O FIM DO SONHO?
Infelizmente, tudo parece indicar que sim...
domingo, julho 30, 2006
sábado, julho 29, 2006
Uma amostra do que vai ser o concerto de Daniela Mecury,
esta noite, no Estádio Marques da Silva, em Ovar
Um dia depois de completar 41 anos, Daniela Mercury actua em Ovar para uma assistência estimada em 10.000 pessoas. É esta noite o parque Marques da Silva recebe o concerto de Daniela Mercury, sendo este o último da digressão europeia da cantora.
O espectáculo é aguardado com alguma expectativa, já que a organização pretende bater o recorde de assistência num concerto em Ovar que pertence aos «Xutos & Pontapés» quando juntaram 7.700 almas, no mesmo local, há mais de vinte anos.
É convicção de todos que o «Furacão da Baía» vai tornar a noite de hoje inesquecível para os milhares de pessoas que se esperam no Parque Desportivo da Associação Desportiva Ovarense, ultimamente mais habituada a outras tristezas.
Se a artista brasileira tem para apresentar um novo «show», do outro lado, a comunidade vareira, conhecida pelo seu espírito folgazão, movimenta-se igualmente para a fazer sentir-se em casa, ou não fosse a cidade considerada a capital do Carnaval em Portugal. Daniela Mercury apresenta em Ovar o seu mais recente trabalho, «Balé Mulato», num espectáculo que também se encontra vertido no DVD «Baile Barroco».
esta noite, no Estádio Marques da Silva, em Ovar
Um dia depois de completar 41 anos, Daniela Mercury actua em Ovar para uma assistência estimada em 10.000 pessoas. É esta noite o parque Marques da Silva recebe o concerto de Daniela Mercury, sendo este o último da digressão europeia da cantora.
O espectáculo é aguardado com alguma expectativa, já que a organização pretende bater o recorde de assistência num concerto em Ovar que pertence aos «Xutos & Pontapés» quando juntaram 7.700 almas, no mesmo local, há mais de vinte anos.
É convicção de todos que o «Furacão da Baía» vai tornar a noite de hoje inesquecível para os milhares de pessoas que se esperam no Parque Desportivo da Associação Desportiva Ovarense, ultimamente mais habituada a outras tristezas.
Se a artista brasileira tem para apresentar um novo «show», do outro lado, a comunidade vareira, conhecida pelo seu espírito folgazão, movimenta-se igualmente para a fazer sentir-se em casa, ou não fosse a cidade considerada a capital do Carnaval em Portugal. Daniela Mercury apresenta em Ovar o seu mais recente trabalho, «Balé Mulato», num espectáculo que também se encontra vertido no DVD «Baile Barroco».
sexta-feira, julho 28, 2006
Fundação do Carnaval de Ovar processada
Um dos grupos participantes no corso deste ano apresentou uma acção em tribunal contra a Fundação do Carnaval de Ovar, em contestação de acusação de que foi alvo, em carta enviada a todos os responsáveis dos 24 grupos e escolas de samba participantes: a de ter adoptado «comportamentos perturbadores», atrasando a saída dos corsos de domingo e terça-feira. O grupo, denominada Joanas-do-arco-da-velha, acabou por ser penalizado em cerca de 20 por cento do subsídio que a fundação lhe atribuíu, ou seja, em 1.031 euros, e agora os 58 elementos do grupo, todos do sexo feminino, reclamam a anulação do contrato e uma indemnização de cerca de oito mil euros, por danos morais.
«Fomos apanhadas de surpresa. Tivemos conhecimento da intenção da fundação através de uma carta. Em 54 anos de carnaval, nunca tinha havido este tipo de precedente, é uma situação inédita», adianta Laurentina Coutninho, delegada das «Joanas».
A responsável conta que o grupo se «sentiu enxovalhado»» e daí ter decidido avançar com a acção judicial. «Como é que um grupo que desfila em penúltimo lugar, num total de 24, pode atrasar um corso?», questiona.
Como as Joanas não têm personalidade jurídica, a acção foi movida pelos 58 elementos do grupo. O processo que deu entrada em tribunal e que já foi contestado pela fundação, destaca o currículo da formação carnavalesca: nove vitórias em 15 anos de vida: «Modéstia à parte, o nosso grupo trouxe um brilho aos grupos de passerelle, mudando a forma de actuar, de desfilar e de vestir», refere Ana Azevedo, outro elemento do grupo.
Este ano, ganharam o primeiro prémio na sua categoria, com uma homenagem à sétima arte. As 58 mulheres vestiram-se à anos 50. «O desfile deste ano correu mal e, portanto, a fundação tiveram que encontrar um bode expiatório», remata Ana Azevedo.
O presidente da Fundação do Carnaval de Ovar, José Américo, não quis comentar o caso. «Lamento e não faço mais declarações. O processo está em tribunal, a fundação vai defender-se e estamos já a pensar no Carnaval de 2007», disse.
(in «Público» de hoje)
«Fomos apanhadas de surpresa. Tivemos conhecimento da intenção da fundação através de uma carta. Em 54 anos de carnaval, nunca tinha havido este tipo de precedente, é uma situação inédita», adianta Laurentina Coutninho, delegada das «Joanas».
A responsável conta que o grupo se «sentiu enxovalhado»» e daí ter decidido avançar com a acção judicial. «Como é que um grupo que desfila em penúltimo lugar, num total de 24, pode atrasar um corso?», questiona.
Como as Joanas não têm personalidade jurídica, a acção foi movida pelos 58 elementos do grupo. O processo que deu entrada em tribunal e que já foi contestado pela fundação, destaca o currículo da formação carnavalesca: nove vitórias em 15 anos de vida: «Modéstia à parte, o nosso grupo trouxe um brilho aos grupos de passerelle, mudando a forma de actuar, de desfilar e de vestir», refere Ana Azevedo, outro elemento do grupo.
Este ano, ganharam o primeiro prémio na sua categoria, com uma homenagem à sétima arte. As 58 mulheres vestiram-se à anos 50. «O desfile deste ano correu mal e, portanto, a fundação tiveram que encontrar um bode expiatório», remata Ana Azevedo.
O presidente da Fundação do Carnaval de Ovar, José Américo, não quis comentar o caso. «Lamento e não faço mais declarações. O processo está em tribunal, a fundação vai defender-se e estamos já a pensar no Carnaval de 2007», disse.
(in «Público» de hoje)
quinta-feira, julho 27, 2006
Merece palmas
Relação dá razão ao jornal
«24 Horas» no «envelope 9»
- O Tribunal da Relação de Lisboa considera nula a apreensão de computadores de jornalistas do «24 Horas», no âmbito do inquérito promovido pelo Ministério Público para investigação do chamado caso do »Envelope 9». («JN»)
Relação dá razão ao jornal
«24 Horas» no «envelope 9»
- O Tribunal da Relação de Lisboa considera nula a apreensão de computadores de jornalistas do «24 Horas», no âmbito do inquérito promovido pelo Ministério Público para investigação do chamado caso do »Envelope 9». («JN»)
quarta-feira, julho 26, 2006
Voyage, voyage
Lembrei-me desta cantiga da francesa Desiréless que animou um dos Verões dos anos 80. Tudo por causa desta notícia.
