O português brigadeiro-general Sérgio Estrela assumiu no dia 14 de setembro o comando da Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM-MOZ), em substituição do comodoro César Manuel Pires Correia, foi esta terça-feira anunciado.
Em comunicado, a EUMAM-MOZ indica que o comodoro César Pires Correia, que cessa funções, irá entregar o comando daquela força ao português brigadeiro-general Sérgio Estrela, na segunda-feira da próxima semana, no quartel-general da missão, em Maputo.
César Manuel Pires Correia assumiu as funções em 10 de setembro de 2025, substituindo o brigadeiro Luís Barroso.
O Conselho da União Europeia prorrogou, em maio último, o mandato da EUMAM-MOZ por mais seis meses, até 31 de dezembro de 2026, período em que o novo comandante vai dirigir a missão enquanto aguarda eventual prorrogação da mesma.
Moçambique quer prolongar missão da UE por mais dois anos
Moçambique pretende a extensão por dois anos desta missão militar da União Europeia, disse à Lusa, em julho, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, agradecendo o apoio europeu e destacando o papel de Portugal no processo.
"Terminámos a fase do apoio, no primeiro acordo, e agora estamos numa fase de negociação para a extensão, pelo menos por mais de dois anos, porque achamos que é extremamente importante", afirmou então o chefe de Estado moçambicano.
A União Europeia anunciou, em 2024, a adaptação dos objetivos estratégicos da anterior Missão de Formação Militar da UE em Moçambique (EUTM-MOZ), que transitou, em 01 de setembro do mesmo ano, do modelo de treino para um de assistência, passando, assim, a designar-se EUMAM-MOZ.
A EUTM-MOZ, que como a atual EUMAM-MOZ foi liderada por Portugal, formou em dois anos mais de 2.000 militares comandos e fuzileiros moçambicanos, que passaram a constituir companhias de Forças de Reação Rápida e já combatem o terrorismo em Cabo Delgado, bem como uma centena de formadores.
A missão em Moçambique foi ainda financiada, através do Mecanismo Europeu para a Paz, para aquisição de todo o tipo de equipamento não letal para estas companhias de forças especiais.
A província de Cabo Delgado, rica em gás e que sofre ataques desde 2017, regista um recrudescimento de ataques de grupos rebeldes desde julho, tendo sido alvos os distritos de Chiúre, Muidumbe, Quissanga, Ancuabe, Meluco e mais recentemente Mocímboa da Praia.
Quem é Sérgio Estrela?
Nascido em 1973, em Portugal, Sérgio Estrela formou-se como Piloto Aeronáutico e concluiu o curso básico de Comando no Instituto de Estudos Superiores da Força Aérea Portuguesa, em Sintra.
Ao longo da sua carreira, já foi assistente militar da Força Aérea no Gabinete do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas Portuguesas, comandante do Grupo Operacional 61, na Base Aérea n.º 6, no Montijo, e representante de Portugal no Quartel-General do Comando Supremo Aliado para a Transformação, da NATO, em Norfolk, Estados Unidos da América.
Exerceu também a função de chefe do Centro de Operações Aéreas no Quartel-General do Comando Aéreo Português, em Monsanto, Lisboa, e comandante da Base Aérea N.º 8, em Maceda, Ovar.
Sérgio Estrela acumulou aproximadamente 5.000 horas de voo em diversos tipos de aeronaves, com condecorações que incluem o grau de Oficial da Ordem Militar de Avis, a medalha de prata de Serviços Distintos e a medalha de mérito Militar de 2.ª Classe.
https://www.ovarnews.pt/ex-comandante-da-base-de-maceda-lidera-missao-de-assistencia-militar-da-uniao-europeia-em-mocambique/
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