânea.

Quando alguém decide tatuar o Olho de Hórus, pode estar a procurar protecção, a representar uma ideia de renascimento, a homenagear a cultura egípcia, a identificar-se com uma determinada concepção espiritual ou simplesmente a escolher um símbolo cuja forma lhe parece poderosa e misteriosa. Não existe necessariamente uma única explicação para essa escolha. A tatuagem é, por natureza, uma forma de apropriação simbólica: cada pessoa retira uma imagem de uma tradição e incorpora-a na sua própria história.


Essa transformação não diminui o valor histórico do símbolo. Pelo contrário, demonstra a sua extraordinária capacidade de sobrevivência.

É importante também não confundir o Olho de Hórus com outros símbolos oculares que existem noutras tradições. O chamado “Olho que tudo vê”, frequentemente representado dentro de um triângulo, pertence a uma história iconográfica diferente e foi posteriormente associado a diferentes tradições religiosas, filosóficas e políticas. A semelhança visual entre símbolos não significa necessariamente identidade histórica. Para quem estuda simbologia, esta distinção é fundamental, porque uma das maiores armadilhas na interpretação dos símbolos consiste precisamente em juntar imagens diferentes apenas porque se parecem.

O mesmo acontece com a ideia contemporânea de que todos os símbolos egípcios representam “energia”, “consciência” ou “espiritualidade”. Essas interpretações podem fazer parte da cultura moderna, mas não devem ser confundidas com o significado que os símbolos possuíam no contexto histórico em que foram criados. A função do historiador é precisamente separar a tradição documentada da interpretação posterior, sem deixar de reconhecer que ambas fazem parte da biografia cultural de uma imagem.

O Olho de Hórus permite-nos, por isso, observar uma das grandes leis da História dos símbolos: um símbolo pode sobreviver mesmo quando o mundo que lhe deu origem desaparece. Pode mudar de religião, passar de um templo para um museu, de um amuleto para uma jóia, de uma página de um livro de Egiptologia para o desenho escolhido num estúdio de tatuagem e, em cada uma dessas etapas, adquirir novas camadas de significado.

Talvez seja essa a razão pela qual continua a exercer tanto fascínio. O Olho de Hórus não é apenas uma representação de um olho, nem apenas um símbolo de protecção, nem simplesmente uma referência ao antigo Egipto. É uma imagem de uma ideia que atravessa muitas culturas: a possibilidade de recuperar aquilo que foi perdido e de reconstruir aquilo que foi destruído.

Cinco mil anos depois, essa mensagem continua a ser suficientemente poderosa para alguém decidir gravá-la na própria pele.


E talvez seja essa a maior prova da força de um símbolo: quando a civilização que o criou já pertence à História, ele continua a fazer parte da nossa.

Paulo Freitas do Amaral


Professor, Historiador e Autor https://www.ovarnews.pt/o-olho-de-horus-uma-tatuagem-com-5-000-anos-de-historia-por-paulo-freitas-do-aamaral/


Manutenção na rede em Estarreja obriga à suspensão temporária do abastecimento na Freguesia de Beduído
Para prosseguir com trabalhos de manutenção da rede de abastecimento é necessário intervir na Freguesia de Beduído.


Esta intervenção obriga a uma suspensão do abastecimento de água no dia 21/08/2026 entre as 12:00h e as 17:00h, nos seguintes locais e arruamentos:


Rua Canto do Esteiro, Tv. Canto do Esteiro, Estrada do Molarinho.


 Para consultar as intervenções no seu município, ligue 808 200 217* e escolha a opção 2, ou então aceda ao site da AdRA, onde as intervenções e ocorrências estão disponíveis e em permanente atualização: AdRA: Informações na Hora

*Cobrado apenas o 1º minuto - custo de chamada para a rede fixa nacional https://www.ovarnews.pt/manutencao-na-rede-em-estarreja-obriga-a-suspensao-temporaria-do-abastecimento-na-freguesia-de-beduido/

domingo, agosto 16, 2026



AD Ovarense estreia-se a vencer no Campeonato de Portugal
A AD Ovarense Futebol venceu, esta tarde domingo, o Castro Daire, por 2-0, em jogo a contar para a 1.ª jornada do Campeonato de Portugal, Série B.

Os vareiros venceram, no Complexo Desportivo do adversário, com golos de Gonçalo Costa e Ivo Almeida.

Mais info aqui. https://www.ovarnews.pt/ad-ovarense-estreia-se-a-vencer-no-campeonato-de-portugal/


José de Oliveira Muge: O Homem, o Músico e a Alma Vareira - Por Rafael Gomes Amorim
Ovar despede-se de uma das suas figuras incontornáveis e com um impacto ímpar na sua cultura. José de Oliveira Muge deixou-nos aos 91 anos, mas o seu legado ecoará para sempre nas ruas da nossa cidade, nas melodias das Trupes de Reis e na memória coletiva de uma geração inteira de portugueses.

Para mim, o Conjunto de Oliveira Muge começou por ser, há muitos anos, o conjunto do José Muge e do Policarpo Costa. Mais tarde, tive o privilégio de ser amigo e biógrafo, dedicando-me a documentar a epopeia destes músicos entre 2011 e 2023.

Eles são um pedaço vivo da nossa história coletiva, e o José Muge foi, indiscutivelmente, o grande pilar dessa odisseia.

Homem de princípios férreos e de uma retidão imutável, o José Muge sempre pautou a sua vida por uma ética muito própria, onde a arte e o ensino se elevavam acima de qualquer conjuntura política.