Lembrei-me desta cantiga da francesa Desiréless que animou um dos Verões dos anos 80. Tudo por causa desta notícia.
terça-feira, julho 25, 2006
Justa homenagem

A inauguração do monumento de tributo do povo de Ovar a Santa Camarão foi o ponto alto das comemorações do Dia do Município. O pugilista vareiro fica agora imortalizado na praça baptizada com o seu nome, junto à casa onde viveu.
A autarquia escolheu o artista Emerenciano, natural de Ovar e vizinho de José Santa, que concebeu um monumento original, pleno de significado e emoção.
(Na imagem, são visíveis o vereador José Américo, o presidente da junta de Ovar, Joaquim Barbosa, Emerenciano e o presidente da Câmara Municipal de Ovar, Manuel de Oliveira)
A inauguração do monumento de tributo do povo de Ovar a Santa Camarão foi o ponto alto das comemorações do Dia do Município. O pugilista vareiro fica agora imortalizado na praça baptizada com o seu nome, junto à casa onde viveu.
A autarquia escolheu o artista Emerenciano, natural de Ovar e vizinho de José Santa, que concebeu um monumento original, pleno de significado e emoção.
(Na imagem, são visíveis o vereador José Américo, o presidente da junta de Ovar, Joaquim Barbosa, Emerenciano e o presidente da Câmara Municipal de Ovar, Manuel de Oliveira)
segunda-feira, julho 24, 2006
Santa Camarão, Herói do Imaginário Popular
José Soares Santa merece esta abordagem, pelo que significou e continua a significar, enquanto exemplo de indivíduo tenaz mas com princípios, que idealizou e construiu uma carreira em contexto adverso. Falar de Santa “Camarão”, cem anos depois do seu nascimento, é , parece-me, uma necessidade para todos os que reflectem sobre o desenvolvimento civilizacional e defendem um futuro, onde valores como a fraternidade e o espírito desportivo proporcionem saudáveis e harmoniosas cumplicidades, sociabilidades com respiração à escala humana, das quais resultem cidadãos empenhados e criativos.
Falar de Santa “Camarão” hoje é dar a conhecer aos jovens de agora o percurso de um atleta que, num tempo de poucos recursos conquistou um lugar cimeiro no boxe, de prestígio e dignidade, respeitando os adversários e contribuíndo para reforçar a auto-estima dos portugueses emigrados na América, enfrentando os campeões de então, com melhor preparação técnica, muitos dos quais venceu no ringue.
VIDA E CARREIRA DE UM PORTUGUÊS LENDÁRIO
José Soares Santa, “Camarão” por alcunha de família, é um filho dilecto de Ovar: consagrado na toponímia, no museu local, no espólio fotográfico e de recortes guardados na Biblioteca Municipal, na Imprensa e na memória dos vareiros.
Nascido no dia de Natal de 1902, na mesma casa morreu em 5 de Abril de 1968, após uma existência aventurosa, repartida por Lisboa, Brasil, Berlim e Estados Unidos da América...
Foram sessenta e cinco anos de uma intensa existência que o trouxe à capital para aprender o árduo trabalho de fragateiro, ofício de seu pai e de um tio, ou seja estivador de fragatas, barcos do Tejo.
Nos anos 10, com algum desconforto por ser grande- em homem atingirá 2 metros e 2 centímetros de altura e terá 49,5 de pé- o adolescente sofreu com esse gigantismo, que o tornou aos olhos das pessoas com quem tinha de cruzar-se em terra, durante o desempenho de recados, uma espécie de atracção de circo, um fenómeno motivador da chacota de um povo, que ainda agora paralisa estradas para ver os despojos dos acidentes...
Uma ida ao Coliseu encaminhou-o para a escolha: se o público aplaudia, respeitava e delirava com indivíduos grandes e grotescos em exibição, então queria ser como eles.
Após uma breve incursão na luta, dedicou-se ao boxe. Rapidamente, em meados dos anos 20 tornou-se campeão nacional de todas as categorias da modalidade, título que manteve consecutivamente durante sete anos.
Partiu para o Brasil em 1926, mas esta primeira experiência internacional foi mais benéfica para empresários oportunistas que se serviram da sua humildade e lealdade para o explorar, tentando auferir chorudos proventos à sua custa, em detrimento de uma preparação física adequada que lhe proporcionaria outros resultados. Mesmo assim, José Santa não esmoreceu e sozinho visitou jornais, fazendo o seu próprio marketing e tratando ele mesmo de alguns contratos, dispensando intermediários.
Em 1929 atreveu-se a desafiar o campeão europeu, o belga Pierre Charles, que aceitou o combate num Campo Pequeno pejado de adeptos.
Sem conseguir o troféu, mas averbando um dos melhores momentos da sua carreira, José Santa estreou-se na 7ª arte, integrando o elenco da primeira película onde a língua portuguesa foi falada em cinema: “Amor no Ringue”, realizado por Reinhold Schuntzel, cujo protagonista seria campeão do Mundo e ídolo de Hitler: Max Schmeling.
Infelizmente a nossa Cinemateca, para onde escrevi em Janeiro deste ano, propondo um ciclo de boxe no cinema, perdeu uma excelente oportunidade de homenagear e dar a conhecer o nosso pugilista...
Entre Julho de 1930 e o Outono de 34, Santa tornou-se num espantoso símbolo de portugalidade para a Comunidade emigrada na Califórnia, que lhe prestou as mais emocionadas homenagens promovendo em sua honra chás dançantes, banquetes e outros encontros sociais que contaram sempre com a presença do boxeur.
Alvo de poemas exacerbados, casou com Mary Loreto, uma luso americana, em 1932, e além de participar noutro filme, protagonizado por Mirna Loy e Max Baer, campeão americano de boxe (The Prizfighter and the Lady”), enfrentou, após uma sucessão de vitórias estrondosas, o próprio Baer e o colosso Primo Carnera, campeão da Itália, que tinha menos 1 cm de altura e era conhecido como “a montanha que anda”, futuros campeões mundiais.
No regresso a Ovar, onde teve uma curta experiência de proprietário de um café, Santa foi pai de Renaldo, levado pela mãe para os EUA aos 14 anos e que tive o privilégio de entrevistar na cidade vareira.
Apesar de uma vivência discreta, não foi esquecido por alguns jornalistas como João Sarabando e participou com entusiasmo no Carnaval de Ovar ao longo da década de 50.
Aparições em festas de beneficência, visitas regulares de admiradores e o civismo da sua personalidade serena, deixaram uma lembrança carinhosa que os seus contemporâneos sublinharam, quando cheguei a Ovar, incumbido pela Câmara Municipal de Lisboa, de fazer a sua biografia, e comecei a tentar descobrir quem foi Santa “Camarão”...
HERÓI DESPORTIVO
Para compreender os processos da criação de um herói do imaginário popular,- no caso de José Santa, herói desportivo- importa saber que conjuntura propiciou o seu surgimento.
