domingo, agosto 02, 2026



Até quando sobreviverá Portugal na bandeira de Ceuta? - Por Paulo Freitas do Amaral
Ceuta voltou a ocupar as manchetes. A crise migratória, a pressão sobre uma das fronteiras externas da União Europeia e as tensões diplomáticas colocaram novamente aquela pequena cidade africana no centro da atualidade. Contudo, entre imagens de vedações, patrulhas e embarcações, há um pormenor que passa despercebido à esmagadora maioria dos portugueses. Sobre os edifícios oficiais de Ceuta continua a tremular uma bandeira que guarda, há mais de seis séculos, uma das mais extraordinárias memórias da História de Portugal.

Talvez muitos se surpreendam ao descobrir que aquela bandeira conserva ainda o escudo português e as cores da antiga bandeira de Lisboa. O preto e o branco que hoje identificam Ceuta não foram escolhidos por acaso. Recordam a bandeira da cidade de Lisboa, levada pela grande armada de D. João I que, em agosto de 1415, partiu do Tejo rumo ao Norte de África para conquistar a cidade. A memória dessa expedição ficou perpetuada na própria bandeira de Ceuta, como se o tempo tivesse decidido conservar um testemunho silencioso do início da expansão portuguesa.

Foi dali que começou uma das maiores aventuras da História da Humanidade.

Quando D. João I decidiu atacar Ceuta, não estava apenas a planear uma campanha militar. Estava a abrir uma nova etapa na História de Portugal. Acompanhavam-no os infantes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, jovens príncipes que encontrariam naquela expedição uma experiência decisiva para o futuro do reino. O cronista Gomes Eanes de Zurara descreve o entusiasmo das tropas, a coragem dos combatentes e a rapidez com que a cidade caiu nas mãos portuguesas. Aqueles homens dificilmente imaginariam que estavam a escrever o primeiro capítulo de uma epopeia que levaria Portugal aos quatro cantos do mundo.

Ceuta transformou-se na primeira grande conquista ultramarina portuguesa. Muito antes de Vasco da Gama chegar à Índia, de Cabral avistar o Brasil ou das naus portuguesas alcançarem o Japão, foi naquela cidade africana que Portugal começou a afirmar uma vocação marítima e universal sem paralelo na Europa do seu tempo.

Mas essa conquista teve um preço elevadíssimo.

Durante mais de dois séculos, Ceuta exigiu homens, navios, armas, alimentos e recursos financeiros. Manter uma praça portuguesa em território africano implicava um esforço permanente, quase sempre esquecido quando se fala da expansão marítima. Gerações de portugueses combateram nas suas muralhas, perderam familiares e viveram convencidas de que defender Ceuta era defender o próprio reino.

Nenhuma figura simboliza melhor esse sacrifício do que o Infante D. Fernando. Capturado após a expedição a Tânger, permaneceu durante anos em cativeiro porque Portugal recusou entregar Ceuta em troca da sua libertação. O reino preferiu perder um príncipe a perder a cidade conquistada por D. João I. O Infante Santo morreria longe da pátria, tornando-se um dos maiores símbolos de fidelidade e abnegação da História portuguesa.

Décadas mais tarde, Luís de Camões transformaria em poesia a grande epopeia nacional. Embora Os Lusíadas celebrem sobretudo a viagem de Vasco da Gama, a verdade é que essa epopeia começou muito antes. Começou em Ceuta. Sem a conquista de 1415 dificilmente se compreenderia o impulso que conduziu Portugal ao longo da costa africana, ao cabo da Boa Esperança, ao Índico, ao Brasil e ao Extremo Oriente. Ceuta foi o primeiro degrau da aventura que Camões haveria de eternizar.

Também D. Sebastião encontraria em terras do Norte de África o seu destino trágico. Em Alcácer Quibir, não muito longe de Ceuta, desapareceu o jovem rei cuja morte mergulhou Portugal numa das maiores crises da sua História. A partir desse momento, o sonho africano iniciado por D. João I conhecia o seu episódio mais dramático. A perda da independência em 1580 acabaria por alterar profundamente o destino de Ceuta.

Quando Portugal recuperou a independência em 1640, a cidade decidiu permanecer fiel à Coroa espanhola. A soberania portuguesa terminava, mas a memória não. O escudo português permaneceu na bandeira e o preto e o branco da antiga bandeira de Lisboa continuaram a recordar a armada que atravessou o estreito de Gibraltar em 1415. É raro encontrar na História um símbolo oficial que tenha sobrevivido durante mais de seis séculos à mudança de soberania.