Demonstrou isso de forma cabal nos anos conturbados da descolonização. Nessa época, entre outras funções, era professor de iniciação musical num colégio em Vila Pery, cargo que colocou à disposição com a independência, consciente de que as prioridades do novo país poderiam ser outras.

Contava – me que as novas autoridades moçambicanas mantiveram um enorme respeito por ele e pelo conjunto, convidando-os frequentemente para atuar e a pedir para que os mesmos se tornassem o Conjunto das Forças Armadas.

A resposta do José Muge foi um reflexo puro do seu carácter, pois recusou com firmeza e educação, argumentando que se nunca tinham vestido uma farda no tempo de Portugal, não seria agora que o iriam fazer. Para ele, "Mãe" havia só uma, e eles eram portugueses.

A sua postura era claríssima: a política não era chamada ao palco ou à sala de aula. Gostava de recordar um episódio dos anos 60, quando foram tocar ao baile de finalistas do Liceu de Quelimane onde se cruzou com o Zeca Afonso e ficou do seu lado quando este cantava os “Os Vampiros", mesmo temendo a intervenção da polícia política da altura. Felizmente tudo correu bem, mas o episódio ilustrava bem a sua visão de que o seu papel era levar alegria, recusando misturar a sua arte com fações.

A bússola moral de José Muge guiava-se por dois polos indestrutíveis: a sua profunda fé ligada à Igreja Católica e o amor incondicional à família. Quando partilhei a minha tristeza com a sua família, fi-lo com a certeza de que o sentimento que nos unia transcendia a simples amizade; era uma admiração pura por tudo o que o seu pai conseguiu alcançar ao longo da vida.

O José Muge nunca deixou de seguir os seus sonhos na música, mas fê-lo sempre assumindo, com total dedicação, a responsabilidade de ser pai e chefe de família.

A sua fé era o alicerce silencioso dessa retidão, refletindo-se na forma afável como tratava os outros e na dignidade com que encarava todos os desafios.

Para mim, o José Muge foi um exemplo constante de como equilibrar a vocação artística com a devoção absoluta aos que amamos. Vai deixar imensas saudades.

Musicalmente, o José Muge foi um visionário na nossa terra na década de cinquenta do século passado. Nascido em Ovar, herdou a propensão musical do pai, ensaiador de contradanças, e aprendeu guitarra com Luiz da Inácia, ligado às Trupes de Reis. Fundou o mítico Conjunto Oliveira Muge em finais da década de cinquenta e, em 1962, partiu para Moçambique. Depois de ter passado pelo piano e pelo acordeão, fixou-se no órgão elétrico quando a formação clássica estabilizou.

A gravação de "Mãe" nos estúdios da EMI, na África do Sul, transformou o conjunto num fenómeno. A canção tornou-se um hino de saudade para milhares de jovens portugueses na Guerra Colonial. O seu peso emocional era tão avassalador que o regime a considerou uma “canção perigosa”, limitando a sua difusão nas rádios. O impacto e a força intemporal desta obra levaram, décadas depois, o realizador Miguel Gomes a utilizá-la em filmes premiados como Aquele Querido Mês de Agosto e Tabu.

No regresso a Portugal, em finais de 1975, o José continuou a dar tudo de si à comunidade vareira. Dirigiu o Grupo Folclórico da Região de Ovar e criou, em 1983, "As Tricanas de Ovar" e abriu a loja “Mundo da Canção” que tantos de nos, adolescentes, por la passaram.

O Conjunto de Oliveira Muge nunca teve um fim oficialmente decretado, pois a profunda amizade entre os seus membros era o verdadeiro elo que os mantinha unidos. Hoje, essa união transcende a vida. Ovar fica mais pobre, mas o legado de José Muge viverá eternamente em cada acorde que ressoe na nossa terra.

 

Nota Final: Roteiro de Publicações

Para quem quiser acompanhar a fundo a verdadeira história do Conjunto Oliveira Muge, partilho o roteiro de investigação publicado ao longo dos últimos anos:

2020 | A História do Conjunto Oliveira Muge: Portugal, Ovar e Música (Revista Dunas Nº 20): A evolução da cena musical de Ovar nas décadas de 50 e 60, desde as primeiras formações de José de Oliveira Muge até à entrada decisiva do jovem vocalista Policarpo Costa.

2021 | A História do Conjunto Oliveira Muge: África, Moçambique, Vila Pery e Música (Revista Dunas Nº 21): A notável jornada musical do grupo em África nos anos 60, abordando o sucesso, os desafios e o impacto cultural além-fronteiras.

2022 | A Verdadeira História da "Mãe" no seu 60º Aniversário (1962 - 2022) (Revista Dunas Nº 22): O impacto cultural da canção, a sua utilização no cinema contemporâneo e a sua relevância para os soldados portugueses na guerra colonial.

2023 | Conjunto Oliveira Muge - A Afirmação, o Ocaso e o Regresso (Revista Dunas Nº 23): A trajetória completa: da afirmação mediática na Rodésia e Moçambique até ao ocaso e eventual regresso a Ovar.

Rafael Gomes Amorim - Natural de Ovar, licenciado e Doutor em direito pela Universidade de Vigo, é Conselheiro Técnico na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia. https://www.ovarnews.pt/jose-de-oliveira-muge-o-homem-o-musico-e-a-alma-vareira-por-rafael-gomes-amorim/


Todos os distritos de Portugal continental sob aviso amarelo devido ao calor
Todos os distritos de Portugal continental vão estar hoje sob aviso amarelo devido à previsão de temperaturas elevadas, mas também de trovoada, que pode ser acompanhada de aguaceiros fortes.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), os distritos de Bragança e Vila Real, no norte de Portugal continental, estão já de alerta, devido à “persistência de valores elevados da temperatura máxima”.