A aprofundada pesquisa bibliográfica, fotográfica, iconográfica, os testemunhos orais de conterrâneos do atleta (grupos e indivíduos, gente anónima e notáveis) e até de familiares, como o filho Renaldo Santa, a vasta troca de impressões e correspondência com o historiador dr. Manuel Bernardo, funcionário da Câmara Municipal de Ovar, permitiram-me arriscar uma hipótese de trabalho acerca das circunstâncias que contribuíram para a organização da carreira, que passo a explanar:
- As origens modestas e o desejo de ascensão para poder proporcionar uma vida desafogada aos pais (efectivamente, o boxe realiza mais facilmente o acesso ao estrelato dos jovens das classes desfavorecidas, para escapar a uma vida problemática. Neste sentido, filmes, biografias e obras como “Corps et Âme. Carnets Ethnographiques d’un Apprenti Boxeur” de Loïc Wacquant, permitem testemunhar esta ideia) ;
- Os triunfos iniciais aparatosos (7º ao 2º round, 3 ao 3º e 2 ao 1º, havendo apenas em 19 combates dois que se disputaram até ao 10º round. 1 até ao 12º e 2 que acabaram, respectivamente, ao 4º e 6º ), todos travados com adversários estrangeiros: 9 franceses, 2 ingleses, 1 belga, 1 espanhol, 1 polaco, 1 húngaro e 1 americano, obtendo 17 vitórias- sendo as primeiras onze e as últimas cinco sucessivas- 1 match nulo e 1 derrota por pontos;
- A admiração do público, ávido de emoções fortes;
- O corpo e a energia de José Santa;
- A afabilidade e correcção desportiva, geradores da simpatia dos espectadores e dos repórteres;
- A imagem que a Imprensa transmitiu;
- O desmoronamento de valores instituídos, que produz fenómenos de transferência, criando no imaginário popular heróis mais próximos das pessoas.
Tendo em conta o conteúdo histórico, ocorre perguntar como foi possível a carreira nessa época?
Face aos dados recolhidos, podemos considerar vários factores, tais como:
- A história de vida humilde de José Soares Santa, cuja identificação encontrou no povo, não obstante a compleição física distinta, o feed-back que o elevou à categoria de herói;
-O físico e a força surpreendentes, num tempo em que se apreciavam nos recintos de feiras e circos exibições de homens descomunais;
-A escassez de adversários portugueses, à altura, e a consequente necessidade de projecção internacional, desafiando os categorizados Pierre Charles, campeão europeu e o campeão de Itália, futuro campeão mundial, Primo Carnera, o que amplificou o fenómeno;
-A crise sócio- económica. É sabido que o aparecimento destes ídolos tem mais impacto quando a sociedade está em crise... Ex: o moçambicano Eusébio apareceu décadas depois, no início da Guerra Colonial, sendo utilizado pelo regime salazarista na sua propaganda em prol do império multirracial;
-A ascensão do boxe nos anos vinte como consequência da diminuição do indivíduo face à Sociedade (Joyce Carol Oates, in “O Boxe”);
-“O entusiasmo dos portugueses com exteriorizações de coragem e destemor, que apreciam os momentos emotivos, onde haja temeridade e impulsivismo, audácia, valentia e actos irreflectidos de heroicidade, é propício à aparição de um super-homem, pois vive imaginosamente das aventuras maravilhosas da idade média e das loucuras quase lendárias dos descobrimentos marítimos” (José Pontes, in “Quási um Século de Desporto Português”);
-O tratamento jornalístico do personagem por parte de articulistas como Rafael Barradas;
-O cuidado posto por Santa Camarão, relativamente à divulgação dos seus feitos e da sua personalidade em autobiografia (“A Vida de José santa contada por ele mesmo”) e na Imprensa da época, visitando as redacções, concedendo entrevistas, alimentando os jornais e revistas com fotos autografadas e notícias referentes às suas performances;
-O envolvimento das associações e dos jornais dos emigrantes luso-americanos;
- O convite do empresário Palhares ao manager Cal para apresentar José Santa no Brasil;
-O conhecimento com o manager Berty’s Perry, que o levou à América;
-A participação no cinema em Berlim e em Hollywood.
Desenrolando-se nos EUA uma parte substancial da carreira de Santa Camarão, que durou nove anos, entre 25 e 34, algumas pistas permitem responder a uma terceira questão: Porque razão foi considerado símbolo da identidade nacional na comunidade luso-americana?
-A eufórica sucessão de 12 vitórias no início da sua estadia na América, assim como o total de 32 combates triunfantes, colocaram-no numa posição de ídolo desportivo, que as qualidades humanas reforçaram e popularizaram;
-A imprensa luso-americana concedeu-lhe um estatuto de semi-deus e novo Viriato, que arrebatou os adeptos;
-Os emigrantes, nos seus jornais e clubes e nas mais variadas iniciativas encararam-no como uma figura de eleição, merecedor de todos os encómios, na medida em que consideraram as vitórias do gigante português sinais de uma identidade guerreira à procura de estímulos para enfrentar vitoriosamente todas as adversidades decorrentes do facto de serem obrigados a viver ausentes da Pátria;
-A veneração do mito actualizou a admiração pelos heróis do passado, transferindo para este virtudes que integram os traços identitários de um imaginário popular;
-A "colagem" dos cônsules à exaltação popular da figura de José Santa reforçou a eficácia do símbolo.
Não terá sido então por acaso que o azeite da marca “Triunfante”, consumido nas residências dos portugueses emigrados na América, ostentasse nas latas de folha onde era comercializado a efígie do pugilista a fazer músculo, sendo rebaptizado de azeite “Santa”.
Não terá sido também por acaso que os músicos ceguinhos, que andavam de rua em rua a cantar fados, vendendo literatura de cordel sobre acontecimentos fatídicos ou situações caricatas em verso, tenham deixado na memória de lisboetas septuagenários a seguinte sextilha:
José Santa “Camarão”
No mundo foi campeão
Por ter uns pés delicados.
Também a Ilda Fernandes
Por ter umas mamas grandes
Foi rainha dos mercados.
*Excertos de uma conferência de Luís Maçarico, apresentada em 11 de Setembro de 2003, na Biblioteca Municipal D. Dinis, Odivelas. A sua tese de mestrado aborda "Os Processos de Construção de um Herói do Imaginário Popular"
(foto: capa da revista "Stadium", anos 20-30; Texto: «Águas do Sul»)
José Soares Santa merece esta abordagem, pelo que significou e continua a significar, enquanto exemplo de indivíduo tenaz mas com princípios, que idealizou e construiu uma carreira em contexto adverso. Falar de Santa “Camarão”, cem anos depois do seu nascimento, é , parece-me, uma necessidade para todos os que reflectem sobre o desenvolvimento civilizacional e defendem um futuro, onde valores como a fraternidade e o espírito desportivo proporcionem saudáveis e harmoniosas cumplicidades, sociabilidades com respiração à escala humana, das quais resultem cidadãos empenhados e criativos.Falar de Santa “Camarão” hoje é dar a conhecer aos jovens de agora o percurso de um atleta que, num tempo de poucos recursos conquistou um lugar cimeiro no boxe, de prestígio e dignidade, respeitando os adversários e contribuíndo para reforçar a auto-estima dos portugueses emigrados na América, enfrentando os campeões de então, com melhor preparação técnica, muitos dos quais venceu no ringue.
