sábado, julho 04, 2026



Miguel De estreia filme sobre amor, folclore e identidade
O artista multidisciplinar vareiro Miguel De estreou o seu mais recente filme, "O Meu Amor do Rancho" (Of Love and Folklore), na Competição Nacional do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema, um dos mais prestigiados festivais de cinema do país.


Natural de Ovar e atualmente a residir em Braga, Miguel De desenvolve um percurso artístico que cruza a fotografia, a escrita, a música e o vídeo. É mestre em Fotografia pela Universidade Católica Portuguesa e licenciado em Cinema e Audiovisual pela Escola Superior Artística do Porto.


Ao longo dos últimos anos, o artista tem explorado nas suas obras temas ligados à experiência queer, à melancolia, ao estigma e à representação, interessando-se mais recentemente pelas questões da identidade e da mitologia nacionais portuguesas.


O filme "O Meu Amor do Rancho", com a duração de 18 minutos, foi criado a partir de uma encomenda do festival Encontros da Imagem e apresenta-se como uma narrativa construída a partir de fotografias, contando uma história de amor e perda tendo o folclore português como pano de fundo.


A obra propõe uma reflexão sobre os papéis de género no universo do folclore, desde as danças aos trajes tradicionais, sugerindo também que os grupos folclóricos podem constituir espaços de expressão para identidades e experiências de género dissidentes.


Através de uma voz intimista e de uma sucessão de imagens noturnas, marcadas pelo recurso ao flash, o filme mergulha num imaginário rural feito de símbolos, memórias e afetos. Entre flores de plástico, iconografia religiosa, trajes de rancho e objetos do quotidiano, Miguel De constrói uma narrativa profundamente pessoal e poética sobre desejo, identidade e pertença.


Além do trabalho nas artes visuais, o artista integra o coletivo Circo Caótico, onde é responsável pela música e sonoplastia dos espetáculos, colaborando igualmente com a BANQUETE - Associação de Investigação e Criação em Artes Performativas na criação de paisagens sonoras para teatro e performance.


Passou recentemente pela sua terra natal para um encontro sob o tema "Procuro-te por toda a parte, mas só encontro paisagem." — Lugar Landescape — Ovar, Portugal, 2025


https://youtu.be/WlfZ2A6ANAQ?si=RIPMwKuVYihIfpP-


A estreia de "O Meu Amor do Rancho" aconteceu em maio último, em Lisboa, reforçando a afirmação de Miguel De como uma das vozes emergentes da criação artística contemporânea portuguesa e levando o nome de Ovar a um dos mais importantes palcos do cinema nacional.

Uma voz sussurrada conta-nos uma história de amor e desamor. Na imagem, sob um fundo negro, sucedem-se fotografias que compõem na imagens diferentes configurações. São quase sempre fotografias noturnas marcadas pela acutilância do flash. A câmara fotográfica de Miguel De está particularmente atenta aos pormenores do kitsch rural: as flores de plástico, motas embrulhadas em lonas, alcatifas pisadas, iconografia religiosa, arame farpado e, claro, o universo das danças e vestes do rancho. Mas aquilo que facilmente poderia ser um olhar altivo é, de forma tocante, uma demonstração de carinho. O contexto do folclore serve como catalisador de um hiper-romantismo ingénuo que tem a força desarmante do seu tom confessional. Isso e, claro, o jogo em torno dos papéis de género definidos pela tradição (“que sem o ‘d’ de dor é apenas traição”), postos em causa pela história de amor entre dois rapazes. O lenço torna-se símbolo de desejo, com o vermelho a encarnar o ardor da tesão. As narrativas que a câmara inventa em cada fotografia rasgam a continuidade entre som e imagem. Até que, como em La Jetée, a fixidez fotográfica ganha movimento com a força de um olhar. (Ricardo Vieira Lisboa) https://www.ovarnews.pt/miguel-de-estreia-filme-sobre-amor-folclore-e-identidade/

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