Hoje, quando as câmaras de televisão mostram Ceuta como um dos principais pontos de entrada de migrantes em território europeu, quase ninguém repara que aquela bandeira continua a contar uma história muito diferente. Conta a história de um pequeno reino que ousou atravessar o mar, iniciar a expansão ultramarina e mudar para sempre o curso da História mundial. Conta a história de reis, infantes, marinheiros, soldados, cronistas e poetas que fizeram daquela cidade o primeiro capítulo da extraordinária aventura portuguesa.

Até quando sobreviverá Portugal na bandeira de Ceuta? Ninguém o sabe. A História ensina-nos que nenhum símbolo é eterno. As bandeiras mudam, os escudos transformam-se e as identidades evoluem ao longo dos séculos. Mas, enquanto o escudo português permanecer ao centro daquela bandeira e enquanto o preto e o branco da antiga Lisboa continuarem a desafiar o tempo, Ceuta recordará ao mundo que foi ali, nas muralhas daquela cidade africana, que Portugal iniciou uma das mais extraordinárias epopeias da História da Humanidade. E há memórias que, mesmo quando deixam de pertencer a um país, passam definitivamente a pertencer à História.

 

 

 

 

Paulo Freitas do Amaral, Professor, Historiador e Autor https://www.ovarnews.pt/?p=105838



A Viagem Medieval em Terra de Santa Maria celebra três décadas com uma edição especial centrada em D. Teresa, Afonso Henriques e na disputa que antecedeu a autonomia do Condado Portucalense.

Até 9 de agosto, a cidade reúne recriação histórica, grandes espetáculos, participação das escolas e experiências imersivas num programa com dezenas de propostas, a convidar à participação de todas as idades.

Os espetáculos são imperdíveis. Aliam tecnologia com história. No recinto, dois cavaleiros lançam-se num duelo sob as ameias do Castelo. O público sustém a respiração perante o embate.

Em redor, eleva-se o odor a pão acabado de sair do forno e a carne a assar. O ferreiro trabalha o metal em brasa; a tecedeira revela-nos os segredos da fiação da lã; o bobo da corte arranca gargalhadas com as suas piadas. Ao longe, escutamos o alarido do cortejo real.

Assista à história de D. Teresa, marcada por alianças, traições e disputas pelo poder, numa luta pelo controlo de Portucale que culmina no confronto com o seu filho, Afonso Henriques, abrindo caminho ao nascimento de Portugal.

O centro histórico de Santa Maria da Feira propõe-nos uma viagem de redescoberta da nossa História com a Viagem Medieval em Terra de Santa Maria. Perto de 40 hectares transformam-se num imenso palco para dezenas de iniciativas diárias e áreas temáticas.

No final do século XI, D. Teresa e Henrique da Borgonha receberam o Condado Portucalense, que incluía a Terra de Santa Maria. Viúva, D. Teresa assumiu o governo, mas a disputa com Afonso Henriques e os barões portucalenses culminou na Batalha de São Mamede, em 1128, quando o filho tomou o poder. É nesse momento de rutura, antes de Portugal existir, que a Viagem Medieval nos coloca.

Num desses espetáculos de grande formato, “Honra e Destino” recria alianças, traições e disputas, a culminarem no confronto que abriu caminho à autonomia portucalense. Com participação vareira, trata-se de um espectáculo intenso da Associação Cultural e Artística da Lourosa (ACAL), com coreografia de Gabriela Frutuosa e a participação de diversos elementos e caras conhecidas de Ovar.

Local: Terreiro das Guimbras


Duração: 30 minutos

Coreografia: Gabriela Frutuosa

Preço: gratuito


Horário: 21h30 https://www.ovarnews.pt/honra-e-destino-aas-disputas-pelo-poder-da-vida-de-d-teresa-mae-de-d-afonso-henriques/


PS:
𝐎 p𝐫𝐞𝐬𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐝𝐨 𝐈𝐍𝐄𝐌 𝐩𝐫𝐞𝐭𝐞𝐧𝐝𝐞 𝐚𝐯𝐚𝐧𝐜̧𝐚𝐫 𝐜𝐨𝐦 𝐮𝐦𝐚 𝐫𝐞𝐝𝐮𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐜𝐞𝐫𝐜𝐚 𝐝𝐞 𝟓𝟔 𝐚𝐦𝐛𝐮𝐥𝐚̂𝐧𝐜𝐢𝐚𝐬 𝐞 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐝𝐞 𝟏𝟎𝟎 𝐝𝐞 𝐦𝐞𝐢𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐞𝐦𝐞𝐫𝐠𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐦𝐞́𝐝𝐢𝐜𝐚 𝐞𝐦 𝐭𝐨𝐝𝐨 𝐨 𝐩𝐚𝐢́𝐬.

