domingo, março 29, 2026



Estarreja pede mais meios para resposta permanente
 

O Município de Estarreja recebeu na sexta-feira, 27 de março, a visita do Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, que teve como principal objetivo dar a conhecer a realidade local e reforçar a necessidade de um sistema de proteção civil ainda mais robusto, ajustado às especificidades do concelho.

No centro das preocupações esteve a reivindicação conjunta da Câmara Municipal de Estarreja e dos Bombeiros Voluntários de Estarreja para a criação de uma terceira Equipa de Intervenção Permanente (EIP), considerada “estratégica” e “urgente” para garantir uma resposta mais eficaz e permanente.

A presidente da Câmara Municipal, Isabel Simões Pinto, reforçou que o convite feito ao Secretário de Estado para visitar o concelho teve como propósito “mostrar a nossa realidade e sensibilizar o Governo para a necessidade de um sistema de proteção civil robusto”, capaz de responder a riscos. A autarca destacou ainda o empenho do Município no apoio aos bombeiros e na candidatura à terceira EIP. “Desde a primeira hora que a Câmara Municipal tem apoiado este processo. Falta a componente do Estado, mas acreditamos que este reconhecimento será alcançado, tendo em conta o carácter singular do nosso território”, onde se situa o Complexo Químico, duas autoestradas, a linha ferroviária, para além da proximidade à frente lagunar, com risco de cheias, até à mancha florestal, com risco de incêndio.

A visita de Rui Rocha incluiu passagens pelo Complexo Químico de Estarreja e pelo Centro de Treinos e Formação dos Bombeiros Voluntários de Estarreja — uma infraestrutura de referência nacional, utilizada por corporações de todo o país — evidenciando o contexto exigente em que operam os agentes de proteção civil no concelho.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Estarreja, Joaquim Rebelo, destacou a singularidade e exigência do território. “Estarreja é um dos pontos mais sensíveis e estratégicos do país. Todos os dias operamos junto a um Complexo Químico com empresas classificadas como Seveso, onde o erro não é opção.”

Sublinhando a confluência de riscos — industrial, rodoviário e ferroviário —, o responsável frisou que “este triângulo exige mais do que capacidade, exige excelência”, defendendo que a criação de uma terceira EIP “é uma necessidade, é estratégica e é urgente”, representando um investimento direto na segurança de pessoas e bens. “É o passo que falta para afirmar Estarreja como referência nacional na proteção civil”, reforçou.

O presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Estarreja, Marco Braga, reforçou a importância da visita governamental. “É no terreno que se veem as coisas. As decisões não podem ser tomadas dentro dos gabinetes.” Sublinhando que esta foi a primeira visita de um membro do Governo em duas décadas, destacou ainda a ausência de apoio estatal ao Centro de Treino e Formação e a dependência da associação face ao contributo da comunidade, empresas e autarquias.

A criação de uma terceira EIP foi apontada como “a maior necessidade neste momento”, a par de outros investimentos estruturantes, como a aquisição de um veículo dedicado ao parque químico, num projeto estimado em cerca de um milhão de euros.

Na sua intervenção, o Secretário de Estado da Proteção Civil reconheceu o papel central dos bombeiros, classificando-os como “a espinha dorsal da proteção civil em Portugal”, e sublinhou a especificidade do contexto de Estarreja, nomeadamente pela presença da indústria química, destacando as boas práticas implementadas em termos de segurança e de atuação responsável, como é exemplo o painel comunitário PACOPAR, apresentado ao governante por Pedro Gonçalves, da CIRES.

Rui Rocha reafirmou a intenção do Governo de avançar para a profissionalização da primeira intervenção, assegurando capacidade de resposta permanente 24 horas por dia, com o objetivo de garantir, no futuro, pelo menos três Equipas de Intervenção Permanente por concelho.

O Secretário de Estado enumerou o elevado número de candidaturas às terceiras EIP- cerca de 170 para apenas 20 vagas previstas este ano -, e admitiu a necessidade de acelerar este processo. “Temos de dar um sinal claro. Vinte equipas por ano não chegam.” O responsável revelou ainda a intenção de rever o modelo de funcionamento das EIP e de, durante este ano, criar condições para a abertura de um novo período de candidaturas, dependente de questões orçamentais, mas dando nota do compromisso partilhado entre Governo e autarquias, que asseguram em conjunto o financiamento destas equipas.

A visita terminou com uma mensagem de reconhecimento a todos os bombeiros, num momento que reforçou a importância de continuar a investir na capacitação e valorização destes agentes, fundamentais para a segurança das populações.

 

  https://www.ovarnews.pt/estarreja-pede-mais-meios-para-resposta-permanente/

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