

Digníssimo senhor:
Dirijo-me a Vª Exª na dúplice qualidade de ex autarca e de munícipe de Ovar, para lhe manifestar a minha frontal indignação pelo comportamento do Instituto que V. Exª dirige, face à floresta do município de Ovar, floresta que tem servido para, o ICNF, apenas, como porquinho mealheiro, pois os investimentos, na nossa floresta, constantes do mesmo PGF que manda abater árvores, não passam de ideias enfeitadas de novidade e progresso ambientais.
Deste modo, do famigerado Plano de Gestão Florestal (PGF) do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, feito e pago pela CMO, e executado pelo ICNF o que ficou, para lá das enormes clareiras, um pouco por todo o lado, qual batalha de Waterloo, foi, de um lado, o espanto, e, do outro, o absurdo.
E tudo isto se passou como se nada se tivesse passado, pois a CMO, enredando, em conferências de imprensa, os pés nos tapetes das etiquetas da subserviência institucional, a nada se opôs, e tudo permitiu.
Permitiu, por omissão, a materialização do PGF, em zonas de proteção e defesa da costa e de floresta de conservação.
E aqui, chegados, pergunta-se:
Quem acompanhou o Plano como era sua obrigação por parte da Câmara? Para que servem os técnicos municipais especializados nestas áreas? Quem permitiu, por insignificância institucional, que se abatessem, fora do PGF – terreno em frente ao Parque de Campismo do Furadouro, onde máquinas, num claro desrespeito para com o património municipal, passaram por cima da placa indicativa de percurso pedonal, lá instalada pala própria edilidade – dezenas de árvores, sem que para isso se manifestasse, ao ICNF, qualquer desacordo ou protesto?
Ninguém, e daí a permissão, bem retratada no salvador dito, publicamente, qual Pilatos lavando daí as mãos, que “quem mais sabe de florestas é o ICNF”, dito que a prática, do ICNF, se encarregou de esbofetear, pois as consequências, para o nosso património ambiental, estão à vista de todos.
Desta forma, a floresta foi dizimada, os respetivos montantes, provenientes das árvores abatidas, arrecadados por quem de direito, o principal responsável, pois foi quem aprovou o PGF, promovido a membro do governo, e o interesse público e o direito de todos nós à fruição de espaços de lazer, esse foi enviado às malvas.
Diz V. Exª senhor Diretor, que tem liderado o Instituto, “com forte foco na gestão florestal e na conservação da natureza” e que “o ICNF somos todos nós”.
Ora, caro senhor, quero, com o meu direito constitucional à indignação, de cidadão amigo do ambiente, reafirmar-lhe, que, na minha opinião e, estou certo, na opinião da maior parte dos vareiros, nem o ICNF tem sido liderado com forte foco na gestão florestal e conservação da natureza nem, muito menos esse ICNF que nos apresenta, publicamente, “somos” todos nós.
Não sou, eu, porquanto não me revejo e nunca me revi, na lógica mercantilista desse Instituto, que por força da sua designação, se veria obrigado a preservar e conservar e não abater indiscriminadamente, todo o tipo de árvores, nem são os vareiros, na sua maioria, que também consideram que a sua floresta, tem servido, apenas, para arrecadar receitas, de que esse Instituto necessita, talvez, para colmatar um subfinanciamento estatal, crónico.
Desta forma, tem o ICNF usado os nossos recursos em seu benefício próprio, em nome de pretensos e pomposos Planos de Gestão Florestal que, de Planos de Gestão, só por cinismo administrativo, se poderão denominar de florestais.
Se não, veja-se o montante que o ICNF já arrecadou e, face aos concursos públicos, do PGF, em curso o que tenciona arrecadar, e seria bom que, em nome da transparência dos serviços públicos, se publicassem os montantes arrecadados, sem que disso se vislumbre, quaisquer melhoramentos de conservação e preservação da nossa floresta.
E, se no passado, nada de bom veio para o município de Ovar, desse Instituto Público, apenas exigências estapafúrdias de obrigações que levaram a CMO a adquirir 89hac de terrenos florestais na Serra da Malcata, com um encargo de 200.000€ para oferecer ao ICNF, e outras, habilidades, similares, no presente, de forma mais escandalosa, e em nome de decretos-lei de 2001, mais defraudados nos sentimos nos nossos direitos à fruição de espaços naturais, quando vemos, mais um abate, indiscriminado de árvores, principalmente, num parque ambiental – Parque Ambiental do Buçaquinho, em Cortegaça - que de ambiental só lhe ficou o nome e que já estava desafetado do ICNF desde 2001 e que só agora, um quarto de século depois, em nome de interesses que escapam à compreensão humana, vêm reivindicar.
E, se senhor eng. Banza, o problema, neste caso concreto, era o dinheiro, e face aos danos ambientais causados – convido Vª Exª a visitar a obra feita por esse Instituto - mais valia ter recorrido a uma subscrição pública dos vareiros ou a ter falado com a CMO e a JF de Cortegaça – até nesta falta de diálogo institucional se vê a ética do ICNF, num claro desrespeito pelas autarquias e pelos seus autarcas, numa obsoleta cultura do quero, posso e mando - que estas autarquias, e mesmo a população em geral, estou certo, em nome da história do Parque merendeiro, e da fruição do espaço, lhe dariam, a esmola, de 14.000€, determinada pela hasta pública.
Hoje, temos todos a consciência que o ICNF e o seu braço armado (de motosserra) a Direção Regional de Agricultura da Beira Litoral, não nasceram para plantar árvores, no município de Ovar, mas para fazer da sua floresta, o que que Cassandra previu para Troia, a sua destruição, e muito menos para assegurar a gestão sustentável das florestas nacionais, promovendo a conservação dos recursos naturais, mas sim, qual arboricida, para se aproveitar delas.
Por último, deixo a sugestão à CMO e à JF de Cortegaça para que atribuam ao Parque Ambiental do Buçaquinho, o nome do eng. Nuno Banza, pelos relevantes serviços públicos, ali, prestados.
Atentamente
Alcides Alves
https://www.ovarnews.pt/carta-aberta-ao-exmo-senhor-presidente-do-conselho-diretivo-do-icnf-instituto-da-conservacao-da-natureza-e-das-florestas-i-p-eng-nuno-banza/
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