VIDA E CARREIRA DE UM PORTUGUÊS LENDÁRIO
José Soares Santa, “Camarão” por alcunha de família, é um filho dilecto de Ovar: consagrado na toponímia, no museu local, no espólio fotográfico e de recortes guardados na Biblioteca Municipal, na Imprensa e na memória dos vareiros.
Nascido no dia de Natal de 1902, na mesma casa morreu em 5 de Abril de 1968, após uma existência aventurosa, repartida por Lisboa, Brasil, Berlim e Estados Unidos da América...
Foram sessenta e cinco anos de uma intensa existência que o trouxe à capital para aprender o árduo trabalho de fragateiro, ofício de seu pai e de um tio, ou seja estivador de fragatas, barcos do Tejo.
Nos anos 10, com algum desconforto por ser grande- em homem atingirá 2 metros e 2 centímetros de altura e terá 49,5 de pé- o adolescente sofreu com esse gigantismo, que o tornou aos olhos das pessoas com quem tinha de cruzar-se em terra, durante o desempenho de recados, uma espécie de atracção de circo, um fenómeno motivador da chacota de um povo, que ainda agora paralisa estradas para ver os despojos dos acidentes...
Uma ida ao Coliseu encaminhou-o para a escolha: se o público aplaudia, respeitava e delirava com indivíduos grandes e grotescos em exibição, então queria ser como eles.
Após uma breve incursão na luta, dedicou-se ao boxe. Rapidamente, em meados dos anos 20 tornou-se campeão nacional de todas as categorias da modalidade, título que manteve consecutivamente durante sete anos.
Partiu para o Brasil em 1926, mas esta primeira experiência internacional foi mais benéfica para empresários oportunistas que se serviram da sua humildade e lealdade para o explorar, tentando auferir chorudos proventos à sua custa, em detrimento de uma preparação física adequada que lhe proporcionaria outros resultados. Mesmo assim, José Santa não esmoreceu e sozinho visitou jornais, fazendo o seu próprio marketing e tratando ele mesmo de alguns contratos, dispensando intermediários.
Em 1929 atreveu-se a desafiar o campeão europeu, o belga Pierre Charles, que aceitou o combate num Campo Pequeno pejado de adeptos.
Sem conseguir o troféu, mas averbando um dos melhores momentos da sua carreira, José Santa estreou-se na 7ª arte, integrando o elenco da primeira película onde a língua portuguesa foi falada em cinema: “Amor no Ringue”, realizado por Reinhold Schuntzel, cujo protagonista seria campeão do Mundo e ídolo de Hitler: Max Schmeling.
Infelizmente a nossa Cinemateca, para onde escrevi em Janeiro deste ano, propondo um ciclo de boxe no cinema, perdeu uma excelente oportunidade de homenagear e dar a conhecer o nosso pugilista...
Entre Julho de 1930 e o Outono de 34, Santa tornou-se num espantoso símbolo de portugalidade para a Comunidade emigrada na Califórnia, que lhe prestou as mais emocionadas homenagens promovendo em sua honra chás dançantes, banquetes e outros encontros sociais que contaram sempre com a presença do boxeur.
Alvo de poemas exacerbados, casou com Mary Loreto, uma luso americana, em 1932, e além de participar noutro filme, protagonizado por Mirna Loy e Max Baer, campeão americano de boxe (The Prizfighter and the Lady”), enfrentou, após uma sucessão de vitórias estrondosas, o próprio Baer e o colosso Primo Carnera, campeão da Itália, que tinha menos 1 cm de altura e era conhecido como “a montanha que anda”, futuros campeões mundiais.
No regresso a Ovar, onde teve uma curta experiência de proprietário de um café, Santa foi pai de Renaldo, levado pela mãe para os EUA aos 14 anos e que tive o privilégio de entrevistar na cidade vareira.
Apesar de uma vivência discreta, não foi esquecido por alguns jornalistas como João Sarabando e participou com entusiasmo no Carnaval de Ovar ao longo da década de 50.
Aparições em festas de beneficência, visitas regulares de admiradores e o civismo da sua personalidade serena, deixaram uma lembrança carinhosa que os seus contemporâneos sublinharam, quando cheguei a Ovar, incumbido pela Câmara Municipal de Lisboa, de fazer a sua biografia, e comecei a tentar descobrir quem foi Santa “Camarão”...
HERÓI DESPORTIVO
Para compreender os processos da criação de um herói do imaginário popular,- no caso de José Santa, herói desportivo- importa saber que conjuntura propiciou o seu surgimento.
A aprofundada pesquisa bibliográfica, fotográfica, iconográfica, os testemunhos orais de conterrâneos do atleta (grupos e indivíduos, gente anónima e notáveis) e até de familiares, como o filho Renaldo Santa, a vasta troca de impressões e correspondência com o historiador dr. Manuel Bernardo, funcionário da Câmara Municipal de Ovar, permitiram-me arriscar uma hipótese de trabalho acerca das circunstâncias que contribuíram para a organização da carreira, que passo a explanar:
- As origens modestas e o desejo de ascensão para poder proporcionar uma vida desafogada aos pais (efectivamente, o boxe realiza mais facilmente o acesso ao estrelato dos jovens das classes desfavorecidas, para escapar a uma vida problemática. Neste sentido, filmes, biografias e obras como “Corps et Âme. Carnets Ethnographiques d’un Apprenti Boxeur” de Loïc Wacquant, permitem testemunhar esta ideia) ;
- Os triunfos iniciais aparatosos (7º ao 2º round, 3 ao 3º e 2 ao 1º, havendo apenas em 19 combates dois que se disputaram até ao 10º round. 1 até ao 12º e 2 que acabaram, respectivamente, ao 4º e 6º ), todos travados com adversários estrangeiros: 9 franceses, 2 ingleses, 1 belga, 1 espanhol, 1 polaco, 1 húngaro e 1 americano, obtendo 17 vitórias- sendo as primeiras onze e as últimas cinco sucessivas- 1 match nulo e 1 derrota por pontos;
- A admiração do público, ávido de emoções fortes;
- O corpo e a energia de José Santa;
- A afabilidade e correcção desportiva, geradores da simpatia dos espectadores e dos repórteres;
- A imagem que a Imprensa transmitiu;
- O desmoronamento de valores instituídos, que produz fenómenos de transferência, criando no imaginário popular heróis mais próximos das pessoas.
Tendo em conta o conteúdo histórico, ocorre perguntar como foi possível a carreira nessa época?