No caso dos distritos de Porto, Viana do Castelo, Braga (norte), Castelo Branco, Viseu, Guarda, Aveiro, Leiria, Coimbra, Santarém (centro), Lisboa, Setúbal, Beja, Évora e Portalegre (sul), o aviso amarelo devido às temperaturas altas irá entrar em vigor às 09:00. A noite de domingo será tórrida (acima de 25 ºC) em vários locais do país. Aliás, as únicas capitais de distrito abaixo desse valor deverão ser: Viana do Castelo (24 ºC), Bragança (22 ºC), Aveiro (23 ºC) e Faro (20 ºC). Lisboa, Santarém e Castelo Branco poderão contar com 28 ºC, pelas 23h.

Segunda-feira amanhecerá quente e esperam-se máximas entre os 26 ºC em Faro e os 40 ºC em Coimbra. Nas regiões Norte e Centro, vários locais poderão registar temperaturas muito próximas dos 40 ºC a nível local. https://www.ovarnews.pt/todos-os-distritos-de-portugal-continental-sob-aviso-amarelo-devido-ao-calor/

sábado, agosto 15, 2026



Válega: Fé e devoção na procissão em honra de Nossa Senhora do Amparo
As ruas do centro de Válega voltaram a receber, na tarde deste sábado, a majestosa procissão em honra de Nossa Senhora do Amparo, Padroeira da Freguesia.

Um cortejo que envolveu os vários movimentos da paróquia, numa corrente que juntou milhares de fiéis e à qual se associaram, uma vez mais, entidades civis e religiosas. Os tapetes feitos pelos valeguenses foram um espetáculo à parte a concentrar as atenções pela sua cor e beleza.


O momento religioso principal arrancou às 16h, com a missa solene em honra de Nossa Senhora do Amparo, presidida pelo padre Paulo Emanuel Matos. A celebração foi seguida da procissão, que contou com a participação da Banda de São João de Loure, da Fanfarra de Lourosa, dos andores das capelas e da igreja.


A noite será dedicada à música e ao entretenimento. Às 22h terá lugar um espetáculo de variedades com os artistas Bruna e Nuno Portugal, entre outros momentos de animação. O dia termina, à meia-noite, com um espetáculo pirotécnico.


No domingo, dia 16, as celebrações começam às 9h30 com uma missa em honra dos emigrantes. Às 17h, a tradição volta a assumir protagonismo com a realização de um cortejo etnográfico.


A noite será preenchida pela música da banda Os Solitários, que sobe ao palco pelas 22h.


As festas terminam na segunda-feira, dia 17. A partir das 21h30, a animação estará a cargo da banda Irmãos Leais. Mais tarde, pelas 23h, está prevista a entrada do finalista do programa "Got Talent Portugal", seguindo-se, à meia-noite e meia, um novo espetáculo pirotécnico para marcar o encerramento das festividades.


A Comissão de Festas deixa ainda um agradecimento à população, entidades, participantes e visitantes que contribuem para a realização das celebrações em honra de Nossa Senhora do Amparo.


Com uma programação que cruza a componente religiosa com a música, a tradição e o convívio popular, Válega volta assim a celebrar uma das suas principais festas de agosto. https://www.ovarnews.pt/valega-fe-e-devocao-na-procissao-em-honra-de-nossa-senhora-do-amparo/


Faleceu José Muge, figura incontornável da cultura musical vareira
José de Oliveira Muge faleceu este sábado, aos 92 anos. "É com profunda tristeza que comunicamos o falecimento do nosso querido pai, José de Oliveira Muge", anunciou a família esta manhã.

Músico e professor de Ovar, amplamente reconhecido como uma figura histórica da cultura musical vareira e pelo seu papel fundamental no tradicional Cantar os Reis de Ovar.

Nascido em Ovar, foi aqui que o "bichinho" da música surgiu, pois desde muito novo revelou uma queda, uma tendência natural para a música, herdada talvez de seu pai que era ensaiador de contradanças. Desde os 16 anos que fazia parte do Orfeão de Ovar e depois, com o seu irmão António e outros amigos, formou "Os Milionários do Ritmo".

Tocava piano, acordeão e guitarra. Integrou vários grupos locais como Os Milionários do Ritmo e Melodyovar. Em 1960, fundou a seguir o mítico Conjunto Oliveira Muge, em Ovar. 


Em 1962, viaja para Moçambique e, em 1966, grava "A Mãe", nos estúdios da EMI, em Joanesburgo (África do Sul), música que viria a tornar-se um hino informal e nostálgico dos soldados portugueses durante a Guerra Colonial na África Ocidental e Oriental. 

O tema tocou profundamente milhares de jovens que cumpriam o serviço militar longe de casa, gerando uma onda de emoção e saudade pelas suas famílias em Portugal. O regime político chegou a considerá-la uma "canção perigosa", limitando a sua passagem em certas estações de rádio, o que só aumentou a sua popularidade.

O impacto cultural desta canção foi tão marcante que serviu de inspiração para o realizador Miguel Gomes nos seus aclamados filmes cinematográficos portugueses "Aquele Querido Mês de Agosto" e "Tabu".

