quinta-feira, junho 25, 2026



O Cine-Teatro (I) - Por Edgar Branco
O Cine-Teatro de Ovar, um monumento vareiro, ergue-se no coração da cidade, fronteiro à Igreja


Matriz e ao Mercado. Outrora vibrante, hoje é apenas uma sombra do que foi destroçado,


abandonado, reduzido a uma bela fachada que resiste solitária ao tempo.

O edifício, inaugurado a 30de dezembro de 1944, possuía uma sala de espetáculos com cerca de mil lugares e um elegante salão de festas. Durante décadas, foi um palco de cultura e celebração, mas agora, jaz em ruínas,


um cenário deprimente e indigno, um testemunho do descaso dos autarcas e da impotência das


gerações que nele viveram momentos inesquecíveis.

A sua fachada, envelhecida, permanece ali - um espelho do tempo, um lembrete diário para os


vareiros de que as coisas preciosas precisam de ser acarinhadas. Pois quando se negligencia o que


nos une, resta apenas a saudade, e a saudade, por si só, nem sempre sustenta a memória de um


povo.

Os vareiros e aqueles que visitam a cidade passam apressados entre o bulício do mercado, as


escadas que conduzem à fé na igreja e o vaivém dos cafés. Poucos reparam que, bem diante dos


seus olhos, esconde-se um baú de recordações, um relicário de vidas e histórias passadas.


No entanto, este Cine-Teatro foi, para os seus Vareiros um refúgio de magia.

Ali celebraram-se conquistas, bailaram-se amores, estrearam-se sonhos em palco e na tela. Foi casa


de peças que evocavam histórias vareiras, de filmes que traziam mundos distantes, de risos e


emoções partilhadas. Era um santuário da alegria, um espaço onde as pressões do mundo exterior


se dissolviam na escuridão aconchegante da sala de espetáculos.

Ali, a tristeza era deixada à porta. Ali, encontrava-se um porto seguro.

E assim, meu caro leitor, convido-o uma vez a que venha comigo, mas desta vez numa viagem pelo


passado.

Veja comigo, sobre o olhar de quem vê além das ruínas, um edifício que ergue-se novamente,


pulsante, renascido na lembrança daqueles que nele viveram um dia memorável.

Vamos… https://www.ovarnews.pt/o-cine-teatro-i-por-edgar-branco/

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