sexta-feira, abril 10, 2026

Num tempo em que quase tudo se resolve à distância de um clique, seria de esperar


que o contacto com as empresas fosse cada vez mais simples, rápido e eficaz. No


entanto, a realidade parece contrariar essa expectativa. Um estudo recente da DECO


veio expor fragilidades significativas nos sistemas de apoio ao cliente em Portugal,


levantando dúvidas sobre o verdadeiro impacto da digitalização neste domínio.

A análise incidiu sobre 24 empresas de setores tão distintos como comunicações,


energia, banca, saúde, comércio online e turismo. O objetivo era claro: perceber se os


canais digitais estão a facilitar a vida dos consumidores, sendo que, a maioria das


empresas ficou entre o “Mau” e o “Razoável”, o que não é nada animador.

Na prática, aquilo que deveria ser um avanço tem-se revelado, muitas vezes, um


obstáculo. Quando surge um problema, o consumidor é frequentemente encaminhado


para formulários online ou para chatbots — assistentes virtuais que prometem


respostas imediatas, mas que nem sempre cumprem essa promessa. Percursos


confusos, sucessões intermináveis de menus e uma limitada capacidade de


compreender situações concretas acabam por transformar um simples pedido de


ajuda num processo desgastante. Em muitos casos, estes sistemas funcionam apenas


como mecanismos de triagem. Em vez de resolverem eficazmente as questões


colocadas, remetem o utilizador para páginas de perguntas frequentes ou para novos


formulários, prolongando a resolução do problema. Mais preocupante ainda é o facto


de nem sempre ser possível apresentar uma reclamação diretamente através destes


canais.

A própria forma como o apoio é apresentado tem vindo a mudar. A designação “apoio


ao cliente” tem sido substituída por expressões como “ajuda”, “dúvidas” ou “opiniões”.


À primeira vista, pode parecer uma mera questão semântica, mas, na prática, contribui


para diluir a perceção dos direitos do consumidor e dificulta a identificação de canais


formais de contacto.

Para além disso, nem todos os consumidores são tratados da mesma forma. Quem


tem contas premium ou está registado em determinadas plataformas pode ter


respostas mais rápidas e soluções mais eficazes. Ou seja, cria-se uma diferença no


acesso ao apoio, algo que deveria ser igual para todos.

Perante este cenário, a DECO deixa um alerta importante: a digitalização, que deveria


simplificar, está a tornar o contacto com as empresas mais difícil. A Associação


defende que o acesso a um interlocutor humano, deve continuar a ser a base do apoio


ao cliente, e não uma possibilidade residual. Deve ser um direito.

O apoio ao cliente existe para resolver problemas e não para deixar os consumidores


perdidos, frustrados ou, como se costuma dizer, a “falar para o boneco”.

Conte com o apoio da DECO. Trabalhamos para si: deco@deco.pt; 21 371


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