(em atualização)

José Muge estará na Capela de Santo António, em Ovar, amanhã, domingo, dia 16 de agosto, em câmara ardente, a partir das 17h00. As cerimónias fúnebres realizar-se-ão na segunda-feira, dia 17 de agosto, às 15 horas.

  https://www.ovarnews.pt/faleceu-jose-muge-figura-incontornavel-da-cultura-musical-vareira/

sexta-feira, agosto 14, 2026

O mês de agosto traz uma agenda recheada de propostas culturais e de animação na região de Ovar, Murtosa, Aveiro e Espinho. Entre concertos, festivais, sunsets, atividades ao ar livre e espetáculos, há várias opções para aproveitar os próximos dias de verão.

Ovar | FURA Festival 2026


O FURA Festival regressa a Ovar com uma programação musical diversificada e vários nomes da música portuguesa.

14 de agosto


Bárbara Tinoco sobe ao palco FURA, num concerto marcado para as 22h00.

15 de agosto


É a vez de David Fonseca, também às 22h00.

16 de agosto


O festival encerra a programação destacada com Fernando Daniel, às 22h00.


Os concertos realizam-se no Palco FURA, em Ovar, integrados na programação do festival promovido pelo Município.

São Jacinto | Festival DUNAS


Entre 21 e 23 de agosto, São Jacinto recebe mais uma edição do Festival DUNAS, que combina natureza, música e desporto.

21 de agosto


O primeiro dia conta com um showcase dos GNR, além de várias atividades destinadas às famílias.

22 de agosto


O programa inclui o Aveiro Air Show, a atuação de AGIR e música com DJ Rita Mendes.

23 de agosto


A programação prossegue com Aurea, Fly-In Dunas e Afro Brothers.


Ao longo dos três dias estão ainda previstas atividades familiares, incluindo propostas como Amore Circus, Enanociclos Mediterraneus e Red Chocolate.


O festival decorre em São Jacinto e apresenta-se como uma proposta que junta natureza, música e desporto.

Espinho | Escadas da Baía


Em Espinho, as Escadas da Baía apresentam uma programação musical que se prolonga até ao final de agosto. Os eventos decorrem entre 24 de julho e 29 de agosto, entre as 18h00 e as 21h00, com diferentes artistas e DJ.

Agosto


14 de agosto

- Vítor Costa Reggae + DJ + Inuri (Percussão)

15 de agosto

- DJ Tiago Cruz + DJ Residente + Joell (Percussão)

21 de agosto

- Tutti Medeiros + DJ + Ricardo Rodrigues (Sax)

22 de agosto

- Paulino Coelho RR + DJ + Fábio (Sax)

28 de agosto

- Tanto Bate Até Que Samba + DJ

29 de agosto

- Noble + DJ Danilo DKA + Inuri (Percussão)

A programação aposta numa combinação de música ao vivo, DJ, percussão e saxofone, tendo como cenário a zona da Baía de Espinho.

Murtosa | Sol da Torreira


Na Torreira, o programa Sol da Torreira – Música, Praia, Ria, Tradição prolonga a animação de verão até ao final de agosto.

Programa de agosto


15 de agosto

- Union Salsera

22 de agosto

- Bloody Sundays

29 de agosto

- Quinta do Bill + GMB

O cartaz inclui ainda vários outros concertos realizados ao longo de julho, com nomes como Bandaneia, Grupo Sound+, Nova Tendência e Anselmo Ralph.

Murtosa | Romaria de São Paio da Torreira


A programação prolonga-se para setembro com a Romaria de São Paio da Torreira, uma das iniciativas de maior tradição na região.

5 de setembro

- Revenge of 90s

6 de setembro

- Marisa Liz

7 de setembro

- TOY

8 de setembro

- Albatroz

A romaria encerra assim a programação apresentada no cartaz, juntando música e tradição num dos momentos mais aguardados do calendário festivo da Torreira.

Quatro destinos, várias propostas


Entre Ovar, São Jacinto, Espinho e Murtosa, a agenda de verão apresenta opções para diferentes públicos. Concertos de artistas nacionais, música ao vivo, DJ sets, atividades familiares, desporto e eventos ligados à natureza e às tradições locais marcam a programação das próximas semanas.


Para quem procura aproveitar o verão na região, há propostas praticamente todos os fins de semana, com destaque para os concertos do FURA Festival, o Festival DUNAS, a programação das Escadas da Baía e as noites de música na Torreira. https://www.ovarnews.pt/barbara-tinoco-sobe-ao-palco-fura-festival/


Artur Leite expõe
Há quem encontre na arte uma forma de dar vida às histórias, às memórias e, sobretudo, aos sonhos. É esse o espírito que marca a exposição "Criações de Madeira", de Artur Leite, patente até ao final deste mês na Junta de Freguesia de Válega, onde o artesão autodidata vareiro apresenta 25 dos trabalhos que foi criando ao longo dos anos.


A relação de Artur Leite com a criação artística começou de forma simples, com desenhos feitos à régua e caneta. "Cheguei a fazer recortes e depois avancei para a madeira", conta o artesão, que encontrou neste material uma nova forma de dar expressão às suas ideias.


Entre os trabalhos apresentados estão representações de referências arquitetónicas e históricas, como o Castelo da Feira e a Torre de Belém, peças que nasceram inicialmente como projetos pessoais e que, durante anos, foram ocupando espaço na sua própria casa.


"Tenho muitos e escolhi os melhores para esta exposição", explica Artur Leite.


Colaborador da Companhia de Teatro Contacto, o artesão aproveita esta mostra para prestar também uma homenagem a Manuel Ramos Costa, que chegou a conhecer o seu trabalho e o incentivou a mostrá-lo publicamente.