Face aos dados recolhidos, podemos considerar vários factores, tais como:
- A história de vida humilde de José Soares Santa, cuja identificação encontrou no povo, não obstante a compleição física distinta, o feed-back que o elevou à categoria de herói;
-O físico e a força surpreendentes, num tempo em que se apreciavam nos recintos de feiras e circos exibições de homens descomunais;
-A escassez de adversários portugueses, à altura, e a consequente necessidade de projecção internacional, desafiando os categorizados Pierre Charles, campeão europeu e o campeão de Itália, futuro campeão mundial, Primo Carnera, o que amplificou o fenómeno;
-A crise sócio- económica. É sabido que o aparecimento destes ídolos tem mais impacto quando a sociedade está em crise... Ex: o moçambicano Eusébio apareceu décadas depois, no início da Guerra Colonial, sendo utilizado pelo regime salazarista na sua propaganda em prol do império multirracial;
-A ascensão do boxe nos anos vinte como consequência da diminuição do indivíduo face à Sociedade (Joyce Carol Oates, in “O Boxe”);
-“O entusiasmo dos portugueses com exteriorizações de coragem e destemor, que apreciam os momentos emotivos, onde haja temeridade e impulsivismo, audácia, valentia e actos irreflectidos de heroicidade, é propício à aparição de um super-homem, pois vive imaginosamente das aventuras maravilhosas da idade média e das loucuras quase lendárias dos descobrimentos marítimos” (José Pontes, in “Quási um Século de Desporto Português”);
-O tratamento jornalístico do personagem por parte de articulistas como Rafael Barradas;
-O cuidado posto por Santa Camarão, relativamente à divulgação dos seus feitos e da sua personalidade em autobiografia (“A Vida de José santa contada por ele mesmo”) e na Imprensa da época, visitando as redacções, concedendo entrevistas, alimentando os jornais e revistas com fotos autografadas e notícias referentes às suas performances;
-O envolvimento das associações e dos jornais dos emigrantes luso-americanos;
- O convite do empresário Palhares ao manager Cal para apresentar José Santa no Brasil;
-O conhecimento com o manager Berty’s Perry, que o levou à América;
-A participação no cinema em Berlim e em Hollywood.
Desenrolando-se nos EUA uma parte substancial da carreira de Santa Camarão, que durou nove anos, entre 25 e 34, algumas pistas permitem responder a uma terceira questão: Porque razão foi considerado símbolo da identidade nacional na comunidade luso-americana?
-A eufórica sucessão de 12 vitórias no início da sua estadia na América, assim como o total de 32 combates triunfantes, colocaram-no numa posição de ídolo desportivo, que as qualidades humanas reforçaram e popularizaram;
-A imprensa luso-americana concedeu-lhe um estatuto de semi-deus e novo Viriato, que arrebatou os adeptos;
-Os emigrantes, nos seus jornais e clubes e nas mais variadas iniciativas encararam-no como uma figura de eleição, merecedor de todos os encómios, na medida em que consideraram as vitórias do gigante português sinais de uma identidade guerreira à procura de estímulos para enfrentar vitoriosamente todas as adversidades decorrentes do facto de serem obrigados a viver ausentes da Pátria;
-A veneração do mito actualizou a admiração pelos heróis do passado, transferindo para este virtudes que integram os traços identitários de um imaginário popular;
-A "colagem" dos cônsules à exaltação popular da figura de José Santa reforçou a eficácia do símbolo.
Não terá sido então por acaso que o azeite da marca “Triunfante”, consumido nas residências dos portugueses emigrados na América, ostentasse nas latas de folha onde era comercializado a efígie do pugilista a fazer músculo, sendo rebaptizado de azeite “Santa”.
Não terá sido também por acaso que os músicos ceguinhos, que andavam de rua em rua a cantar fados, vendendo literatura de cordel sobre acontecimentos fatídicos ou situações caricatas em verso, tenham deixado na memória de lisboetas septuagenários a seguinte sextilha:
José Santa “Camarão”
No mundo foi campeão
Por ter uns pés delicados.
Também a Ilda Fernandes
Por ter umas mamas grandes
Foi rainha dos mercados.
*Excertos de uma conferência de Luís Maçarico, apresentada em 11 de Setembro de 2003, na Biblioteca Municipal D. Dinis, Odivelas. A sua tese de mestrado aborda "Os Processos de Construção de um Herói do Imaginário Popular"
(foto: capa da revista "Stadium", anos 20-30; Texto: «Águas do Sul»)
Comemorações do Dia do Município
de Ovar decorrem amanhã

Amanhã, dia 25 de Julho, terça-feira, Ovar comemora o Dia do Município. Para celebrar este dia, a Câmara Municipal preparou um vasto programa, do qual se destacam a homenagem a Santa Camarão, a inauguração da empreitada de remodelação da Escola do 1º Ciclo da EB da Vinha em Esmoriz e a sessão solene.
Programa do Dia do Município
10h00: Guarda de honra pelas corporações de bombeiros do Concelho, na Praça da República;
10h30: Sessão Solene no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho;
11h30: Homenagem a Santa Camarão;
12h30 Inauguração da Empreitada de Remodelação da Escola do 1º Ciclo da EB da Vinha, em Esmoriz;
21h45: Concerto Magno de União de Coros, com o Grupo Coral de Esmoriz, Orfeão da Feira e o Coral de Gulpilhares, no Palácio da Justiça.
de Ovar decorrem amanhã
Amanhã, dia 25 de Julho, terça-feira, Ovar comemora o Dia do Município. Para celebrar este dia, a Câmara Municipal preparou um vasto programa, do qual se destacam a homenagem a Santa Camarão, a inauguração da empreitada de remodelação da Escola do 1º Ciclo da EB da Vinha em Esmoriz e a sessão solene.
Programa do Dia do Município
10h00: Guarda de honra pelas corporações de bombeiros do Concelho, na Praça da República;
10h30: Sessão Solene no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho;
11h30: Homenagem a Santa Camarão;
12h30 Inauguração da Empreitada de Remodelação da Escola do 1º Ciclo da EB da Vinha, em Esmoriz;
21h45: Concerto Magno de União de Coros, com o Grupo Coral de Esmoriz, Orfeão da Feira e o Coral de Gulpilhares, no Palácio da Justiça.
domingo, julho 23, 2006
Plágio afecta teses e obras literárias,
tendo na Internet uma auxiliar
Os plágios, com exemplos nas teses e nas obras literárias, são uma "dor de cabeça" para os professores portugueses e têm conseguido manchar o nome de vários estabelecimentos de ensino e de autores consagrados.
Na opinião de Mário Cláudio, escritor e docente na Universidade Católica do Porto, o problema passa pelo facto de "a questão da autoria estar em decadência", mas é agravado pela facilidade com que hoje se faz um "copy-paste" a partir da Internet.
"É muito difícil controlar os plágios nesta era das novas tecnologias, sobretudo porque os professores têm tantos alunos que não chegam a conhecê-los bem, sendo difícil avaliar se um determinado trabalho foi ou não escrito por um determinado estudante", apontou.
"Tive uma situação de plágio na Escola Superior de Jornalismo do Porto, onde dei aulas, e anulei o trabalho, mas reconheço que me podia ter escapado, pois nenhum professor pode estar inteiramente seguro", disse.
