

Imaginem um edifício que fosse o verdadeiro centro cultural da cidade: um espaço que albergasse várias vertentes museológicas, das mais tradicionais às mais modernas, interativas e interpretativas; um ponto de encontro, aberto a iniciativas de âmbito artístico e cultural, e que representasse, por si só, um marco da história da cidade e do país, com a sua fachada modernista, escadarias interiores monumentais e átrios amplos.
Ovar tem uma oportunidade de fazer melhor e de mostrar que é capaz de seguir um caminho diferente daquele que tem sido percorrido nos últimos anos. A cultura, as tradições e a memória coletiva não podem continuar a transformar-se em pó.
Porque Ovar é uma terra com muito para oferecer e para mostrar: a arte e a etnografia, a arte sacra, a arte xávega, o azulejo, o Carnaval, o Cantar dos Reis, a Revista Vareira, bem como as personalidades cujas histórias de vida merecem ser eternizadas, como o incrível Santa Camarão ou a extraordinária Clara d’Ovar, entre muitas outras. Terra de pescadores, lavradores, comerciantes de sal e artesãos, Ovar está a deixar morrer parte da sua própria história — uma história que poderia encontrar no Cineteatro um espaço privilegiado para ser contada: um espaço nobre, com alma, identidade e tradição.
E ainda sobraria espaço para associações, coletividades e para a realização de grandes eventos. Tudo no coração da cidade.
Devolver o Cineteatro à cidade. Não foi isso que foi prometido às gentes de Ovar?
Paula Mendonça https://www.ovarnews.pt/ovar-por-uma-cidade-com-memoria-por-paula-mendonca/
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