sexta-feira, abril 17, 2026

 

O Relatório de Gestão e Contas de 2025 do Município de Ovar não é apenas um documento


técnico. É a prova inequívoca de uma governação falhada, esgotada e sem rumo. Entre o discurso


político e a realidade da execução existe um abismo e esse abismo está a custar caro ao futuro do


concelho.

Os números são claros. E são condenatórios.


Eixos estratégicos: propaganda política, execução nula


Ao longo de todos os eixos estratégicos, o padrão repete-se: anúncios sucessivos, resultados


inexistentes.


Na coesão territorial, o investimento estruturante simplesmente não existe. As freguesias


continuam esquecidas, sem dinâmica e sem ligação efetiva entre si. Fala-se muito, faz-se quase


nada.


Na regeneração urbana, o cenário é de inércia total. ARU’s continuam por criar, estratégias


inexistentes e uma execução de investimento de apenas 48,22%. O território degrada-se enquanto


o executivo assiste. Não há programas para jovens, arrendamento acessível, alargamento do 1.º


direito, ausência de parcerias, tardam em criar uma “força” cooperativa.


Na habitação, há dinheiro, mas não há política. Limita-se tudo à habitação social, ignorando


soluções de classe média, habitação acessível e planeamento urbano sério. Falta visão, falta


coragem e falta trabalho.


No ambiente, a situação é particularmente grave. O nosso pinhal — património natural identitário


— foi transformado num verdadeiro desastre ambiental, resultado de um plano de gestão que não


protege, não regenera e não assegura o futuro da floresta. A responsabilidade é política e é do


Município.


Ao mesmo tempo, não existe estratégia ambiental digna desse nome: a costa perde valor, a ria


não é valorizada, não há educação ambiental consistente, nem políticas eficazes de preservação. A


intervenção resume-se ao mínimo. Gasta-se, mas não se protege nem se transforma.


Na educação, o desinvestimento é estrutural. Sem estratégia local, sem inovação, sem ligação ao


desenvolvimento do território, sem interferência pedagógica e curricular, sem valor acrescentado


para o futuro dos nossos jovens. Um setor essencial tratado como residual.


Na cultura e turismo, os dados 2025 são alarmantes, com os estudos a retratarem um Município


onde a procura diminui drasticamente. Falta dinamização, falta criatividade, falta estratégia. Ovar


perde relevância e atratividade, enquanto outros municípios avançam.


Na juventude, ação social e saúde, persistem falhas graves: ausência de respostas estruturais para


o envelhecimento, falta de soluções para a infância e inexistência de políticas consistentes para


fixar jovens. Governa-se para o imediato, ignorando o futuro.

Na mobilidade, reina o improviso. Não há planeamento, não há visão, não há investimento


estruturante. O território continua mal servido e sem soluções. Não há vias de qualidade, não há


ligações estratégicas interfreguesias e muito mais.


Na economia local, o cenário é de verdadeiro desespero. O comércio local sobrevive sem apoio,


sem estratégia e sem qualquer política de dinamização consistente. As ruas perdem vida, os


negócios fecham e o Município limita-se a assistir. O atraso nas zonas de desenvolvimento


económico é inaceitável e compromete diretamente a criação de emprego e a competitividade.


O concelho está a ficar para trás.


Ao mesmo tempo, o atraso nas zonas de desenvolvimento económico bloqueia o crescimento,


afasta investimento e compromete a criação de emprego. Não há liderança, não há visão — há


abandono.

Mais despesa, menos resultados


Em 2025:


A despesa aumentou 23,45%


74% da despesa é corrente


Apenas 26% é investimento


Execução do investimento: 48,22%

Resultado líquido negativo: -2,85 Milhões de Euros


Ou seja, gasta-se mais, mas faz-se menos.


Três quartos dos recursos municipais são consumidos na máquina interna. O investimento, aquele


que transforma o território, fica para segundo plano, e mesmo esse nem sequer é executado.


Isto não é gestão. É estagnação cara.


Uma máquina pesada, ineficiente e sem retorno


O aumento da despesa, nomeadamente com pessoal e aquisição de serviços, não tem qualquer


reflexo visível na qualidade dos serviços públicos nem no território.


Contrata-se mais, gasta-se mais, mas Ovar não melhora.


A máquina cresce. O concelho não.


Dependência e ausência de estratégia económica


A receita continua dependente do imobiliário e das transferências do Estado. Não há qualquer


estratégia consistente de captação de investimento ou dinamização económica.


O executivo limita-se a gerir receitas, não cria futuro.

Falhanço político claro


Este relatório expõe um problema político profundo:


Não executam o que anunciam;


Não planeiam com visão;


Não entregam resultados;


Gerem o dia-a-dia, adiam decisões e acumulam promessas por cumprir.

Conclusão


Ovar está hoje mais caro, mais lento e menos competitivo.


O concelho perdeu dinâmica, perdeu ambição e está a perder relevância regional.


Os números não enganam: há despesa, mas não há desenvolvimento; há anúncios, mas não há


obra; há gestão, mas não há governação.


E quando um executivo deixa de transformar o território, deixa de cumprir a sua função.


É por isso que o dizemos sem ambiguidades:


Este executivo falhou. Falhou na estratégia. Falhou na execução. Falhou no futuro.

O PS Ovar vota contra. https://www.ovarnews.pt/ps-ovar-chumba-contas-de-2025-mais-despesa-menos-obra-um-concelho-parado-e-com-o-futuro-hipotecado/

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