Para o escritor portuense, "trata-se acima de tudo de uma questão de ética", mas o problema "afecta até figuras públicas, como sucedeu há uns anos [Fevereiro de 2003] com uma escritora portuguesa [Clara Pinto Correia] que copiou um artigo de uma publicação estrangeira [The New Yorker], o que constitui um plágio grosseiro".
O caso português registou-se dois anos após as acusações de plágio a Camilo José Cela e três anos antes das que visaram Dan Brown.
Em Março de 2001, o autor espanhol Camilo José Cela, distinguido com o Nobel da Literatura em 1989, foi acusado de copiar, quase literalmente, textos do jornal "La Voz da Galicia" para o seu livro "A Cruz de Santo André".
Este ano, em Abril, o escritor norte-americano Dan Brown, autor de "O Código Da Vinci", foi ilibado num processo em que Michael Baigent e Richard Leigh, autores de "O Sangue de Cristo e o Santo Graal", o acusavam de ter copiado ideias da obra que haviam publicado.
Na ficção ou no meio académico, os plágios são situações que se revestem sempre de particular delicadeza, como sublinhou à agência Lusa o professor José Rebelo, do departamento de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).
"Quando se conclui que um aluno agiu com intenção, a relação de confiança entre o orientador e o orientando e entre o candidato e a instituição fica ferida, mas convém perceber primeiro se o estudante não procedeu por desconhecimento, nomeadamente por não saber os limites da citação, o que também se verifica", esclareceu.
"Deparei-me com um caso numa licenciatura, antes do acto público de defesa da tese, e chamei a pessoa à parte", referiu o docente, para quem, com a Internet, os plágios se tornaram "cada vez mais fáceis para os alunos e mais difíceis de controlar para os professores, embora estes disponham de algumas formas de os detectar".
Outra situação foi recordada por Regina Marques, professora no curso de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Setúbal.
"Tivemos uma situação em 1995, com uma aluna que frequentava o terceiro ano e que entregou um trabalho acabado de outra pessoa", recordou, indicando que, para resolver "o episódio embaraçoso", foi organizado um pequeno júri "e a aluna teve de refazer o trabalho".
"Há universidades no estrangeiro em que o plágio dá origem à expulsão do aluno, mas não tomámos outras medidas porque o regulamento da escola não o previa e porque não queríamos condenar a aluna, mas foi uma decepção em relação ao seu carácter", afirmou Regina Marques.
Para esta docente, "a técnica do `corte e costura' a partir de textos retirados da Net está a tornar-se cada vez mais frequente", pelo que "talvez valesse a pena explicar aos estudantes porque é que o plágio é errado, embora no ensino superior isso já devesse ser óbvio".
Começar mais cedo a esclarecer os alunos sobre a gravidade do plágio, uma vez que não é só nas universidades que a questão se põe, podia ser uma solução, mas Mafalda Afonso, professora de Psicologia e Filosofia na Escola Secundária Miguel Torga, em Massamá, tem dúvidas.
"É claro que os professores podem sempre alertar nas aulas, mas nem todos os alunos terão igual sensibilidade para a ética, além de que, ao verem-se aflitos, muitos estudantes não resistem a enveredar pelo caminho mais fácil", declarou.
Segundo Mafalda Afonso, "a Internet tornou-se uma ferramenta de pesquisa tão exclusiva que os estudantes já nem consultam livros ou jornais, mas, se ela facilita o `copy-paste', também ajuda os professores a procurarem marcas das fraudes, até porque, devido a isso, os alunos chegam a entregar textos em português do Brasil".
Para contornar o problema, esta professora mudou de método:
"Passei a valorizar a apresentação em aula, onde posso avaliar a capacidade crítica dos alunos, em detrimento do trabalho escrito".
Não ter noção de que o plágio é um crime que lesa os direitos de autor - ou ter essa percepção e mesmo assim concretizá-lo - é um drama que a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) também conhece.
No caso da música há plágio a partir da repetição de um certo número de compassos, "mas na literatura pode ser menos evidente" explicou José Jorge Letria, vice-presidente da SPA, à agência Lusa.
"A questão do plágio só se tem levantado quando um autor da SPA pede a nossa intervenção, sendo então nomeada uma comissão técnica, composta por escritores, que avalia questões de estilo para ver se se justifica avançar com um processo".
Apesar de não haver razão para alarme - pois as acusações de plágio nunca excedem as duas ou três por ano - José Jorge Letria assinalou que "essas ocorrências se tornam mais constrangedoras quando o acusado também é associado da SPA, o que já aconteceu".
Helena de Sousa Freitas, da Agência Lusa.
tendo na Internet uma auxiliar
Os plágios, com exemplos nas teses e nas obras literárias, são uma "dor de cabeça" para os professores portugueses e têm conseguido manchar o nome de vários estabelecimentos de ensino e de autores consagrados.
Na opinião de Mário Cláudio, escritor e docente na Universidade Católica do Porto, o problema passa pelo facto de "a questão da autoria estar em decadência", mas é agravado pela facilidade com que hoje se faz um "copy-paste" a partir da Internet.
"É muito difícil controlar os plágios nesta era das novas tecnologias, sobretudo porque os professores têm tantos alunos que não chegam a conhecê-los bem, sendo difícil avaliar se um determinado trabalho foi ou não escrito por um determinado estudante", apontou.
"Tive uma situação de plágio na Escola Superior de Jornalismo do Porto, onde dei aulas, e anulei o trabalho, mas reconheço que me podia ter escapado, pois nenhum professor pode estar inteiramente seguro", disse.
Para o escritor portuense, "trata-se acima de tudo de uma questão de ética", mas o problema "afecta até figuras públicas, como sucedeu há uns anos [Fevereiro de 2003] com uma escritora portuguesa [Clara Pinto Correia] que copiou um artigo de uma publicação estrangeira [The New Yorker], o que constitui um plágio grosseiro".
O caso português registou-se dois anos após as acusações de plágio a Camilo José Cela e três anos antes das que visaram Dan Brown.
Em Março de 2001, o autor espanhol Camilo José Cela, distinguido com o Nobel da Literatura em 1989, foi acusado de copiar, quase literalmente, textos do jornal "La Voz da Galicia" para o seu livro "A Cruz de Santo André".
Este ano, em Abril, o escritor norte-americano Dan Brown, autor de "O Código Da Vinci", foi ilibado num processo em que Michael Baigent e Richard Leigh, autores de "O Sangue de Cristo e o Santo Graal", o acusavam de ter copiado ideias da obra que haviam publicado.
Na ficção ou no meio académico, os plágios são situações que se revestem sempre de particular delicadeza, como sublinhou à agência Lusa o professor José Rebelo, do departamento de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).
"Quando se conclui que um aluno agiu com intenção, a relação de confiança entre o orientador e o orientando e entre o candidato e a instituição fica ferida, mas convém perceber primeiro se o estudante não procedeu por desconhecimento, nomeadamente por não saber os limites da citação, o que também se verifica", esclareceu.