𝐎 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐥𝐡𝐨 𝐝𝐞 𝐎𝐯𝐚𝐫 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐨𝐬 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐢𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐨𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐩𝐨𝐝𝐞𝐫𝐚̃𝐨 𝐬𝐞𝐫 𝐚𝐟𝐞𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬.

Depois de termos perdido o Serviço de Urgência, de continuarmos sem um Serviço de Atendimento Permanente 24 horas e de assistirmos ao encerramento de Unidades de Saúde Familiar durante anos, perguntamos: o que mais nos querem retirar?


O acesso à saúde é um direito fundamental. Não aceitaremos que Ovar continue a ser tratado como um concelho de segunda.


Perante mais esta ameaça, é inaceitável o silêncio e a passividade do executivo municipal. Quem foi eleito para defender os interesses dos vareiros tem a obrigação de atuar, de fazer ouvir a sua voz e de exigir ao Governo que recue nesta decisão.


Chegou o momento de colocar os interesses do concelho acima das conveniências partidárias. É tempo de enfrentar os governantes do próprio partido, sempre que estejam em causa os direitos da nossa população.

Ovar é um concelho com forte tecido industrial, milhares de trabalhadores, uma extensa faixa costeira, elevada densidade populacional, importantes eventos culturais e desportivos e um fluxo significativo de visitantes ao longo do ano. Estas características exigem mais capacidade de resposta na saúde e na emergência médica, não menos.


Na verdade, o concelho necessita de reforçar os seus serviços de saúde, recuperar uma resposta de urgência e garantir meios de emergência adequados à realidade do território. Reduzir ambulâncias é seguir precisamente o caminho contrário.

𝐄𝐬𝐭𝐞 𝐞́ 𝐮𝐦 𝐚𝐥𝐞𝐫𝐭𝐚 𝐬𝐞́𝐫𝐢𝐨. Não aceitaremos que mais um direito seja perdido perante a indiferença de quem tem responsabilidades políticas. Os Vareiros merecem respeito, merecem segurança e merecem cuidados de saúde à altura das suas necessidades.

𝐎𝐯𝐚𝐫 𝐧𝐚̃𝐨 𝐩𝐨𝐝𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐢𝐧𝐮𝐚𝐫 𝐩𝐞𝐫𝐝𝐞𝐫. 𝐄𝐬𝐭𝐚́ 𝐧𝐚 𝐡𝐨𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐝𝐞𝐟𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫 𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐥𝐡𝐨 𝐜𝐨𝐦 𝐝𝐞𝐭𝐞𝐫𝐦𝐢𝐧𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨.

Os vereadores do PS Ovar

Emanuel Oliveira


Fernando Camelo de Almeida


Eva Oliveira https://www.ovarnews.pt/ps-%f0%9d%90%8e%f0%9d%90%af%f0%9d%90%9a%f0%9d%90%ab-%f0%9d%90%a7%f0%9d%90%9a%cc%83%f0%9d%90%a8-%f0%9d%90%a9%f0%9d%90%a8%f0%9d%90%9d%f0%9d%90%9e-%f0%9d%90%a9%f0%9d%90%9e%f0%9d%90%ab%f0%9d%90%9d/

sábado, agosto 01, 2026



Válega: Concurso
No âmbito dos festejos de Nossa Senhora das Dores, em Valdágua, Válega, decorre este sábado, a primeira edição do jogo "Cai o Poio Ganha a Vaca". Ou seja, o "jogo das fezes de vaca" um dos passatempos insólitos de aposta ou sorte conhecidos em Portugal como o concurso da bosta da vaca, onde se aposta no quadrado exato do terreno do Polidesportivo local onde o animal vai defecar.

Como funciona o concurso? O campo é dividido numa grelha numerada com vários quadrados pintados ou marcados no chão. Os participantes compram o número correspondente ao quadrado de terreno onde acham que a sorte vai calhar, isto é, onde a vaca vai... defecar.

