

Quase todos os adultos em Portugal já tiveram contacto com o vírus da varicela. O problema é que este vírus não desaparece do organismo depois da infeção inicial. Fica adormecido nos nervos e pode reativar-se décadas mais tarde, causando o Herpes Zoster, vulgarmente conhecido como “Zona”.
Estima-se que uma em cada três pessoas venha a desenvolver esta doença ao longo da vida. O risco aumenta com a idade, sobretudo a partir dos 50 anos, mas também é maior em pessoas com doenças crónicas ou com o sistema imunitário fragilizado.
A Zona manifesta-se, habitualmente, por uma erupção cutânea dolorosa, muitas vezes em faixa e apenas de um lado do corpo. Mas o verdadeiro problema nem sempre termina quando as lesões da pele desaparecem. A complicação mais temida é a nevralgia pós-herpética: uma dor intensa, persistente, por vezes incapacitante, que pode durar meses ou até anos.
Esta dor crónica é mais frequente com o avançar da idade. Em casos mais graves, o Herpes Zoster pode também afetar a visão ou o sistema nervoso central, com consequências importantes para a autonomia e qualidade de vida.
Além do sofrimento individual, a Zona representa também um peso relevante para o sistema de saúde e para a sociedade. Dados nacionais recentes apontam para dezenas de milhares de adultos tratados por Herpes Zoster num só ano em Portugal. Quando há necessidade de internamento, o impacto é ainda maior: em média, os internamentos podem prolongar-se por cerca de 15 dias e representar custos significativos por episódio.
A boa notícia é que existe prevenção. Em Portugal, está disponível a vacina recombinante contra o Herpes Zoster, indicada para prevenir a Zona e a nevralgia pós-herpética em adultos com idade igual ou superior a 50 anos e em adultos com idade igual ou superior a 18 anos com risco aumentado.
O esquema habitual é simples: duas doses, separadas por 2 a 6 meses. Em algumas pessoas imunocomprometidas, este intervalo pode ser encurtado, de acordo com orientação clínica.
Quem deve ponderar esta vacinação? Todos os adultos a partir dos 50 anos. Também os adultos mais jovens com risco aumentado, nomeadamente pessoas com imunossupressão ou algumas doenças crônicas, como diabetes, doença cardiovascular, DPOC, asma, doença renal crônica ou doença inflamatória intestinal.
Fale com o seu médico de família, enfermeiro de família ou farmacêutico. A Zona não é apenas uma erupção dolorosa: pode ser uma doença prolongada, limitante e evitável. Vacinar é proteger a saúde, a autonomia e a qualidade de vida.
Veja o vídeo para ficar a saber um pouco mais:
https://youtu.be/OBlH2B5QaI4
Eurico Silva, USF João Semana de Ovar
https://www.ovarnews.pt/a-zona-nao-e-so-uma-borbulha-e-uma-dor-que-pode-ficar-por-dr-eurico-silva/
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