A exposição representa, por isso, um passo importante para Artur Leite, que, apesar de ser conhecido por ser uma pessoa tímida, decidiu aproveitar a oportunidade para retirar os trabalhos do espaço privado e partilhá-los com a comunidade.


O resultado são 25 peças que revelam um percurso construído de forma autodidata, entre desenhos, recortes e trabalhos em madeira, e que podem ser visitadas na Junta de Freguesia de Válega até ao final de agosto.


Mais do que uma exposição, a mostra é também o resultado de anos de dedicação de alguém que encontrou na arte uma forma de transformar ideias e histórias em peças concretas — e de finalmente deixar que outros conheçam aquilo que, durante muito tempo, esteve apenas confinado aos corredores de sua casa. https://www.ovarnews.pt/artur-leite-expoe-criacoes-em-madeira-em-valega-e-homenageia-manuel-ramos-costa/


Norte-americano Leo O’Boyle está a caminho da Ovarense
O extremo/poste norte-americano, Leo O’Boyle é novidade da próxima época a vestir as cores da AD Ovarense, adianta a Basquetebol Notícias.

O jogador esteve em destaque na última época ao serviço do LWD Basket, da primeira divisão dos Países Baixos. https://www.ovarnews.pt/norte-americano-leo-oboyle-esta-a-caminho-da-ovarense/


Grupos de Carnaval contestam eventual fim da cerimónia de encerramento em Ovar
Vários grupos e escolas de Carnaval de Ovar estão a manifestar preocupação perante a possibilidade de a habitual cerimónia de encerramento e entrega das classificações, realizada na noite de terça-feira de Carnaval, vir a ser substituída pela divulgação dos resultados online.


A posição surge depois de ter sido transmitido aos grupos que a Câmara Municipal de Ovar estaria a equacionar alterações ao modelo atualmente utilizado para anunciar as classificações e entregar os prémios. Perante essa possibilidade, um grupo de participantes decidiu auscultar os restantes grupos e escolas para perceber se existe uma posição comum sobre o futuro da cerimónia.


Numa carta dirigida aos restantes intervenientes no Carnaval, os autores defendem a manutenção de um momento presencial de encerramento, considerando que a cerimónia representa muito mais do que a divulgação das classificações.


"Para nós, aquele momento representa muito mais do que saber quem ficou em primeiro, segundo ou terceiro lugar. É o encerramento do Carnaval, o culminar de meses de trabalho e um momento em que grupos e escolas estão juntos para fechar mais um ano carnavalesco", pode ler-se na missiva.


Os grupos reconhecem que a cerimónia do último Carnaval ficou marcada por manifestações de desagrado e apupos, mas consideram que esses episódios não devem conduzir simplesmente ao fim do momento presencial.


"Se existem problemas ou aspetos a melhorar, devem ser enfrentados e devem ser procuradas soluções", defendem, admitindo a possibilidade de alterar o formato, a organização ou outros aspetos da cerimónia.


Na carta, os grupos questionam ainda os restantes participantes sobre a possibilidade de defenderem, em conjunto, a manutenção de uma cerimónia presencial de encerramento e entrega das classificações, ainda que com um formato diferente.

Câmara diz que não há decisão tomada


Contactada sobre o assunto, a Câmara Municipal de Ovar, enquanto entidade organizadora do Carnaval, esclareceu que não foi tomada qualquer decisão relativamente ao modelo a adotar em 2027.


"Na reunião de balanço do Carnaval de Ovar 2026 foram colocadas à discussão várias possibilidades de melhoria para a edição de 2027, entre as quais uma eventual alteração do modelo de divulgação das classificações e de entrega de prémios", explicou o município.


A autarquia sublinha, contudo, que se trata apenas de "uma hipótese em análise", entre outras, e que o processo está a ser desenvolvido "em articulação com os grupos de Carnaval e os serviços municipais".


"Não tendo sido tomada qualquer decisão para 2027", acrescenta a Câmara, qualquer solução que venha a ser definida será "publicamente comunicada" no momento adequado.


Assim, apesar da preocupação manifestada por alguns grupos e escolas, mantém-se em aberto o modelo que será adotado para o encerramento do Carnaval de Ovar em 2027. https://www.ovarnews.pt/grupos-de-carnaval-contestam-eventual-fim-da-cerimonia-de-encerramento-em-ovar/


Carlos Pinho, o trepador de Ovar que foi Rei da Montanha por duas vezes
Numa altura em que o pelotão da Volta anda pelo Norte, recordamos mais um ciclista vareiro. O ex-ciclista  Carlos Pinho nasceu em Ovar, no dia 30 de julho de 1970. Ficou conhecido no pelotão nacional como um excelente trepador e foi duas vezes rei da montanha na Volta a Portugal. 

O ciclista vareiro, que representou algumas das principais equipas portuguesas, com destaque para os melhores anos da Sicasal - chegou a participar na Vuelta e Giro -, encostou a bicicleta aos 39 anos, mas com alguma mágoa pelo modo como foi dispensado da Barbot-Siper, a sua última equipa. Carlos Pinho, o pequeno trepador do pelotão português - foi rei da montanha na Volta a Portugal por duas vezes.


"O que me deixou mais triste foi o ‘timing' escolhido para me dizerem que não contavam comigo, uma vez que, depois de quase 9 anos ao serviço da equipa, acho que não merecia ter sido um dos últimos a ser avisado da dispensa", frisou Pinho, citado pelo site "jornalciclismo.com".