Às 19 horas deste sábado, uma vaca é solta no prado e os espetadores aguardam para ver em que sítio exato o animal liberta as fezes (o que, por vezes, pode demorar), determinando nesse momento o bilhete vencedor. O sortudo pode optar em ficar com o animal ou levar mil Euros para casa. https://www.ovarnews.pt/valega-concurso-cai-o-poio-ganha-a-vaca-chega-a-valdagua/


Cortegaça Ativa promove fim de semana para toda a família
Já arrancou em Cortegaça mais uma edição do Cortegaça Ativa, iniciativa que convida a população a participar num conjunto diversificado de atividades desportivas e de promoção de estilos de vida saudáveis.


O programa decorre entre hoje e amanhã, em dois espaços distintos e inclui modalidades para todas as idades, desde aulas de grupo a demonstrações, atividades de bem-estar e um torneio de futebol de rua.


Neste sábado, 1 de agosto, as atividades arrancaramm às 09h00 com uma aula de Bodypump, dinamizada pela Fitness Factory, enquanto no Espaço Este decorre uma sessão de Yoga, orientada por Andreia, das Mentes Felizes. Ao longo da manhã haverá ainda aulas de Cycling, Karaté, Defesa Pessoal, Ginástica Sénior e Pilates Flow. A partir das 15h00, realiza-se o Torneio de Futebol de Rua, promovido pelo Futebol Clube de Cortegaça.


No domingo, 2 de agosto, o programa prossegue com aulas de Pilates, Treino Funcional, Aeróbica e Cycling, terminando novamente às 15h00 com mais uma sessão do Torneio de Futebol de Rua.


As sessões de Cycling requerem inscrição obrigatória, que deve ser efetuada através do QR Code disponibilizado pela organização.


Sob o lema "Movimento que une. Comunidade que inspira.", o Cortegaça Ativa pretende incentivar a prática regular de atividade física, promovendo simultaneamente o convívio entre a população e a valorização de hábitos de vida saudáveis. https://www.ovarnews.pt/cortegaca-ativa-promove-fim-de-semana-para-toda-a-familia/


Dois tubarões bebé capturados e devolvidos ao mar no Furadouro
Dois tubarões azuis bebés vieram nas redes do "Jovem", embarcação de Xávega a operar na praia do Furadouro. Ainda vivos, os dois animais foram devolvidos ao oceano.

A presença de tubarões bebé na costa de Portugal é um fenómeno natural, comum e seguro, dado que as águas portuguesas funcionam como berçários para várias espécies de tubarões. O avistamento de exemplares jovens perto das praias acontece frequentemente no verão, mas estes animais são inofensivos para os humanos.

Existem cerca de 40 a 45 espécies de tubarões em Portugal, e as crias mais avistadas junto à costa pertencem a três grupos principais: Tintureira (Tubarão-azul), a espécie mais comum em águas nacionais. Os juvenis aproximam-se por vezes da linha de costa para se alimentarem de pequenos peixes ou crustáceos. Pata-roxa: Um tubarão de pequeno porte, muito abundante e completamente inofensivo. As suas cápsulas de ovos (conhecidas como "bolsas de sereia") são frequentemente encontradas nas praias portuguesas. Cação: Pequenos tubarões costeiros muito pescados tradicionalmente em Portugal e que habitam fundos arenosos pouco profundos.

Pelo formato esguio, dorso escuro e barbatana dorsal proeminente, os exemplare capturados no Furadouro assemelham-se muito a um juvenil de tubarão -azul (Prionace glauca, conhecido localmente como tintureira).

O comportamento é inofensivo, aproximando-se da beira-mar apenas à procura de pequenos peixes ou crustáceos e não demonstram qualquer comportamento agressivo para com os banhistas.

Avistamentos ocasionais de tubarões isolados perto da costa, como o tubarão-martelo recentemente avistado na foz do rio Tejo, motivam a monitorização por parte das autoridades marítimas, mas não são considerados comportamentos agressivos para com os seres humanos.

Entre as espécies observadas ao largo da costa portuguesa, o tubarão-azul é uma das mais comuns; trata-se, geralmente, de um animal pacífico que se aproxima de embarcações ou mergulhadores apenas por curiosidade ou atração pela comida. As orientações de segurança recomendam que, caso apareça um tubarão, os banhistas saiam da água com calma e sigam as instruções dos nadadores-salvadores, sendo a probabilidade de um incidente praticamente inexistente nas praias do país. https://www.ovarnews.pt/dois-tubaroes-bebe-capturados-e-devolvidos-ao-mar-no-furadouro/