

A vida política em Ovar vive dias de tensão em torno da Plataforma Cívica Independente AGIR! pelo Desenvolvimento da Nossa Terra. Lígia Pode, eleita vereadora por este movimento, dirigiu uma carta ao presidente da Assembleia Municipal de Ovar retirando a confiança política a três dos seus deputados eleitos. Pouco depois, um esclarecimento destes à população revela o nível de tensão gerado pela retirada de confiança política e expõem uma fratura profunda no seio do projeto que se apresentou como alternativa independente no concelho.
Em nome da direção da plataforma AGIR!, Lígia Pode comunica ao presidente da Assembleia Municipal de Ovar a retirada de confiança política aos três deputados municipais eleitos pelo movimento, Carla Velado, Daniela Patarena e Rui Oliveira. Em causa está a decisão destes em constituírem‑se como grupo parlamentar próprio, apesar de o cabeça de lista, Tiago José Ramos Martins, já ter formalizado a criação do grupo municipal do AGIR! integrado pelos quatro eleitos, o que é interpretado como “inequívoca declaração de divergência política”.
A plataforma, representada por Lígia Pode, Sara Lamarão e Hugo Ribeiro, sustenta nessa carta que o mandato tem na sua origem “uma confiança política depositada pelos cidadãos num projeto coletivo” e garante que o Grupo Municipal do AGIR! continuará na Assembleia apenas com o cabeça de lista. A direção afirma manter intacta a missão de “defender com rigor, transparência e dedicação os interesses” de Ovar, honrando a confiança dos eleitores e prometendo uma intervenção ativa e fiscalizadora do executivo.
Num esclarecimento à população subscrito por Daniela Patarena, Carla Velado e Rui Oliveira, inverte-se a perspetiva e dá-se força a uma rutura na direção oposta, acusando a vereadora de ter quebrado o compromisso assumido com o eleitorado. Os três deputados criticam o acordo político celebrado entre o PSD e a vereadora, que consideram contrário às promessas de independência feitas em campanha e ao mandato que o AGIR! recebeu nas urnas.
Nesse esclarecimento, o grupo parlamentar afirma que a entrada de Lígia Pode no executivo em regime de meio tempo, depois de se ter apresentado como oposição, significou a assunção de corresponsabilidade pelas decisões da maioria. Os deputados lamentam ainda que as áreas sob tutela da vereadora – Empreendedorismo, Emprego e Comércio – tenham, no orçamento em discussão, apenas cerca de 0,3% do total, o que, no seu entender, demonstra que as principais “bandeiras” do AGIR! foram relegadas para segundo plano.
A cronologia apresentada pelos três eleitos descreve um processo marcado por “exclusão institucional” e decisões unilaterais. Alegam ter sido afastados do processo político, sem consulta sobre o acordo com o PSD, e dizem ter conhecido a retirada de confiança que lhes foi dirigida apenas através de um email da Assembleia Municipal, criticando a ausência de comunicação direta por parte de Lígia Pode.
Os deputados contestam também o uso de argumentos administrativos ligados ao Registo Central do Beneficiário Efetivo (RCBE), onde constam Lígia Pode, Hugo Ribeiro e Sara Lamarão, para justificar a rutura. Na sua leitura, tais fundamentos “carecem de base política e legal” e servem sobretudo para desviar a atenção do desacordo de fundo sobre o rumo do movimento, que se apresentou sem estatutos nem órgãos sociais formais, reivindicando a independência como marca identitária.
Em síntese, os dois textos espelham uma disputa pela legitimidade da representação do AGIR! no espaço autárquico de Ovar: de um lado, a direção da plataforma, que afiança continuar a missão com o cabeça de lista como único representante; do outro, o grupo parlamentar que reclama para si a continuidade do programa original e acusa a vereadora de se ter afastado do projeto alternativo prometido aos eleitores. No centro do conflito estão a interpretação do mandato independente, o acordo com o PSD e o equilíbrio entre participação na governação e manutenção da autonomia política perante o executivo municipal.
Salvador Malheiro aceitou o pedido e o AGIR passa a ser representado apenas por Tiago Martins passando os restantes a independentes. https://www.ovarnews.pt/direcao-do-agir-em-rota-de-colisao-com-eleitos-na-am/
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