O seu Momento de Glória foi vivido na Volta de 2006. Embora a etapa tenha sido vencida pelo búlgaro Krassimir Vasilev, Carlos Pinho acumulou tempo suficiente na frente para assumir a liderança da Classificação Geral Final. Subiu ao pódio no Fundão para vestir a tão desejada camisola amarela, gerando grande entusiasmo no pelotão português.

Infelizmente. a liderança durou apenas um dia. A tirada seguinte (15 de agosto) era a 10.ª etapa, um decisivo contrarrelógio individual de 39,6 quilómetros entre Idanha-a-Nova e Castelo Branco

Sendo um trepador puro e com dificuldades conhecidas no esforço individual contra o relógio, Carlos Pinho não conseguiu defender a vantagem face aos especialistas. O espanhol David Blanco venceu esse contrarrelógio e carimbou a vitória final na Volta a Portugal de 2006.

Apesar de ter perdido a amarela na véspera do pódio final em Castelo Branco, a prestação de Carlos Pinho nessa edição superou todas as expectativas: Terminou num excelente 8.º lugar da Classificação Geral, foi o segundo melhor ciclista da equipa Barbot-Halcon na geral, ficando imediatamente atrás do seu chefe de fila, o dinamarquês Claus Michael Møller (6.º classificado).

Ao longo de 18 anos de carreira, representou várias equipas portuguesas, venceu etapas na Volta ao Algarve (1992 e 1996). Terminou a carreira no final de 2009.

 


Principais Destaques na Volta a Portugal

Prémio da Montanha: Sagrou-se o "Rei da Montanha" em duas edições consecutivas, 1993 e 1994, ao serviço da mítica equipa Sicasal-Acral.


Classificação Geral: O seu melhor resultado final absoluto ocorreu em 2006, terminando na 8.ª posição da geral pela equipa Barbot-Halcon.


Camisola Amarela: Na Volta a Portugal de 2006, chegou a vestir a camisola amarela de líder da prova após a 9.ª etapa.


Resultados em Etapas: Alcançou um 3.º lugar numa etapa em 2001 e dois 4.os lugares em etapas (2000 e 2006). https://www.ovarnews.pt/carlos-pinho-o-trepador-de-ovar-que-foi-rei-da-montanha-por-duas-vezes/


Maceda: Despiste e capotamento de camião na A29
Um pesado de mercadorias despistou-se, embateu no separador central e capotou, na A29, em Ovar.

O camião que transportava cimento ficou tombado na via, na saída da A29 em Maceda.

Em atualização. https://www.ovarnews.pt/maceda-despiste-e-capotamento-de-camiao-na-a29/

quinta-feira, agosto 13, 2026

O Cancro do Pulmão é o cancro mais frequente e com maior mortalidade a nível mundial. Em


Portugal, em 2022, 6155 pessoas receberam este diagnóstico e ocorreram, por cancro do


pulmão, 5077 óbitos.


Divide-se em dois grandes “grupos”, o cancro do pulmão de não pequenas células que inclui o


adenocarcinoma, o carcinoma epidermoide, entre outros; e o cancro do pulmão de pequenas


células.

Quais são os sinais de alarme? Como prevenir e como tratar?


Numa fase inicial pode não causar sintomas ou gerar manifestações facilmente confundidas


com outras doenças. Os principais sinais de alarme são o aparecimento ou agravamento de


tosse, infeções respiratórias repetidas, sangue na expetoração, dor ao respirar ou tossir,


rouquidão, respiração ruidosa, falta de ar, aumento da sensação de cansaço após esforços,


perda de peso inexplicada, e dor no peito ou no ombro.

Porque é que é tão importante vencer os mitos e o estigma?


Ideias falsas como:


“só aparece em fumadores”,


“tenho tosse desde há 3 meses, mas não vou fazer exames, porque não é nada, nunca fumei...”,


“se houver doença os efeitos do tratamento são piores que os da doença”,


“as mulheres não têm cancro do pulmão”,


“não tenho cancro porque na minha família não há casos de cancro”,


“e se tiver cancro, pode ser de não ter cuidado da minha saúde? É melhor não saber...”


“há um rastreio de cancro do pulmão, mas não vale a pena ir... não há tratamento”,


atrasam o diagnóstico.

Ultrapassar os mitos – o caso de Maria


Maria, de 68 anos, não fumadora, notou tosse persistente. Não tinha história familiar de cancro


do pulmão. Recorreu ao médico. O estudo revelou: adenocarcinoma do pulmão em fase


precoce e foi operada. A cirurgia realizada removeu apenas um lobo do pulmão, pelo que


continua a respirar bem. Realizou tratamentos complementares incluindo um tratamento


dirigido a uma mutação presente no tumor, a mutação de EGFR. Tem boa qualidade de vida.


A sobrevivência expectável é superior a 7 em 10 anos aos 5 anos.


Não tinha fatores de risco.

Quais são os principais fatores de risco?


O tabagismo assume-se como o principal fator de risco para cancro do pulmão, e cerca de 80%


dos diagnósticos de cancro do pulmão poderiam ser evitáveis se controlássemos o tabagismo.


Assim, a evicção tabágica e a cessação tabágica são indispensáveis.


Contudo, é importante realçar que mesmo os não fumadores podem ter cancro do pulmão.

A exposição a substâncias como o radão e os asbestos e doenças pulmonares como a fibrose


pulmonar também aumentam o risco de cancro do pulmão.

