quarta-feira, julho 01, 2026



Argentina e Cabo Verde: adversários unidos pela história de fé do Negrito Manuel
O Mundial da FIFA está em andamento e, na próxima sexta-feira (3), a Argentina vai enfrentar Cabo Verde, dois países geograficamente distantes, mas com uma figura que os une nas origens da devoção a Nossa Senhora de Luján, padroeira dos argentinos.

Com 72 partidas disputadas na fase de grupos do torneio mundial que está sendo realizado em três lugares, México, EUA e Canadá, é possível dizer que na fé e no futebol não existem fronteiras e que, como Deus, a bola não tem favoritos.

Tanto é assim que, na próxima sexta-feira, nos 16 avos, a Argentina, atual campeã, buscará defender o título conquistado no Catar 2022 contra Cabo Verde, que estreia em campeonatos mundiais e conseguiu passar da fase de grupos com três empates, ficando atrás só da seleção espanhola e deixando a equipe uruguaia pelo caminho.

Cerca de 6,6 mil km quilômetros separam Buenos Aires, capital da Argentina, de Praia, capital de Cabo Verde. Mas existe uma história de fé que une os dois países e que está profundamente enraizada na fé dos argentinos: foi Manuel Costa de los Ríos, o “Negrito Manuel”, escravo nascido no que hoje é território cabo-verdiano, quem guardou fielmente a imagem de Nossa Senhora de Luján depois do milagre que, há 396 anos, deu origem à devoção mais popular do país.

Conta-se que, em 1630 (quase 200 anos antes da fundação do Estado da Argentina), duas imagens da Imaculada Conceição de Nossa Senhora viajavam do Brasil para o que hoje é a província de Santiago del Estero. Depois de descansarem às margens do rio Luján, os transportadores tentaram retomar a viagem, mas os bois que puxavam as carroças se recusaram a se mover.

Depois de várias tentativas, os homens perceberam que, ao retirarem uma das caixas que a carroça transportava, os bois começavam a se mover. Ao abri-la, viram que continha uma imagem de Nossa Senhora, que interpretaram como um sinal: a Mãe havia escolhido ficar ali.

Essa história, conhecida como o milagre de Luján, estaria incompleta sem a participação de Negrito Manuel, escravo que pertencia a Bernabé González Filiano, administrador da fazenda onde o milagre aconteceu.

Investigações realizadas por monsenhor Juan Guillermo Durán, postulador da causa de canonização de Manuel, indicam que Manuel Costa de los Ríos chegou ao rio da Prata como parte de um grupo de escravos de Pernambuco, Brasil, mas nasceu e foi criado nas ilhas de Cabo Verde.

Seu primeiro dono foi o capitão que o trouxe, Andrea Juan, navegador que o batizou com o nome cristão de Manuel. Ele então se tornou propriedade do comerciante e soldado González Filiano, que confiou ao negro Manuel o cuidado da imagem de Nossa Senhora que permaneceu na propriedade depois do milagre.

Com profunda devoção e serviço abnegado, Manuel recebia os fiéis que se aproximavam para venerar a Virgem em uma pequena capela feita de barro e palha, contava-lhes a história do milagre, do qual havia sido testemunha, e ungia os doentes com a cera das velas para curar suas doenças.

Anos depois, a propriedade e a capela caíram em ruínas, então uma fazendeira chamada Ana de Matos pediu a imagem para levá-la para sua propriedade — onde atualmente fica a basílica de Luján — pagando também 250 pesos a Manuel, para que ele continuasse a cuidar de Nossa Senhora.

Nos documentos dessa transação, Manuel foi registrado como propriedade de Nossa Senhora de Luján. Ele pertencia inteiramente à Mãe de Deus, razão pela qual sua frase mais popular é "Eu pertenço só à Virgem".

O seu primeiro proprietário foi o capitão que o trouxe, Andrea Juan, navegador que o batizou com o nome cristão de Manuel. Ele então se tornou propriedade do comerciante e soldado González Filiano, que confiou ao negro Manuel o cuidado da imagem de Nossa Senhora que permaneceu na propriedade depois do milagre.

Com profunda devoção e serviço abnegado, Manuel recebia os fiéis que se aproximavam para venerar a Virgem em uma pequena capela feita de barro e palha, contava-lhes a história do milagre, do qual havia sido testemunha, e ungia os doentes com a cera das velas para curar suas doenças.

Anos depois, a propriedade e a capela caíram em ruínas, então uma fazendeira chamada Ana de Matos pediu a imagem para levá-la para sua propriedade — onde atualmente fica a basílica de Luján — pagando também 250 pesos a Manuel, para que ele continuasse a cuidar de Nossa Senhora.

Nos documentos dessa transação, Manuel foi registrado como propriedade de Nossa Senhora de Luján. Ele pertencia inteiramente à Mãe de Deus, razão pela qual sua frase mais popular é "Eu pertenço só à Virgem". https://www.ovarnews.pt/argentina-e-cabo-verde-adversarios-unidos-pela-historia-de-fe-do-negrito-manuel/

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