"Deparei-me com um caso numa licenciatura, antes do acto público de defesa da tese, e chamei a pessoa à parte", referiu o docente, para quem, com a Internet, os plágios se tornaram "cada vez mais fáceis para os alunos e mais difíceis de controlar para os professores, embora estes disponham de algumas formas de os detectar".
Outra situação foi recordada por Regina Marques, professora no curso de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Setúbal.
"Tivemos uma situação em 1995, com uma aluna que frequentava o terceiro ano e que entregou um trabalho acabado de outra pessoa", recordou, indicando que, para resolver "o episódio embaraçoso", foi organizado um pequeno júri "e a aluna teve de refazer o trabalho".
"Há universidades no estrangeiro em que o plágio dá origem à expulsão do aluno, mas não tomámos outras medidas porque o regulamento da escola não o previa e porque não queríamos condenar a aluna, mas foi uma decepção em relação ao seu carácter", afirmou Regina Marques.
Para esta docente, "a técnica do `corte e costura' a partir de textos retirados da Net está a tornar-se cada vez mais frequente", pelo que "talvez valesse a pena explicar aos estudantes porque é que o plágio é errado, embora no ensino superior isso já devesse ser óbvio".
Começar mais cedo a esclarecer os alunos sobre a gravidade do plágio, uma vez que não é só nas universidades que a questão se põe, podia ser uma solução, mas Mafalda Afonso, professora de Psicologia e Filosofia na Escola Secundária Miguel Torga, em Massamá, tem dúvidas.
"É claro que os professores podem sempre alertar nas aulas, mas nem todos os alunos terão igual sensibilidade para a ética, além de que, ao verem-se aflitos, muitos estudantes não resistem a enveredar pelo caminho mais fácil", declarou.
Segundo Mafalda Afonso, "a Internet tornou-se uma ferramenta de pesquisa tão exclusiva que os estudantes já nem consultam livros ou jornais, mas, se ela facilita o `copy-paste', também ajuda os professores a procurarem marcas das fraudes, até porque, devido a isso, os alunos chegam a entregar textos em português do Brasil".
Para contornar o problema, esta professora mudou de método:
"Passei a valorizar a apresentação em aula, onde posso avaliar a capacidade crítica dos alunos, em detrimento do trabalho escrito".
Não ter noção de que o plágio é um crime que lesa os direitos de autor - ou ter essa percepção e mesmo assim concretizá-lo - é um drama que a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) também conhece.
No caso da música há plágio a partir da repetição de um certo número de compassos, "mas na literatura pode ser menos evidente" explicou José Jorge Letria, vice-presidente da SPA, à agência Lusa.
"A questão do plágio só se tem levantado quando um autor da SPA pede a nossa intervenção, sendo então nomeada uma comissão técnica, composta por escritores, que avalia questões de estilo para ver se se justifica avançar com um processo".
Apesar de não haver razão para alarme - pois as acusações de plágio nunca excedem as duas ou três por ano - José Jorge Letria assinalou que "essas ocorrências se tornam mais constrangedoras quando o acusado também é associado da SPA, o que já aconteceu".
Helena de Sousa Freitas, da Agência Lusa.
sexta-feira, julho 21, 2006
Canoagem: Europeus sub-23 e juniores
Francisco Oliveira estreia-se
Portugal vai apresentar uma selecção de 16 elementos nos europeus sub-23 e juniores de canoagem, de 27 a 30 de Julho em Atenas, numa comitiva liderada por Emanuel Silva, que defende o título em K1 1.000 metros.
O finalista olímpico de Atenas2004, que tem agora 20 anos, vai tentar repetir o ouro na mesma pista e distância em que surpreendeu o Mundo com o sétimo lugar na final dos Jogos, na altura com 18 anos.
Emanuel Silva vai ser acompanhado ainda por vários jovens que em 2005 conquistaram cinco das nove medalhas que Portugal trouxe do Festival Olímpico da Juventude Europeia (FOJE) em Itália.
Na comitiva lusa destaca-se ainda a dupla K2 Joana Sousa/Helena Rodrigues, que, tal como Emanuel Silva, integra o Projecto Pequim2008 do Comité Olímpico Português: esta equipa foi a duas finais em 2005.
Márcia Costa (K1), uma das principais esperanças da canoagem nacional, cumpre o primeiro ano de júnior e teve no início deste mês a primeira experiência sénior no K4 que disputou os campeonatos da Europa.
A comitiva parte terça-feira (12:50) do Porto para Atenas, via Madrid, numa comitiva liderada pelo presidente da Federação Mário Santos.
Convocados:
- Sub-23:
K1 500 e 1.000: Emanuel Silva (CN Merelim).
K2 500 e 1.000: Filipe Duarte (CN Prado)/David Fernandes (CN Funchal).
C1 500 e 1.000: Francisco Oliveira (ND Ovarense).
K1 500 e 1.000: Teresa Portela (Gemeses).
K2 500 e 1.000: Joana Sousa (CN Crestuma/Helena Rodrigues).
- Juniores:
K2 500: Bruno Valente (Saavedra Guedes)/João Ribeiro (Gemeses).
K2 1.000: Bruno Valente (Saavedera Guedes)/André Santos (CF Coimbra).
K4 500: Guilherme Cabral (CN Sesimbra)/Jorge Castro (CN Prado)/Fernando Pimenta (CN Ponte de Lima)/André Santos (CF Coimbra).
K4 1.000: Guilherme Cabral (CN Sesimbra)/Jorge Castro(CN Prado)/Fernando Pimenta (CN Ponte de Lima)/João Ribeiro (Gemeses).
K1 500 e 1.000: Márcio Costa (CN Prado).
K2 500 e 1.000: Sara Rafael/Inês Esteves (CN Milfontes)
Francisco Oliveira estreia-se
O finalista olímpico de Atenas2004, que tem agora 20 anos, vai tentar repetir o ouro na mesma pista e distância em que surpreendeu o Mundo com o sétimo lugar na final dos Jogos, na altura com 18 anos.
Emanuel Silva vai ser acompanhado ainda por vários jovens que em 2005 conquistaram cinco das nove medalhas que Portugal trouxe do Festival Olímpico da Juventude Europeia (FOJE) em Itália.
Na comitiva lusa destaca-se ainda a dupla K2 Joana Sousa/Helena Rodrigues, que, tal como Emanuel Silva, integra o Projecto Pequim2008 do Comité Olímpico Português: esta equipa foi a duas finais em 2005.
Márcia Costa (K1), uma das principais esperanças da canoagem nacional, cumpre o primeiro ano de júnior e teve no início deste mês a primeira experiência sénior no K4 que disputou os campeonatos da Europa.
A comitiva parte terça-feira (12:50) do Porto para Atenas, via Madrid, numa comitiva liderada pelo presidente da Federação Mário Santos.
Convocados:
- Sub-23:
K1 500 e 1.000: Emanuel Silva (CN Merelim).
K2 500 e 1.000: Filipe Duarte (CN Prado)/David Fernandes (CN Funchal).
C1 500 e 1.000: Francisco Oliveira (ND Ovarense).
K1 500 e 1.000: Teresa Portela (Gemeses).
K2 500 e 1.000: Joana Sousa (CN Crestuma/Helena Rodrigues).