Porque é tão importante detetar a doença numa fase precoce?


O diagnóstico numa fase precoce está associado a melhores resultados de sobrevivência. Numa


fase precoce (o chamado estadio IA) a sobrevivência aos 5 anos é mais de 5 vezes superior à


verificada na doença metastizada.


O tratamento da doença será influenciado pela localização do tumor, o tipo específico do


tumor, as características do doente, numa decisão multidisciplinar e partilhada entre o médico


e o doente.

Existe um exame de rastreio de cancro do pulmão?


Vários estudos, entre os quais se destacam o NSLT (National Lung Screening Trial) e o estudo


NELSON, que avaliaram 53.454 e 15.789 pessoas, respetivamente, demonstraram que o


rastreio com TAC (tomografia computorizada) pulmonar de baixa dose diminuía em mais de


20% a mortalidade por cancro do pulmão.

Há inovação no tratamento de cancro do pulmão?


A investigação continua com o maior conhecimento da biologia molecular e os ensaios clínicos


têm alterado de forma muito significativa a abordagem dos doentes com cancro do pulmão.


As terapêuticas alvo, a imunoterapia e os conjugados anticorpo fármaco trouxeram uma


melhoria da sobrevivência, com qualidade de vida.


Neste Dia Mundial do Cancro do Pulmão: escute o seu corpo sem medo e sem culpa. Recorra ao


Médico. Não normalize sintomas e não deixe que o estigma atrase um diagnóstico que pode


mudar o rumo da doença.

Fernanda Estevinho


Assistente Hospitalar Graduada de Oncologia Médica. Unidade Local de Saúde de


Matosinhos, Hospital Pedro Hispano https://www.ovarnews.pt/cancro-do-pulmao-o-diagnostico-comeca-quando-vencemos-mitos-e-estigma-dr-a-fernanda-estevinho/


Pais queixam-se das condições de treino do CD Furadouro. Clube põe mãos à obra
Os pais dos atletas das camadas jovens do Clube Desportivo Furadouro estão descontentes com as condições de treino que o clube oferece. "As condições do balneário são insuficientes, não têm água quente e chove lá dentro". Em nota enviada ao OvarNews, alguns dizem que "os pais procuram melhores condições  e os atletas estão a ir para A Ovarense e para o Válega".

O CD Furadouro mostra-se consciente das dificuldades e tem agendadas diversas iniciativas para angariar fundos, como sucedeu no sábado, dia 6, com a organização de um convívio, "o primeiro para começarmos a angariar fundos para fazermos umas casas de banho novas e dignas para os nossos e para quem nos visita". "Esta será a primeira obra, pois consideramos ser neste momento a mais emergente , de seguida arrancamos para os balneários.

Até final de Setembro, o clube lançou também uma campanha de recuperação e angariação de novos sócios. Tal poderá ser feito na sede do Clube Desportivo do Furadouro, na Feira da Gastronomia e nas Festas do Mar do Furadouro, onde o clube também estará presente ou através dos contactos que oportunamente serão disponibizados.

Entretanto, o CD Furadouro anunciou o arranque dos treinos/captações para a próxima terça-feira, dia 18 de Agosto, pelas 18h30. https://www.ovarnews.pt/pais-queixam-se-das-condicoes-de-treino-do-cd-furadouro-clube-poe-maos-a-obra/


José de Oliveira assina pintura do cartaz do S. Paio 2026
 

A pintura que servirá de base ao cartaz da Romaria de São Paio da Torreira 2026 é da autoria do conceituado pintor murtoseiro, José de Oliveira.

"A obra espelha o espírito festivo, a grandiosidade e o colorido de uma das maiores e mais afamadas romarias nacionais, mostrando um São Paio que vem “molhar os pés” nas águas da Ria", explica a Câmara da Murtosa.

A Romaria de São Paio da Torreira 2026 decorrerá de 4 a 8 de setembro e o programa final será tornado público em breve.

 

 

  https://www.ovarnews.pt/jose-de-oliveira-assina-pintura-do-cartaz-do-s-paio-2026/


Antigamente usávamos radiografias, negativos e vidros fumados para ver eclipses
Houve um tempo em que um eclipse do Sol era acontecimento suficiente para fazer parar uma rua, juntar uma família à janela ou levar uma multidão para a praça, para o campo ou para o largo da aldeia, porque havia qualquer coisa de extraordinário em ver a Lua passar diante do Sol e transformar, ainda que por breves instantes, a luz do dia numa espécie de crepúsculo inesperado. Hoje temos óculos próprios para eclipses, transmissões em direto, aplicações que indicam ao segundo o início e o fim do fenómeno e informação científica disponível no telemóvel, mas nem sempre foi assim.

Para quem viveu os eclipses do século XX, sobretudo os mais marcantes, a preparação podia ser bastante diferente. Havia quem guardasse uma radiografia antiga, quem procurasse um negativo fotográfico já revelado ou quem improvisasse um pedaço de vidro fumado para conseguir olhar para o Sol sem ser imediatamente obrigado a desviar os olhos. Eram soluções domésticas, transmitidas entre familiares, vizinhos e amigos, que faziam parte daquela cultura de improvisação tão característica de outras épocas.

A radiografia talvez seja a imagem que melhor ficou na memória de muitas pessoas. Uma chapa de raios X, depois de revelada, apresentava uma superfície suficientemente escura para que o Sol pudesse ser observado através dela, parecendo diminuir a intensidade da luz até se tornar suportável aos olhos. Para uma geração habituada a guardar radiografias antigas em casa, aquela película que normalmente servia para mostrar ossos e diagnosticar doenças podia ganhar, por ocasião de um eclipse, uma função completamente diferente.