- Juniores:
K2 500: Bruno Valente (Saavedra Guedes)/João Ribeiro (Gemeses).
K2 1.000: Bruno Valente (Saavedera Guedes)/André Santos (CF Coimbra).
K4 500: Guilherme Cabral (CN Sesimbra)/Jorge Castro (CN Prado)/Fernando Pimenta (CN Ponte de Lima)/André Santos (CF Coimbra).
K4 1.000: Guilherme Cabral (CN Sesimbra)/Jorge Castro(CN Prado)/Fernando Pimenta (CN Ponte de Lima)/João Ribeiro (Gemeses).
K1 500 e 1.000: Márcio Costa (CN Prado).
K2 500 e 1.000: Sara Rafael/Inês Esteves (CN Milfontes)
quinta-feira, julho 20, 2006
Curta-metragem de Avanca seleccionada
para festival espanhol
A curta-metragem "Puritas-Path to Dignity", de realizadores portugueses, produzida nos Encontros Internacionais de Cinema de Avança, foi seleccionada para o Festival Internacional de Cinema de Elche, em Espanha, anunciou hoje o Cine- Clube de Avanca.
O filme, realizado por Diogo Carvalho, Eduardo Barbosa, Joana Nunes, Miguel Carvalho, Paulo Abreu e Ricardo Trindade, foi seleccionado para a competição do Festival de Elche, em Espanha, e será exibido dia 25 de Julho no "Gan Teatro" daquela cidade.
A obra foi realizada no decurso do workshop "Ficcionar o horror", integrado nos "Encontros Internacionais de Cinema - AVANCA 2005", tendo como orientador Jeff Burr e como coordenador Nelson Martins.
Igualmente produzida no decorrer do "AVANCA 2005", a curta- metragem de ficção "Boom", realizada pelos participantes no workshop orientado pelo realizador alemão Veit Helmer e coordenado por Erika de Souza, foi também seleccionada para a competição do "Island of Cinema Festival", que decorre até ao final do mês em Itália, estando a entrega de prémios agendada para o dia 29 de Julho.
Os workshops do Festival "AVANCA 06" iniciam-se no dia 26 e abordam vários temas relacionados com a prática do cinema e do audiovisual.
Alguns dos seus orientadores são personalidades como Sylvia Kristel, Picha, Hajdu, Nicanor, Joaquim Pinto, Mestdagh, Raphael Saint- Vincent, Urmas e Boulane.
para festival espanhol
O filme, realizado por Diogo Carvalho, Eduardo Barbosa, Joana Nunes, Miguel Carvalho, Paulo Abreu e Ricardo Trindade, foi seleccionado para a competição do Festival de Elche, em Espanha, e será exibido dia 25 de Julho no "Gan Teatro" daquela cidade.
A obra foi realizada no decurso do workshop "Ficcionar o horror", integrado nos "Encontros Internacionais de Cinema - AVANCA 2005", tendo como orientador Jeff Burr e como coordenador Nelson Martins.
Igualmente produzida no decorrer do "AVANCA 2005", a curta- metragem de ficção "Boom", realizada pelos participantes no workshop orientado pelo realizador alemão Veit Helmer e coordenado por Erika de Souza, foi também seleccionada para a competição do "Island of Cinema Festival", que decorre até ao final do mês em Itália, estando a entrega de prémios agendada para o dia 29 de Julho.
Os workshops do Festival "AVANCA 06" iniciam-se no dia 26 e abordam vários temas relacionados com a prática do cinema e do audiovisual.
Alguns dos seus orientadores são personalidades como Sylvia Kristel, Picha, Hajdu, Nicanor, Joaquim Pinto, Mestdagh, Raphael Saint- Vincent, Urmas e Boulane.
quarta-feira, julho 19, 2006
Pacheco Pereira pirateado
O blogue do social-democrata foi substituído por outro, com anúncios ao Viagra. O autor do site não tem dúvidas: «É um caso de pirataria» e revela que «têm sido muitas as tentativas de deitar abaixo o Abrupto»
Os muitos visitantes habituais do Abrupto, o blogue de Pacheco Pereira, tiveram uma surpresa esta terça-feira, ao aceder ao site. Em vez de encontrarem os comentários do social-democrata, encontraram um blogue diferente, sem textos, e com anúncios a Viagra.
Segundo um texto de Pacheco Pereira publicado esta terça-feira no verdadeiro blogue, que fica visível de vez em quando, «têm sido muitas, e repetidas desde o início, as tentativas de deitar abaixo o Abrupto». Quando escreveu esta explicação, o autor de um dos blogues nacionais mais populares da blogosfera ainda não sabia o motivo da substituição do site, mas não tinha dúvidas de que se tratava de «um caso de pirataria».
Esta manhã, o problema continuava. «Quando acrescento uma nota nova ou refresco uma antiga, o falso Abrupto desaparece, regressando mais tarde», explica Pacheco Pereira, num texto publicado esta quarta-feira. «Não penso ser um problema de password, visto que a mudei mal surgiu a pirataria e a anterior só pode ter sido «roubada» electronicamente», adianta o autor, que garante que «o conteúdo no Blogger (sistema de inserção de textos) parece intacto».
No Abrupto, Pacheco Pereira publica fotografias, imagens de obras de arte, sugestões de leitura e escreve opiniões sobre temas da actualidade, muitas vezes polémicas, o que faz com que o blogue seja lido diariamente por mais de 3500 pessoas.
O blogue do social-democrata foi substituído por outro, com anúncios ao Viagra. O autor do site não tem dúvidas: «É um caso de pirataria» e revela que «têm sido muitas as tentativas de deitar abaixo o Abrupto»
Os muitos visitantes habituais do Abrupto, o blogue de Pacheco Pereira, tiveram uma surpresa esta terça-feira, ao aceder ao site. Em vez de encontrarem os comentários do social-democrata, encontraram um blogue diferente, sem textos, e com anúncios a Viagra.
Segundo um texto de Pacheco Pereira publicado esta terça-feira no verdadeiro blogue, que fica visível de vez em quando, «têm sido muitas, e repetidas desde o início, as tentativas de deitar abaixo o Abrupto». Quando escreveu esta explicação, o autor de um dos blogues nacionais mais populares da blogosfera ainda não sabia o motivo da substituição do site, mas não tinha dúvidas de que se tratava de «um caso de pirataria».
Esta manhã, o problema continuava. «Quando acrescento uma nota nova ou refresco uma antiga, o falso Abrupto desaparece, regressando mais tarde», explica Pacheco Pereira, num texto publicado esta quarta-feira. «Não penso ser um problema de password, visto que a mudei mal surgiu a pirataria e a anterior só pode ter sido «roubada» electronicamente», adianta o autor, que garante que «o conteúdo no Blogger (sistema de inserção de textos) parece intacto».
No Abrupto, Pacheco Pereira publica fotografias, imagens de obras de arte, sugestões de leitura e escreve opiniões sobre temas da actualidade, muitas vezes polémicas, o que faz com que o blogue seja lido diariamente por mais de 3500 pessoas.
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