Os negativos fotográficos desempenhavam um papel semelhante. Antes da fotografia digital, fotografar significava utilizar película, revelar o rolo e receber em casa, ou na loja de fotografia, os negativos e as fotografias. Os negativos muito escuros eram frequentemente aproveitados como uma espécie de filtro improvisado para observar o Sol. Em muitos casos, acreditava-se que quanto mais escuro fosse o material, maior seria a proteção, e não era raro ouvir a recomendação de colocar várias camadas umas sobre as outras.

Outra solução que atravessou gerações foi o vidro fumado. A técnica era simples e, precisamente por isso, parecia convincente: aproximava-se um vidro de uma chama para que a fuligem o escurecesse e, depois de arrefecer, utilizava-se esse vidro para tentar diminuir a intensidade da luz solar. O resultado podia parecer bastante eficaz, porque o Sol deixava de ferir imediatamente os olhos, mas a aparência escura do vidro não significava que ele filtrasse adequadamente todas as radiações perigosas.

Havia ainda outras soluções caseiras que hoje nos parecem curiosas. Películas fotográficas, vidros muito escuros, filtros improvisados e até materiais que tinham sido concebidos para outras utilizações eram por vezes apresentados como possíveis formas de observar o eclipse. Em épocas diferentes circularam também recomendações relacionadas com vidros de soldador, embora a proteção dependesse da graduação adequada e não de qualquer vidro utilizado para soldadura.

O problema é que aquilo que parecia funcionar não era necessariamente seguro. A investigação e a informação médica foram tornando cada vez mais claro que a retina podia sofrer lesões graves provocadas pela observação direta do Sol, mesmo quando a luz parecia suportável. O perigo está precisamente no facto de a retina não possuir os mesmos mecanismos de dor que nos fazem retirar imediatamente a mão quando tocamos numa superfície demasiado quente. Uma pessoa podia olhar para o Sol, sentir que conseguia suportar a luminosidade e só mais tarde perceber que tinha sofrido uma lesão ocular.

Por isso, aquilo que hoje recordamos com alguma nostalgia como uma prática antiga deixou entretanto de ser recomendado. Em Portugal, por ocasião do eclipse solar de 20 de março de 2015, as recomendações divulgadas pelo Ministério da Educação eram muito claras: não se deveria observar diretamente o Sol através de óculos escuros, vidros negros fumados, películas ou negativos fotográficos e radiografias. Como alternativa segura, era indicada, entre outras possibilidades, a projeção da imagem do Sol através de um pequeno orifício num cartão, sem olhar diretamente para o astro.

A memória desses métodos, contudo, permanece interessante porque mostra também a forma como o conhecimento científico foi entrando no quotidiano. Durante muito tempo, bastava que uma coisa parecesse suficientemente escura para que fosse considerada adequada à observação de um eclipse. Hoje sabemos que a proteção não depende simplesmente de reduzir a luminosidade que os nossos olhos percebem, mas de filtrar adequadamente a radiação solar que pode atingir a retina.

O eclipse de 12 de agosto de 2026, que é visível em Portugal como eclipse parcial e alcança a totalidade numa pequena faixa do nordeste transmontano, oferece uma oportunidade particularmente curiosa para recordar esses hábitos. A RTP assinalou que o último eclipse desta dimensão observado em Portugal ocorreu em 1912 e que o próximo só voltará a ocorrer em 2144, tornando o fenómeno deste ano especialmente importante para quem se interessa pela história da observação do céu em Portugal.

É provável que, entre aqueles que hoje vão procurar os óculos certificados para observar o eclipse, ainda existam pessoas que se recordam de outros tempos, quando uma radiografia retirada de uma gaveta, um negativo guardado de uma antiga máquina fotográfica ou um pedaço de vidro escurecido podiam transformar-se, por alguns minutos, naquilo que parecia ser o equipamento científico necessário para assistir a um dos espectáculos mais extraordinários da natureza.

A diferença entre ontem e hoje não está apenas nos materiais que utilizamos, mas naquilo que aprendemos sobre eles. As radiografias, os negativos e os vidros fumados pertencem à memória de uma época em que o conhecimento científico convivia com a improvisação doméstica. Hoje sabemos que esses métodos não oferecem proteção adequada e que a observação direta das fases parciais de um eclipse exige filtros solares próprios e certificados.

Talvez seja precisamente isso que torna esta recordação tão interessante: aqueles objetos que outrora eram procurados em casa para conseguir ver o eclipse fazem hoje parte da própria história dos eclipses, não porque fossem a forma correta de observar o Sol, mas porque contam uma pequena história sobre as pessoas, sobre a ciência e sobre a maneira como uma geração inteira aprendeu a olhar para o céu com os conhecimentos que tinha à sua disposição.

E talvez daqui a muitos anos alguém se lembre dos óculos de eclipse de 2026 da mesma forma que hoje nos lembramos das velhas radiografias e dos negativos fotográficos, perguntando como era possível que, perante um acontecimento tão extraordinário, uma família inteira se juntasse à janela e começasse a procurar numa gaveta qualquer coisa suficientemente escura para conseguir ver a Lua a passar diante do Sol.

 

 

 

 

Paulo Freitas do Amaral,


Professor, Historiador e Autor https://www.ovarnews.pt/antigamente-usavamos-radiografias-negativos-e-vidros-fumados-para-ver-eclipses/